Uganda se salva de derrota nos minutos finais

Estreando dentro de casa na 2ª Fase das Eliminatórias Africanas para a Copa do Mundo 2014, Uganda encarou o forte Senegal, favorito do Grupo J para alcançar a Fase Final da competição. Assim como no empate diante de Angola, na primeira rodada, por 1 a 1, fora de casa (veja os gols aqui – texto 2), os ugandeses voltaram a balançar as redes no finalzinho da partida e garantiram pelo menos um pontinho. Para Senegal, que derrou a Libéria por 3 a 1, em casa, na primeira rodada (veja os gols do jogo – texto 1) fica a sensação de derrota, pois se tivesse vencido dificilmente teria a vaga ameaçada.

O técnico escocês de Uganda, Bobby Wlliamson, desde 2008 no comando da seleção, esperava dificuldade: “Será uma partida complicada, mas podemos conseguir a vitória. Precisamos de que o torcedor apoie nossa seleção, mas também contamos com algum elemento de sorte. Não vou me preocupar se fizermos gol por meio de desvio de algum jogador senegalês”, disse.

O zagueiro Ibrahima Sekagya, 31 anos, do Red Bull Salzburg (Áustria), que não foi convocado para a partida, também acreditava no triunfo de seus compatriotas: “Em futebol, nada é impossível, Uganda simplesmente tem de acreditar. Eles têm que se esforçar ao máximo esaber lidar com a pressão. A seleção tem bons jogadores, cheios de determinação e habilidade. Eu os visitei essa semana para conversar e dei meu apoio, pois sei como se sentem às vésperas de um grande jogo”, afirmou.

Por sua vez, o técnico local de Senegal, Joseph Koto, que é interino, acreditava no potencial de sua equipe: “Somos afortunados por ter muita qualidade, espero que o trabalho tenha continuidade. Farei algumas mudanças para essa partida, mas não no sistema tático, que é bom, mas nas peças, para trazer mais serenidade e experiência ao elenco. É normal, temos de fazer ajustes”, explicou.

O jogo

O estádio Nacional (45.202 lugares), em Kampala, capital de Uganda, estava quase lotado, com 30 mil torcedores empurrando a seleção da casa para a primeira vitória nas eliminatórias. A primeira boa jogada que levantou o animado torcedor ugandês aconteceu no início da partida. O atacante Dan Wagaluka, 25 anos, do APR (Ruanda), recebeu lançamento na direita, junto à linha lateral. Ele tinha a marcação do zagueiro Abdoulaye Ba, 21 anos, da Académica de Coimbra (Portugal), mas conseguiu cruzar a bola na segunda trave. Lá estava o jovem atacante Emmanuel Okwi, 19 anos, do Simba SC (Tanzânia), que tentou finalizar, mas mandou longe do gol do goleiro Ousmane Mané, 21 anos, do Dimbars (Senegal).

Aos 37 minutos, Senegal inaugurou o placar. O atacante Dame N´Doye, 27 anos, do Copenhagen (Dinamarca), fez linda jogada pela esquerda, saindo de dois jogadores de Uganda com grande habilidade. Ele ainda driblou mais dois adversários, entre eles o meia Patrick Ochan, 23 anos, do TP Mazembe (República Democrática do Congo), antes de invadir a área, ir à linha de fundo e cruzar. Com total liberdade, o atacante Papiss Cissé, 27 anos, do Newcastle United (Inglaterra), apareceu na pequena área e deu um carrinho para desviar a bola para as redes! 1 a 0 Senegal!

Ainda no primeiro tempo, o meia Sadio Mané, 20 anos, do Metz (França), teve literalmente a bola na cabeça para ampliar a vantagem, mas errou o alvo sozinho dentro da área, sem perigo para o goleiro Denis Onyango, 27 anos, do Mamelodi Sundowns (África do Sul).

No segundo tempo, em que Uganda pressionou Senegal a todo momento, obrigando aos visitantes recuar para o campo de defesa, os torcedores puderam comemorar a marcação de uma penalidade máxima pelo árbitro argelino Mohamed Benouza, que gerou enorme polêmica entre os senegaleses – o atacante Geoffrey Massa, 26 anos, do Yenicami Agdelen (Chipre do Norte) foi derrubado pelo meia Sthépane Badji, 22 anos, do Sogndal (Noruega). Aos 42 minutos, o lateral-esquerdo Godfrey Walusimbi, 22 anos, do Bunamwaya (Uganda), cobrou no contrapé de Ousmane Mané, que caiu para o canto direito, e fez o estádio explodir de alegria, com suas barulhentas cornetas! Que tranquilidade para um zagueiro num momento crucial da partida!

Imagem de Amostra do You Tube

Após a partida, Godfrey Walusimbi explicou o momento do pênalti: “Não foi fácil para mim fazer a cobrança, ainda mais perdendo o jogo naquele instante. Mas o técnico [Bobby Williamson] me deu instruções para cobrar todo lance de bola parada. Portanto, estava pronto para tudo, mantive-me calmo e salvei  um ponto para nós. Acho que ficamos afobados por fazer os lances e tentávamos muitas bolas aéreas, o que facilitava Senegal. No segundo tempo, ouvimos o treinador e conseguimos pressioná-los”, encerrou.

Bobby Williamson aprovou: “Esperava um jogo  muito tático, os jogadores senegaleses são da melhor qualidade, um excelente time. Não queríamos perder em casa, então, um ponto está bom para nós, que dominamos a etapa final”, disse.

Do lado de Joseph Koto, tristeza e indignação com a arbitragem de Mohamed Benouza: “Todos no estádio viram que Senegal foi o  melhor time e merecia ter vencido, viemos aqui para isso, mas um ponto fora de casa, mesmo com um pênalti que não existiu, não é de todo ruim. Ainda há um longo caminho a percorrer nas eliminatórias”, analisou.

O presidente da federação senegalesa, Mamaya Badara Sené, tratou de criticar até o mandatário da confederação africana (CAF), Issa Hayatou: “Não há nenhum conexão entre a escolha de árbitros e a eleição do presidente da CAF, não é? Acredito que sofremos com esse árbitro em razão da recusa da federação senegalesa de votar em apoio à reeleição de Hayatou na confederação”, reclamou Badara Sené.

Dias mais tarde, descobriu-se que Mohamed Benouza, que alegou ter a consciência tranquila, chegou a ser suspenso pela federação argelina em abril de 2012, por seguidos erros numa semifinal da Copa da Argélia, em que o Sétif acabou eliminando o El Harrach. Muitos capítulos ainda aguardam essa história.

Fato é que Senegal lidera o Grupo J com quatro pontos, dois a mais que Uganda e Angola, que tem desvantagem nos gols-pró (2 contra 1). A lanterna fica com a Libéria, que tem um ponto. Na terceira rodada, a ser disputada em 22 de março de 2013, Senegal recebe Angola em casa, enquanto Uganda vai encarar a Libéria, fora de casa. Senegal é superior aos demais e deve ficar com a vaga, mas terá de jogar melhor.

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