Etiópia vence em casa e lidera; Botsuana empata com a África do Sul

No Grupo A da 2ª Fase das Eliminatórias Africanas para a Copa do Mundo 2014, até agora uma equipe vem atraindo todas as atenções. A Etiópia está no topo da chave, quando todos imaginavam que o país seria o lanterna. A vítima da segunda rodada foi a República Centro Africana, que também vem evoluindo no cenátio internacional. Na outra partida, Botsuana fez um jogo de vida ou morte com a África do Sul, mas não está em nenhuma das situações, diante do empate dentro de casa. Boa leitura!

Etiópia surprende centro africanos

Uma das boas surpresas dessa fase nas eliminatórias, a República Centro Africana começou muito bem a competição, derrotando Botsuana, por 2 a 0, em casa (veja mais informações – texto 2), quando se esperava o contrário, a vitória dos visitantes. Antes do segundo jogo, diante da Etiópia, que também aprontou na primeira rodada, ao empatar com a favorita África do Sul por 1 a 1, fora de casa (veja os gols da partida – texto 2), os centro africanos, que há dois anos eram 202º colocados no Ranking FIFA e agora detêm a 93ª posição, estavam entusiasmados para vencer a Etiópia:

“Passamos por dificuldades durante muitos anos, mas o futebol hoje está progredindo em nosso país e vamos dar o nosso melhor para colocar o sorriso de volta nos rostos da pessoas, que nos apoiam o tempo todo, o que motiva”, disse ao site da BBC o atacante Foxi Kéthévoama, 26 anos, do Astana (Cazaquistão).

O zagueiro Kelly Youga, 26 anos, atleta do Yeovil Town (Inglaterra), ainda sonha que o futebol melhore a situação do próprio país: “Há uns cinco anos a federação  local vem procurando jogadores para defender a seleção e estamos começando a ver os resultados desses esforços. Não somos políticos, mas acredito que, por meio do futebol, podemos deixar uma mensagem de esperança e determinação, um exemplo para os líderes africanos seguirem”, encerrou o jogador, ao mesmo site.

Porém, do outro lado, os donos da casa também sofrem dos mesmos problemas extra-campo. A Etiópia, a título de curiosidade, é apenas o 174º país no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,363, enquanto a República Centro Africana ainda vem um pouco mais abaixo, em 179º lugar, com 0,343 (o Brasil é 84º, com 0,718). A base da seleção etíope é de jogadores atuantes no obscuro futebol do país, enquanto os centro-africanos defendem clubes de menor expressão da França, mas da primeira divisão, além de equipes africanas.

O estádio Addis Ababa (25 mil lugares), na capital da Etiópia, de mesmo nome, estava lotado, com 25 mil torcedores fazendo muita festa e tornando público o seu orgulho pela pátria, mesmo num país de sérios problemas sociais. Quando o atacante Saladin Said, 22 anos, do Wadi Degla (Egito), um dos melhores jogadores da atual seleção etíope, recebeu lançamento do meia Menyahel Teshome, 26 anos, do Ethiopian Coffee (Etiópia), dentro da pequena área, levou vantagem sobre um zagueiro e desviou para as redes, sem chances para o goleiro Geoffrey Lembet (nascido na França), 23 anos, do Sedan (França), o público presente vibrou de alegria! 1 a 0 Etiópia!

No segundo tempo, no finalzinho da partida, aos 43 minutos, um lançamento longo vindo da defesa deixou em ótima situação Saladin Said! Ele aproveitou falha do zagueiro centro africano, que esperou a bola quicar e foi enganado, partiu em velocidade, evitando a marcação adversária e finalizou bonito, rasteiro, no cantinho, tirando de Geoffrey Lembet! 2 a 0 Etiópia, levando os torcedores à loucura! Durante as comemorações, um torcedor etíope invadiu o gramado e foi ao encontro do meia Mehsud Mohammed, 22 anos, do Ethiopian Bunna (Etiópia). O atleta pareceu sentir dores e o exército nacional, que fazia a segurança da partida, utilizou de muita truculência para com o torcedor, que foi retirado aos empurrões!

Após o gol, a República Centro Africana tentou atacar no desespero, não conseguindo levar perigo ao gol do goleiro Sissay Bassa, 22 anos. Num dos contra-ataques etíopes, o camisa 10 da equipe, o meia Birhanu Bogale, 26 anos, experimentou de fora da área, mas Geoffrey Lembet saltou bonito e mandou para escanteio! A partida acabou terminando com uma histórica vitória da Etiópia, para a incrível festa dos etíopes, que, assim como os centro africanos, poderão evoluir em outras frentes tendo o futebol como base de motivação!

Imagem de Amostra do You Tube

Depois dos dois gols e da vitória, Saladin Said estava de alma lavada: “Estou muito feliz pelo resultado, pois a vitória nos dá esperança de classificação. Marquei dois gols que me dão um prazer extra, mas o mais importante é vencer”, disse o atacante de apenas 22 anos, que também foi o autor do gol no empate contra a África do Sul.

O técnico centro africano e ex-goleiro da seleção Hervé Loungoundji, 37 anos, contratado dez dias antes da primeira partida da República Centro Africana, diante de Botsuana, não conseguiu manter os 100%: “Um erro da defesa e falta de concentração dos jogadores nos levou à derrota. A Etiópia jogou bem, com boa troca de passes, que levou vantagem sobre nós. Não sinto nenhuma pressão no cargo e nenhuma derrota vai afetar nossa campanha nas eliminatórias, pois ainda há muito o que rolar. Ninguém sabe como vai terminar o grupo, o qual é liderado pela Etiópia no momento, mas garanto que vamos vencê-los em casa”, disse o confiante técnico.

Com quatro pontos, a Etiópia é a primeira colocada ao final de duas rodadas, algo inimaginável antes de os jogos começarem. República Centro Africana está no páreo, com três pontos, seguida de África do Sul, com dois, e Botsuana, que ocupa a lanterna, com apenas um ponto. Em 22 de março de 2013, a República Centro Africana encara a África do Sul, fora de casa, enquanto os etíopes tentarão manter a liderança diante de Botsuana, no mesmo dia.

Botsuana apenas empata com a África do Sul

Na outra partida do Grupo A, os dois “derrotados” na primeira rodada buscavam a recuperação na tabela e a manutenção do sonho de chegar à Copa do Mundo 2014. Antes da partida, os jogadores de Botsuana ainda tentavam explicar a derrota para República Centro Africana, por 2 a 0:

“Honestamente, não esperávamos perder em Bangui [capital centro africana], mas esse foi um daqueles jogos em que você faz tudo certo, mas o resultado não vem. Jogamos bem, mas não marcamos, o que eles fizeram e venceram”, disse o meia Joel Mogorosi, 27 anos, récem contratado pelo FC Platinum (Zimbábue), junto ao atual campeão nacional, o Centre Chiefs (Botsuana).

Contra a África do Sul, Mogorosi foi categórico: “Eles são um bom time, misturando jogadores experientes e jovens talentos, alguns atuando na Europa. Mas não vamos respeitá-los dentro de campo, pois somos qualificados, até porque jogamos a Copa Africana de Nações 2012 e eles não”, pontuou.

O técnico local Stanley Tshosane, 55 anos, entendia que o resultado da partida contra os sul africanos era muito importante: “Precisamos começar a somar pontos e, diante da derrota na estreia, o jogo de hoje terá de ser vencido, senão vai ficar difícil. Temos chances de chegar à Copa do Mundo e, a depender do resultado da outra partida e de nossa vitória, podemos terminar a chave na liderança”, profetizou.

Tshosane tinha a ausência do meia Mogogi Gabonamog, 29 anos, do Supersport United (África do Sul), como um grande problema – ele alegou problemas familiares e pediu dispensa –, num elenco em que os atletas em sua maioria defendem clubes do próprio país, com raras exceções na própria África do Sul e o zagueiro Tshepo Motlhabankwe, 31 anos, do Heracles Almelo (Holanda), único a atuar na Europa.

Na África do Sul, que acabou demitindo o técnico Pitso Mosimane após o empate diante da Etiópia, em casa, muita indefinição sobre o novo treinador – são cinco candidatos, cujas entrevistas começam em 13 de junho e vão até o dia 18 do mesmo mês. O novo técnico, o sul africano Steve Komphela, 44 anos, que ainda é considerado interino, mas pode ser efetivado, não poderia contar com o zagueiro Tsepo Masilela, 27 anos, do Getafe (Espanha), contundido no primeiro jogo: “Vou tentar, na medida do possível, ser o que esperam que sejamos para esta nação. Estou certo que o sucesso é iminente”, disse.

O craque do time, o meia Steven Pienaar, 30 anos, do Everton (Inglaterra), deixou transparecer a tristeza com a demissão do antigo treinador: “Nós jogadores estamos um pouco para baixo, apesar de ser normal no futebol você perder um treinador. Mas temos de nos elevar mentalmente, pois sabemos que o resultado do último jogo realmente não foi bom”, encerrou. Portanto, um embate bastante nervoso entre os países de territórios vizinhos era esperado no acanhado estádio University of Botswana (10 mil lugares), na capital do país, Gaborone!

Na partida, os torcedores da casa tiveram importante papel. A primeira chance de Botsuana ocorreu aos sete minutos do primeiro tempo, quando o zagueiro Ndiapo Letsholathebe, 28 anos, do Police (Botsuana), cabeceou no travessão. No rebote, o atacante Jerome Ramatlhakwane, 26 anos, sem clube, errou a finalização e perdeu grande oportunidade! Porém, o primeiro gol foi marcado pelos visitantes. Aos 15 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Morgan Gould, 29 anos, do Supersport United, venceu a marcação do meia Ofentse Nato, 22 anos, do Gaborone United (Botsuana), e colocou a África do Sul na frente. 1 a 0 África do Sul!

Aos 16 minutos, o goleiro Kabelo Dembe, 21 anos, do Township Rollers (Botsuana), salvou um chute do atacante Katlego Mphela, 27, do Mamelodi Sundowns (África do Sul), em cima da linha! Pouco tempo depois, a defesa sul africana não afastou e Jerome Ramatlhakwane teve a chance de marcar, mas perdeu o equilíbrio e caiu no gramado… No final do primeiro tempo, aos 38 minutos, Ofentse Nato insistiu num lance dentro da área sul africana e, após bate-rebate, teve espaço suficiente para finalizar e empatar o jogo, sem chances para o goleiro Itumeleng Khune, 24 anos, do Kaiser Chiefs (África do Sul)! 1 a 1 Botsuana versus África do Sul!

No segundo tempo, Kabelo Dembe fez grandes defesas e impediu os visitantes de saírem vencedores, depois de quase 25 minutos de pressão, em razão do recuo da defesa de Botsuana, que parecia satisfeita com o empate, apesar do barulho vindo das arquibancadas, que impulsionava os anfitriões ao ataque.

Após a partida, Tshepo Motlhabankwe tentou explicar o resultado: “Definitivamente poderíamos ter vencido hoje, se tivéssemos acertado a pontaria. Jogamos muito bem, diferente das últimas partidas, pois acertamos os passes e tivemos criatividade ofensiva”.

Stanley Tshosane utilizou o mesm tom: “Não quero dar desculpas, mas se tivéssemos nos preparado melhor para esse jogo, a história seria outra. No entanto, vi evolução nos jogadores, mas saio desapontado por não ter vencido. Se perdermos o próximo jogo, nossas chances de classificação serão mínimas”, alertou.

Felicidade também não se encontrava do  lado sul africano: “A nação merece coisa melhor, não podemos ficar empatando sempre, mas também devemos entender que não podemos perder ou ganhar toda hora. Jogamos muito bem o primeiro tempo, mas cometemos um erro e permitimos ao adversário empatar. Criamos chances no segundo tempo, mas não convertemos”, disse Steve Khompela.

Na próxima rodada, a África do Sul terá de vencer República Centro Africana, em casa, em 22 de março de 2013, se quiser sonhar com a classificação. No mesmo dia, Botsuana visita a animada Etiópia, que pode protagonizar uma das maiores zebras dessas eliminatórias.

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