Aracruz-ES: da ameaça de greve ao título estadual

O Espírito Santo celebra uma conquista inédita no estado. A cidade de Aracruz, hoje com 86 mil habitantes e localizada no litoral norte do território capixaba, conseguiu entrar para a história do futebol estadual, ao ver seu representante, o Aracruz, vencer o Conilon (ex- Botafogo de Juguaré), por 4 a 1, após perder o primeiro jogo por 2 a 1, num estádio do Bambu (5 mil lugares). O máximo que a equipe do interior havia conseguido fora um vice-campeonato, em 1993, quando o Linhares faturou o caneco.

E pode-se dizer que o Aracruz não ganhou o título por mera sorte nos mata-matas, mas por um bom retrospecto na 1ª Fase. Das 18 rodadas, o time sequer frequentou a zona de rebaixamento, ficando no grupo dos quatro que iam para as semifinais em 15 rodadas, um ótimo resultado para uma equipe da qual não se esperava muita coisa. Mas nem só de bons momentos o Aracruz viveu.

Braços cruzados!

Na 12ª rodada, o time aracruzense se encontrava na vice-liderança do Campeonato Capixaba, com 20 pontos (5v, 5e, 2d), três atrás do líder Rio Branco, campanha digina de aplausos para um clube que, em 2010, era campeão da segunda divisão estadual – venceu também a edição de 1990, tornando-se o maior vencedor da competição, ao lado de Estrela do Norte e São Mateus.

O próximo jogo do Aracruz seria contra o ES de Anchieta, então oitavo colocado, o primeiro fora da degola, em casa. Numa reunião entre os jogadores, um dia antes, ficou definido que se o presidente do clube, Washington Luís Scarpati, não pagasse os salários de fevereiro e parte dos de janeiro, o Aracruz não teria time para entrar em campo! Enquanto o mandatário estava na prefeitura de Aracruz a fim de conseguir dinheiro para acertar as dívidas, o volante Gilmar dava entrevista no estádio:

“Em campo, nós estamos fazendo a nossa parte. Somos vice-líderes (com 20 pontos). Mas não há como ficar jogando sem receber. Está insustentável. Pelo que conversamos, não vamos jogar se não pagarem. Não queríamos isso, o clube é que seria penalizado, mas não tem jeito. Foi prometido o pagamento dos atrasados para uma data e nada, novamente não cumpriram. Queremos uma solução imediata!”, cobrou, ao site globoesporte.

No dia seguinte à tarde, a solução pairou no estádio do Bambu e tudo voltou ao normal. Washington Luís Scarpati se acertou com a prefeitura de Aracruz e informou aos jogadores que R$ 100 mil seriam repassados ao clube até segunda-feira (19 de março de 2012): “A partir de agora é vida nova no Aracruz. Depois de quitarmos tudo e de prestarmos contas, direitinho, receberemos a segunda parcela e assim por diante. O Aracruz jogará normalmente, os jogadores estão até entrando em campo aqui no estádio do Bambu para fazerem um recreativo”, disse o mandatário.

Ele chegou a reclamar de forças que visavam a atrapalhar a liberação das verbas desde janeiro, cujo valor total era de R$ 300 mil, em três parcelas iguais. Diante do ES de Anchieta, a goleada de 4 a 0 comprovou que o elenco estava focado na campanha, com o moral da equipe melhorando na terça-feira (20 de março) pela manhã, quando finalmente os dois meses de salários atrasados foram quitados pela diretoria.

Mata-mata

Na 16ª rodada, a duas do fim da 1ª Fase, o Aracruz foi até São Mateus para vencer os donos da casa, de mesmo nome, por 1 a 0, resultado que garantiu a equipe matematicamente nas semifinais do estadual. Na segunda colocação após o término da etapa, com 33 pontos (desvantagem para o Rio Branco no número de vitórias, 10 contra 9), o Aracruz encarou nas semifinais o Vitória, que também viveu situação inusitada durante a campanha (veja tudo aqui).

Por ter tido melhor campanha na fase inicial, o Aracruz tinha a vantagem de dois resultados iguais e jogou com o regulamento. Após dois 1 a 1 com o time da capital, o Aracruz alcançou a grande final do Campeonato Capixaba, diante de outra surpresa, o Conilon, que havia sido campeão da segunda divisão do estado em 2011. No dia 28 de abril de 2012, aconteceu o primeiro jogo da final, no estádio Justiniano de Mello e Silva, em Jaguaré.

Com público de 1.763 pagantes e lucro de R$ 8.730,09 (contando com o patrocício do Banestes, que pagou R$ 3.300,00), o Conilon fez dois gols contra um do Aracruz e quebrou a vantagem de dois resultados iguais dos aracruzenses, podendo até empatar o jogo da volta.

Melhores momentos do jogo de ida da final

Imagem de Amostra do You Tube

Seis dias depois, as duas equipes voltaram a se encontrar, desta vez na casa do Aracruz, simplesmente lotada de torcedores ávidos pelo inédito título estadual. Os 4.300 ingressos destinados aos torcedores do Aracruz haviam sido comprados e faltavam apenas mais 700 bilhetes, separados para os apoiadores do Conilon. Além do troféu nunca antes conquistado pelos oponentes, estava em jogo as vagas no Campeonato Brasileiro da Série D 2012 e na Copa do Brasil 2013.

Ambas as diretorias confirmaram que iriam participar da competição nacional, com o presidente do Aracruz, Washington Luís Scarpati, afirmando que já tinha até o planejamento para a disputa do torneio, mas que iria respeitar o adversário da final, não dando mais detalhes. No dia 5 de maio de 2012, os dois times estavam nervosos. Depois de um primeiro tempo sem gols, o Aracruz abriu o placar, aos sete minutos, voltando a ser campeão estadual. Quando os donos da casa fizeram 2 a 0, aos 20 minutos, o Conilon sentiu que não poderia empatar o jogo, caindo de produção. Com mais dois gols do time da casa e um dos visitantes, o Aracruz conseguiu o inédito troféu, depois de golear o Conilon por 4 a 1!

Os gols do segundo jogo da final

Imagem de Amostra do You Tube

Brasileirão Série D

Confirmado na quarta divisão do Campeonato Brasileiro, o Aracruz fará parte do Grupo A6, que ainda tem Friburguense-RJ, Resende-RJ, Nacional de Nova Serrana-MG e Villa Nova-MG. E para conseguir passar de fase, o que aconteceu apenas uma vez com o representante capixaba (em 2010, o Rio Branco ficou em segundo na sua chave, à frente do America-RJ no saldo de gols; viria a cair no primeiro mata-mata, diante do Madureira-RJ, que conseguiu o acesso naquele ano), o apoio dos torcedores terá de existir, o que de fato só aconteceu na grande final do Campeonato Capixaba.

O Plano Tático analisou os borderôs contidos no site da federação do Espírito Santo e comprovou a falta de público durante a 1ª Fase da competição. Nas nove partidas em que atuou como mandante, o Aracruz teve média de 1.444 torcedores por partida (apenas público pagante), sendo o melhor público diante do Real Noroeste (1.869 torcedores), na 15ª rodada, e o pior contra o Serra (954 torcedores), na quinta rodada. Na semifinal, 3.133 torcedores pagaram ingressos, enquanto que na final mais de quatro mil torcedores acompanharam o jogo. Será que o Aracruz poderá sonhar com voos mais altos na Série D?

Ainda sobre o Campeonato Capixaba, os rebaixados para a segunda divisão foram Serra, dez pontos (3v, 1e, 14d), que já dava sinais de queda, como o próprio Plano Tático mostrou (veja detalhes aqui), e o Colatina, que somou 17 pontos (3v, 8e, 7d), não conseguiram se manter.

A festa dos torcedores ainda no estádio do Bambu

Imagem de Amostra do You Tube

Jogos Aracruz (10v, 8e, 4d)

1ª Fase

22/01 | Rio Branco 3×3 Aracruz

27/01 | Aracruz 1×0 Linhares

1°/02 | Aracruz 0×0 Conilon

05/02 | ES de Anchieta 2×0 Aracruz

08/02 | Aracruz 1×0 Serra

11/02 | Real Noroeste 1×1 Aracruz

15/02 | Aracruz 1×0 São Mateus

25/02 | Vitória 2×1 Aracruz

28/02 | Aracruz 2×2 Colatina

03/03 | Aracruz 2×1 Rio Branco

10/03 | Linhares 2×3 Aracruz

14/03 | Conilon 1×1 Aracruz

17/03 | Aracruz 4×0 ES de Anchieta

21/03 | Serra 2×2 Aracruz

24/03 | Aracruz 2×1 Real Noroeste

28/03 | São Mateus 0×1 Aracruz

31/03 | Aracruz 0×1 Vitória

07/04 | Colatina 2×3 Aracruz

Semifinal

14/04 | Vitória 1×1 Aracruz

20/04 | Aracruz 1×1 Vitória

Final

29/04 | Conilon 2×1 Aracruz

05/05 | Aracruz 4×1 Conilon

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