Irã vence Uzbequistão em jogo polêmico; Líbano perde em casa

Na primeira rodada da Fase Final das eliminatórias da Ásia, os dois candidatos a novatos em Copa do Mundo foram derrotados. O Uzbequistão reclamou muito de um gol não validado pelo árbitro, já o Líbano, mesmo com o apoio de seus torcedores, não teve forças para se sobrepor ao Catar. Boa leitura!

Irã começa bem a campanha

Fora de uma Copa do Mundo desde 2006, na Alemanha, os iranianos sabem dos erros cometidos no qualificatório da África do Sul, quando saíram eliminados da repescagem por apenas um ponto: “Ganhamos uma chance [de chegar à Copa do Mundo] e não vamos deixar passar. Vamos batalhar duro a cada jogo, em casa e fora, e também permaneceremos positivos. O futebol é um esporte engraçado, e às vezes pode ser cruel com quem não tem sorte nas partidas decisivas”, disse o atacante Mohammed Reza, de 28 anos, do Al Wasl (Emirados Árabes Unidos), em entrevista ao site oficial da FIFA.

O jogador fala em cautela no Grupo A, em que só Irã e Coreia do Sul já estiveram numa Copa do Mundo, ao passo que Catar, Líbano e Uzbequistão seriam estreantes, numa chave que oferece duas vagas diretas e mais uma na repescagem asiática, contra o terceiro do Grupo B, valendo vaga na repescagem intercontinental, contra o quinto colocado das Eliminatórias Sul Americanas.

“Se uma equipe chegou a essa fase é porque tem qualidade, e nós respeitamos todos os adversários. Vamos procurar jogar com os nossos pontos fortes e apostar na nossa experiência e no apoio da torcida para conquistarmos os pontos. Se tudo sair conforme o esperado, vamos nos classificar ao Mundial, mas nada vai acontecer se não nos esforçarmos”, encerrou.

Sonhando com a primeira Copa do Mundo, os torcedores uzbeques ocuparam todas as cadeiras do acanhado estádio JAR (9 mil lugares), a fim de ver sua seleção vencer os iranianos, mais acostumados com um Mundial, mas nem tanto. O calor do barulho vindo das arquibancadas aumentou ainda mais aos 22 minutos do primeiro tempo, quando os anfitriões quase marcaram. O meia Jasur Hasanov, 28 anos, do Emirates Club (Emirados Árabes Unidos),  recebeu lançamento e foi até a linha de fundo para cruzar. A bola chegou para o meia Odil Ahmedov, 24 anos, atleta do Anzhi Makhachkala (Rússia), que tocou de primeira para o zagueiro Victor Karpenko, 34 anos, do Bunyodkor (Uzbequistão).

Ele estava dentro da área, livre de marcação, e finalizou de primeira, num chute fortíssimo. Porém, o goleiro Seyed Rahmati, 29 anos, do Esteghlal (Irã), mostrou muita elasticidade e impediu o gol uzbeque, fazendo uma linda defesa e espalmando para longe! Quase gol dos donos da casa! No finalzinho do primeiro tempo, aos 40 minutos, o Uzbequistão perdeu outra grande chance de inaugurar o placar.

O meia Jasur Hasanov invadiu a grande área, pelo lado direito, e finalizou forte, mesmo com o volante Pejman Nouri, 31 anos, do Emirates Club, à sua frente. Seyed Rahmati não conseguiu segurar o chute e soltou a bola nos pés do atacante Aleksandr Geynrikh, 23 anos, do Navbahor Namangan (Uzbequistão). Ele driblou o goleiro e mandou para as redes! Mas o lance não estava mais valendo, pois o árbitro japonês Yuichi Nishimura confirmara o impedimento, que realmente aconteceu.

No segundo tempo, o Uzbequistão continuou pressionando e tinha as melhores chances da partida, enquanto o Irã se contentava com poucas jogadas ofensivas, parecendo gostar do empate de 0 a 0. Numa delas, aos oito minutos, o meia Javad Nekounam, 31 anos, do Osasuña (Espanha), caminhou com a bola dominada, avançando em direção à grande área. Como nenhum marcador deu combate, o iraniano continuou e resolveu experimentar um chute de fora da área. A bola saiu fraca, mas o goleiro Ignatiy Nesterov, 28 anos, do Bunyodkor (Uzbequistão), bateu roupa, deixando-a explodir em seu peito. Sorte que ele se recuperou a tempo e fez a defesa, antes que o meia Ali Karimi, 33 anos, do Persepolis (Irã), pudesse desviar para as redes.

Aos 27 minutos, os dons da casa reclamaram muito – e com total razão – de um lance. Aleksandr Geynrikh cobrou falta pelo lado esquerdo, colocando a bola na área, no famoso chuveirinho. Odil Ahmedov se deslocou para tentar acertar a bola e desviar para o gol, mas não conseguiu. A movimentação do atleta uzbeque foi suficiente para confundir Seyed Rahmati, que se preocupou com o provável desvio do adversário e não conseguindo tocar na bola.

A pelota tocou na trave e voltou para Odil Ahmedov, que mandou para as redes! O zagueiro Seyed Hosseini, 30 anos, jogador do Persepolis (Irã), tocou na bola, mas, claramente, pelas imagens e também pela visão do bandeirinha, Hosseini estava dentro do gol, confirmando que a bola havia entrado e, portanto, era gol do Uzbequistão! Porém, Yuichi Nishimura mandou muito mal, assim como seu assistente, e não validou o gol, prejudicando enormemente o Uzbequistão! A torcida, percebendo o erro, vaiou por alguns segundos…

Os jogadores sentiram a injustiça pelo gol leval invalidado, e se desconcentraram em campo, procurando a todo custo o gol da vitória. Quando todos já imaginavam o empate sem gols, o Irã encaixou um contra-ataque, por volta dos 49 minutos. A bola se ofereceu ao atacante Karim Ansari, 22 anos, do Saipa (Irã), que utilizou de sua apurada técnica para acertar um passe milimétrico, na diagonal, nos pés do atacante Mohammed Reza, 28 anos, do Al Wasl (Emirados Árabes Unidos).

Ele teve toda a liberdade e tranquilidade para pegar de primeira, na diagonal, num chute forte e rasteiro, fora do alcance do goleiro Ignatiy Nesterov, 28 anos, do Bunyodkor (Uzbequistão)! 1 a 0 Irã, PLACAR FINAL, que realmente não tem nada a ver com o erro da arbitragem a seu favor!

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Após a partida, logicamente os uzbeques reclaram bastante do gol injustamente anulado, que atrapalhou o andamento da partida. O técnico local Vadim Abramov, 59 anos, tratou de criticar a arbitragem: “Marcamos um gol no segundo tempo, mas o trio de arbitragem não viu. O Irã teve duas chances no jogo todo e acertou uma. Não sei o que aconteceu conosco nos últimos minutos, de vez em quando levamos gol no final dos jogos. Perdemos a partida, mas não foi uma tragédia, pois ainda temos sete partidas neste grupo e tomara que estejamos vivos na disputa pela Copa do Mundo até o final. Vamos melhorar nos próximos jogos”.

Porém, mesmo diante do discurso de continuidade de Vadim Abramov, seu desejo não foi compartilhado pela federação uzbeque. Dois dias depois da derrota, a entidade que rege o futebol nacional optou por demitir Abramov. Para o seu lugar foi chamado Mirjalol Qosimov, 41 anos, atual técnico do Bunyodkor e ex-meia da seleção entre 1992-05. Ele, que já treinou a seleção nacional em 2009-10, terá pouco tempo para preparar a equipe para a próxima partida, em 8 de junho de 2012 (amanhã), diante do Líbano, fora de casa. Não deve haver mudanças na equipe que atuou diante do Irã.

Alheio aos problemas do Uzbequistão, o técnico português Carlos Queiroz comemorou a importante vitória: “Eles tiveram muitas chances, mas, quando mudamos  nossa maneira de jogar, melhoramos em campo. Sabia que o Uzbequistão iria com tudo nos minutos finais e por esta razão mudamos nossa tática e tentamos os contra-ataques. Porém, sei que é apenas o começo da jornada e ainda temos sete partidas, todas muito difíceis”, encerrou.

Na segunda rodada, o Irã vai apenas acompanhar os adversários pela televisão, pois folgará, mas ficará de olho na partida entre Catar e Coreia do Sul, também em 8 de junho, já que os catarianos serão o próximo oponente do Irã, dia 12 de junho, em casa.

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Líbano perde para o Catar e terá de ganhar fora

O estádio Camille Chamoun Sports City (47.800 lugares), na capital do Líbano, Beirute, estava praticamente lotado, com 40 mil torcedores esperançosos por um início arrasador de campanha na inédita Fase Final das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo 2014 (veja todos os detalhes da caminhada libanesa). Pelo lado do Catar, o meia Khalfan Ibrahim, 24 anos, atleta do Al Sadd (Catar), acreditava na possibilidade de seu país estrear em Mundiais já em 2014, oito anos antes de sediar a competição, em 2022: “Teremos a oportunidade de jogar grandes partidas e de lutar para conseguir uma das vagas no Brasil. A nossa ambição é legítima. Adoramos desafios e apostamos na nossa determinação. Vamos nos preparar da melhor maneira possível para mostrar do que somos capazes”, disse ao site oficial da FIFA.

Logo aos três minutos de partida, ficou claro que o jogo seria nervoso, pois as duas equipes tinham seus pontos positivos, com ligeira vantagem para o Catar, treinado pelo brasileiro Paulo Autuori e com vários atletas naturalizados, inclusive dois brasileiros (o zagueiro Marcone, , 34 anos, revelado pelo Vitória-BA, entrrou nos acréscimos do segundo tempo). O meia Adel Lami, 26 anos, do Lekhwiya (Catar), disputou bola no alto com o meia Ahmed Atwi, 32 anos, do Dubai Club (Emirados Árabes Unidos), caindo no gramado reclamando de uma carga, que não existiu.

Aos sete minutos, o atacante Andrés Quintana (nascido no Uruguai), 28 anos, do Lekhwiya, recebeu passe na esquerda, já dentro da área, na frente do zagueiro, e emendou um forte chute, excepcionalmente espalmado pelo goleiro Zied El Samad, 33 anos, atleta do Safa (Líbano), que mandou a escanteio! Quase! Na cobrança, os libaneses quase sofreram o gol, mas mais uma vez El Samad apareceu para defender a meta, tirando a bola com os pés! Os lances pesados continuavam acontecendo e o árbitro bareinita Nawaf Shukralla resolveu amarelar Quintana, por uma subida faltosa em cima do meia Hussain Dakik, 23 anos, do Al Ahed (Líbano), que também deu uma valorizada!

Aos 26 minutos, um erro na defesa catariana permitiu o contra-ataque do Líbano, que por muito pouco não marcou. Ahmad Atwi recebeu na direita, dentro da área, e finalizou com maestria, cruzado e no chão, tirando do goleiro Qasem Burhan, 26 anos, do Al Gharrafa (Catar). Porém, ele levou a azar a bola carimbou a trave. Na sobra, o bom atacante Hassan Maatouk, 24 anos, do Ajman Club (Emirados Árabes Unidos), foi displicente e fez o mais fácil, apenas tocando devagar. Aí ficou fácil para o zagueiro Lawrence Quaye, 27, do Al Gharrafa, se esticar e mandar para escanteio! Os torcedores gostaram!

No segundo tempo, por volta dos 15 minutos, o meia Ahmed Zreik, 22 anos, do Al Ahed, fez boa jogada pela direita, puxou para o meia e mandou para a grande área. A bola foi na cabeça do atacante Mohammed Ghaddar, 28 anos, do Kelantan (Malásia), que finalizou bonito, mas por cima do gol, sem muito perigo para a defesa do Catar, que perdeu no alto.

O jogo estava bastante disputado, com as duas equipes brigando muito pela posse da bola, mas falhando em alguns lances bobos, em clara falta de qualidade técnica dos jogadores. Um gol nesta partida parecia fatal para quem o levasse, e foi justamente o que aconteceu. Aos 19 minutos, o zagueiro Ramez Dayoub, 26 anos, do Selangor (Malásia), estava apertado pelos atacante catarianos e decidiu recuar para Zied El Samad. Porém, o passe ficou curto demais, sobrando limpo para Andrés Quintana, que driblou El Samad com extrema facilidade e tocou para as redes! Falha imperdoável do Líbano, 1 a 0 Catar!

Após o gol os libaneses ficaram no ataque, alçando bola na área e procurando vencer a retranca do Catar, mas pouco conseguiram finalizar, não levando muito perigo para Qasem Burhan, exceto em um ou outro lance, em que os próprios libaneses perderam as chances. No final, sobrou  lamentação no lado libanês, e uma forte comemoração entre os catarianos.

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Após o jogo, o técnico alemão Theo Bücker, 63 anos (já comandou a seleção entre 2000-02), não amansou para o zagueiro Ramez Dayoub: “Levamos azar hoje, pois merecíamos um ponto neste jogo. Demos três pontos para o Catar depois de um erro defensivo que nos custou a partida. Daremos nosso melhor para as próximas partidas, trabalhando o psicológico dos jogadores, até porque ainda temos mais dois compromissos ainda em junho de 2012”, encerrou em entrevista coletiva.

Já Paulo Autuori estava lisonjeado com os três pontos fora de casa: “Apesar de termos trabalhado pouco tempo para essa partida, os jogadores mostraram bom desempenho. Falei a eles que estivessem preparados para todos os desafios, e conseguimos vencer um adversário difícil, com maturidade e personalidade, além da consciência tática. Eles foram muito bem hoje”, encerrou o brasileiro.

Na próxima partida, em 8 de junho de 2012, o Líbano vai jogar em casa novamente, diante do Uzbequistão. No mesmo dia, o Catar vai receber a Coreia do Sul, que fará sua estreia nesta fase.

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