Gana supera Zâmbia e mantém sonho de 2014

Se em outros grupos a situação estava praticamente definida, na chave D das Eliminatórias Africanas havia disputa acirrada pela vaga única à fase final. É claro que, por jogar em casa, Gana tinha vantagem sobre Zâmbia, mas era um confronto direto e qualquer vacilo poderia resultar em eliminação.

O técnico local Kwesi Appiah estava confiante na classificação e sabia que os ganeses dependiam apenas de si, apesar de nada estar ainda assegurado. Boa notícia deu a federação ganesa, que liberou a volta dos irmãos Andre e Jordan Ayew, do Olympique de Marselha, conquanto que eles enviassem carta à entidade pedindo desculpas por terem desistido de defender a seleção anteriormente – Andre foi escolhido, mas Jordan não.

O meia Sulley Muntari, do Milan, também enviou carta à federação e ao técnico Appiah, pedindo desculpas por ter reclamado ao ser substituído no jogo contra Lesoto, mas acabou não chamado para enfrentar Zâmbia – ele aceitou a decisão de bom grado, de acordo com o presidente da federação, Kwesi Nyantakyi. Kevin Prince Boateng, também do Milan, foi outro a ter que escreveu a famosa cartinha – foi convocado, mas não utilizado na partida.

Os treinos de Gana começaram quatro dias antes do jogo e o ministro dos Esportes do país, Joseph Yamin, já cantava vitória: “Deixando de lado meu comportamento como ministro, quero anunciar um exercício de demolição na sexta-feira. As Estrelas Negras vão acabar com Zâmbia e classificar para a Copa do Mundo. Conto com seu apoio para jogarmos o terceiro mundial consecutivo”.

No lado de Zâmbia, o técnico francês Hervé Renard reclamava da imprensa nacional, que preferia ver um técnico negro no comando da seleção: “Algumas pessoas queriam que eu caísse, mas estou aqui. Talvez as pessoas estejam cansadas de ver um muzungu [branco] no comando da seleção, mas não é problema meu. Após as eliminatórias, vou pensar no futuro. Por enquanto, temos de acreditar na classificação até o final”.

O apoio aos zambianos veio até do presidente do país, Michael Sata, e de ministros nacionais, como o de esporte, Chishimba Kambwili. Para ele, a classificação seria um presente de Dia da Independência de Zâmbia, mas pediu calma e atenção aos atletas: “Nada é impossível quando acreditamos em Deus”, disse. Mas alguns problemas atrapalharam Zâmbia…

O avião que levaria a delegação à Gana tinha a previsão de deixar Zâmbia às 11h, mas três horas depois continuava no aeroporto. O time ficou preso no saguão e teve de treinar antes de embarcar para Gana, às 18h. Porém, a Aviação Civil de Gana não deixou o avião seguir direto para Kumasi, local da partida, e os zambianos tiveram de ir para Acra. A desculpa foi que o avião era grande demais para o aeroporto de Kumasi, mas o motivo é esportivo, claro! A delegação levou mais de 24 horas para chegar ao hotel…

A federação zambiana publicou comunicado reclamando da confusão, mas a entidade ganesa respondeu dizendo que eram acusações falsas e que os dois presidentes estavam em contato o tempo todo. O aluguel de dois aviões, que chegaram quinta-feira, um dia antes do jogo, custou 500 mil dólares.

Gana 2×1 Zâmbia

Atuando em casa e com estádio lotado, Gana demorou 17 minutos para abrir o marcador. Em cobrança de falta, a bola foi na direção do zagueiro John Boye, do Rennes (França), que estava dentro da área, na direita. Ele não conseguiu dominar num primeiro momento, mas aproveitou queda de um zagueiro, que errou a cabeçada, e cruzou na primeira trave.

Dentro da pequena área, o atacante Majeed Warris, do Spartak Moscou (Rússia), se antecipou à defesa de Zâmbia e cabeceou para as redes, sem chances para o goleiro Kennedy Mweene, do Mamelodi Sundowns (África do Sul)! 1 a 0 Gana, diante das reclamações de falta no primeiro lance, que não houve.

No segundo tempo, Gana cobrou lateral no meio-campo com rapidez e pegou a defesa zambiana desorganizada. A bola chegou para o meia Kwadwo Asamoah, da Juventus, que estava livre de marcação e resolveu arriscar da intermediária, um foguete no canto esquerdo de Mweene! 2 a 0 Gana! Aos 27 minutos, os visitantes diminuíram o prejuízo…

O meia Rainford Kalaba, do TP Mazembe (República Democrática do Congo), cobrou escanteio ensaiado, rolando no meio da área. Lá estava o zagueiro Nathan Sinkala, do mesmo time, que teve liberdade suficiente para encher o pé e superar o goleiro Fatawu Dauda, do Orlando Pirates (África do Sul), que só defenderia sem querer! 2 a 1 Gana sobre Zâmbia, PLACAR FINAL!

Local: estádio Baba Yara (lugares)

Gols: Majeed Warris/GAN (17’|1º), Kwadwo Asamoah/GAN (17’|2º) e Nathan Sinkala/ZAM (27’|2º)

Imagem de Amostra do You Tube

Classificação

Mesmo com várias ausências, como o meia Michael Essien, do Chelsea, que perdeu o pai e foi dispensado da delegação, e o atacante Asamoah Gyan, do Al Ain (Emirados Árabes Unidos), contundido – nenhum atleta que joga na liga local foi chamado –, Gana superou Zâmbia com certa facilidade. Os visitantes também não contaram com alguns nomes, como o do atacante Jacob Mulenga, do Utrecht (Holanda), contundido.

Eliminado, Renard reconheceu que seu time foi derrotado por outro melhor, enquanto no país os torcedores ficaram chateados. Apesar da indefinição da permanência de Renard, o presidente da federação zambiana, Kalusha Bwalya, disse que o técnico francês continua no cargo. Desde 2011 comandando a seleção, ele quer um contrato maior do que o atual, que vai até o início das Eliminatórias para a Copa Africana de Nações 2015.

Ao final das seis rodadas, Gana somou 15 pontos, contra 11 de Zâmbia, e aguarda o próximo dia 16 de setembro (segunda-feira) para conhecer o adversário na briga para alcançar a Copa do Mundo. Completam a classificação Lesoto (cinco pontos) e Sudão (dois).

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