João Galvão: quase cinco anos no Águia de Marabá, críticas em 2013

No Brasil, é muito difícil um treinador ficar tantos anos no comando do mesmo clube, pois os resultados dentro de campo são decisivos para a demissão. João Galvão, que já foi presidente da equipe, começou sua história, como técnico, no Águia de Marabá (Pará) em 20 de julho de 2008, no Campeonato Brasileiro Série C. O time vinha mal no Grupo 3 e jogaria a quarta divisão no ano seguinte, caso não ficasse entre os 20 primeiros – em 2009, a Série D foi criada.

A partir da chegada do novo técnico, o Águia melhorou e terminou a primeira fase na liderança, com dez pontos, à frente de Paysandu (Pará), Bacabal (Maranhão) e Palmas (Tocantins). Na segunda fase, o clube do interior encarou novamente o Paysandu e ainda teve a companhia de Sampaio Corrêa (Maranhão) e Picos (Piauí). Mais uma vez, o Águia de Marabá foi líder, alcançando a etapa seguinte.

Pelo Grupo 25, a equipe ficou atrás do Rio Branco (Acre), mas eliminou Paysandu e Luverdense (Mato Grosso), atingindo a fase final da Série C, na briga por vaga na segunda divisão nacional. No Octogonal, o clube do Pará só não foi promovido porque teve gols-pró inferior (27 contra 20) ao do Duque de Caxias (Rio de Janeiro), permanecendo na Série C.

Pensava-se que a campanha do time fosse algo fora do comum, mas o Águia mostrou nos anos seguintes que não estava para brincadeiras. Após ser eliminado na fase de grupos em 2009, o clube paraense avançou na edição 2010, que ainda tinha Paysandu, Fortaleza (Ceará), Rio Branco (Acre) e São Raimundo (Pará). Entretanto, no primeiro mata-mata, a equipe sucumbiu diante do ABC (Rio Grande do Norte), que seria promovido naquele ano.

No estadual 2013, o Águia levou de 6 a 2 do Paysandu

Imagem de Amostra do You Tube

Nas duas temporadas seguintes, João Galvão não conseguiu bons resultados, mas pelo menos manteve a equipe na Série C. Em 2011, o Águia de Marabá ficou a um ponto da classificação, mas foi o primeiro fora da zona de rebaixamento, graças à péssima campanha do Araguaína (Tocantins), que somou apenas um ponto em oito rodadas (veja mais sobre o jejum de vitórias dos tocantinenses).

Na nova Série C de 2012, dividida em dois grupos de dez equipes, os comandados de João Galvão quase foram para a Série D, terminando a primeira fase em sétimo lugar, com 22 pontos, dois acima da zona de rebaixamento, salvando-se na rodada final. No âmbito paraense, o clube conquistou dois turnos, o primeiro em 2008 e o segundo em 2010, sendo vice-campeão estadual nas duas oportunidades, atrás de Remo e Paysandu.

Dificuldades

Logicamente, o sucesso de João Galvão à frente de uma equipe com menor poder aquisitivo chamou a atenção da dupla Re-Pa. Nos últimos anos, especulou-se a contratação do treinador, mas nada se concretizou e Galvão continua no comando do Águia de Marabá em 2013. Mas a atual realidade é bem diferente do que nas temporadas anteriores…

De acordo com entrevista do presidente do time, Sebastião Ferreira, em novembro de 2012, a disputa do Campeonato Paraense seria marcada por complicações. O dinheiro do convênio com a prefeitura de Marabá atrasou e o clube ainda tinha de pagar um mês de salários atrasados do ano anterior. A intenção era de que João Galvão fosse um diretor e contratado um novo técnico, mas não havia dinheiro:

“Nossa folha salarial na Série C 2012 estava em R$ 150 mil, mas vai cair para R$ 80 mil. Vamos formar um time caseiro, regionalizado. Gostaria que a gente se preparasse com 40 dias de antecedência para o Campeonato Paraense, mas vamos começar a treinar com 20 dias para o início da competição”, disse Ferreirinha ao globoesporte.

O time foi para o campo com pouco tempo de preparação, sem contar as várias caras novas, já que apenas dez atletas de 2012 permaneceram, todos da cidade de Marabá. E os maus resultados não demoraram a aparecer… Após dois empates sem gols, em casa, o Águia foi goleado pelo Paysandu por 6 a 2, em Belém, e o sinal de alerta começou a ser aceso: o time precisava de reforços.

A torcida marabaense, que se acostumou em sonhar com a Série B do Campeonato Brasileiro, protestou contra a campanha da equipe, inclusive pichando muros com a inscrição Fora Galvão. Entretanto, Ferreirinha respondeu à altura:

“Isso é uma coisa salutar no futebol e no Águia não é diferente. O torcedor quer o resultado e nós sabemos que precisamos reagir no campeonato. Aceito essas críticas como um incentivo para que nós, diretoria, comissão técnica e jogadores, nos esforcemos mais para sair dessa situação”, disse ao mesmo site.

Pior ainda foi o resultado da quarta partida, derrota de 2 a 1 para o São Francisco, que deixou a equipe na penúltima posição. A situação melhorou na última rodada, em que o Águia conseguiu a primeira vitória, com um gol de Danilo Galvão, filho do treinador, aos 48 minutos do segundo tempo, contra o Santa Cruz de Cuiarana. A dois jogos do fim do primeiro turno, a equipe de Marabá tem esperanças de classificação. Será que João Galvão quebrará o recorde de cinco anos e três meses no comando do mesmo time, de Telê Santana, no São Paulo?

Jogos Águia de Marabá (1v, 2e, 2d)

12/01 | Águia 0×0 Tuna Luso

16/01 | Águia 0×0 Cametá

20/01 | Paysandu 6×2 Águia

23/01 | São Francisco 2×1 Águia

30/01 | Águia 1×0 Santa Cruz

Próximos jogos

02/02 | Paragominas x Águia

07/02 | Águia x Remo

Informações

- O Águia de Marabá está em quarto lugar, com cinco pontos, dois atrás do Paragominas. O Remo é líder, com 15, seguido de Paysandu e São Francisco, ambos com dez. Completam a classificação Santa Cruz de Cuiarana (quatro), Cametá (quatro) e Tuna Luso (um), na lanterna. Os dois últimos terão de jogar a primeira fase da elite estadual 2014.

- O Paragominas comemora o bom momento. A equipe foi campeã da segunda divisão 2012 e ficou com a vice-liderança da primeira fase da elite paraense, se classificando para o torneio principal. Quem não gostou nada disso foi o Independente Tucuruí, vencedor do Campeonato Paraense em 2011: a equipe foi rebaixada para a primeira fase em 2012, mas reclamou dos promovidos da segundinha (Santa Cruz e Paragominas): “Você fica parado e depois tem que pegar times que já estão jogando há três meses. Gasta muito para um projeto de 30 dias, se der certo ótimo, mas e se não der como não deu o nosso?”, criticou Deley Santos, presidente do clube – Independente foi voto vencido na fórmula do estadual.

- O São Francisco marcou amistoso de pré-temporada contra a seleção de Belterra, antes do início do Campeonato Paraense. O inusitado é que a partida foi jogada em 24 de dezembro de 2012, véspera de natal.  Tudo porque o campo do adversário já tinha jogo para domingo, 23.

- Quase que a primeira fase do Parazão foi interrompida. O Santa Cruz não aceitou a tabela, pois jogará três dos cinco jogos fora de casa. O clube entrou com ação do Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD/PA), mas nada mudou.

- Num estado em que os clubes dependem do governo, incluindo Remo e Paysandu, as equipes do interior querem aumentar a sequência inédita de títulos estaduais. Depois de Independente Tucuruí (2011) e Cametá (2012), a briga será acirrada pelo caneco de 2013.

- O Santa Cruz conta com reforço de seleção brasileira! O volante Dione Bonato Pires de Almeida, 27 anos, defendeu a seleção sub-20 em 2003 e é oriundo do Atlético Paranaense. Ele chegou a ser anunciado no Riograndense (Rio Grande do Sul), mas assinou com o time do Pará.

- O clássico Re-Pa terminou com triunfo remista por 2 a 1, mas a grande notícia é fora de campo. Os 41.604 torcedores renderam R$ 292 mil para cada um. O Remo já gastou parte da renda com bônus aos atletas… R$ 10 mil para cada vitória no estadual, sendo que no clássico o valor dobra. Cada jogador já tem R$ 60 mil para receber, até a quinta rodada! Antes do clássico, a notícia curiosa veio do Remo: o time foi treinar de táxi em academia particular, pois o ônibus precisou de troca do óleo.

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