Paragominas: de surpresa à decepção em 2013

Em 6 de março de 2012, surgia um novo time no Pará. O Paragominas só ganhou vida para que a recém-inaugurada Arena Verde (12 mil lugares) não ficasse sem um time da região para jogar nela. Assim, o Jacaré entrou em campo na segunda divisão do Campeonato Paraense 2012.

De forma surpreendente, o time alcançou a final da competição, o que já lhe garantiu a vaga na elite estadual, mas ainda derrotou o Santa Cruz de Cuiarana – outro estreante –, ficando com sua primeira taça na história. Na fase preliminar do torneio, esperava-se que São Raimundo e Independente ficassem com as duas vagas na etapa principal do Campeonato Paraense, mas novamente Paragominas e Santa Cruz, que já tinham ritmo de jogo por atuarem na segunda divisão, foram os dois melhores.

A surpresa

Na fase principal do estadual, o Jacaré teria pela frente Remo, Paysandu e Águia de Marabá, os três melhores times do Pará na atualidade. E de forma surpreendente mais uma vez, o Paragominas não saiu do G4 nas sete rodadas do primeiro turno, terminando com 11 pontos (3v, 2e, 2d), na quarta posição, perdendo para Paysandu e Remo e empatando com o Águia, que acabou rebaixado.

Nas semifinais, a equipe do interior foi eliminada pelo Remo (2 a 2 e 2 a 0), ficando de fora da briga pela taça. No segundo turno, lá estava o Paragominas frequentando o G4, mas com resultado final ainda melhor: liderança com 15 pontos (5v, 0e, 2d), com triunfos sobre Remo e Águia de Marabá. Nas semifinais, o time superou a Tuna Luso e derrotou o Remo na final do segundo turno, em confronto que valia a possibilidade de jogar o Campeonato Brasileiro Série D 2013 e a Copa do Brasil 2014.

A diretoria prometeu pagar premiação pelo título do returno, mas porque não sonhar com a conquista do estadual? Entretanto, diante do Paysandu, a derrota de 4 a 0 no primeiro jogo pôs tudo a perder – houve novo triunfo do Papão na partida de volta, por 3 a 1. Mas não havia tempo para lamentação, pois tinha Série D na semana seguinte!

O Paragominas superou o Remo e garantiu seu primeiro torneio nacional

Imagem de Amostra do You Tube

A decepção

No Grupo A1 da Série D, o representante do Pará encarou Nacional (Amazonas), Plácido de Castro (Acre), Náutico (Roraima) e Genus (Rondônia), ou seja, dava para sonhar com uma vaga nas oitavas de final. O empate de 1 a 1 com os acreanos fora de casa foi bom, mas melhor ainda foi a vitória sobre o Genus (4 a 1), que deixou o Paragominas bem posicionado na chave.

Entretanto, os problemas extra-campo apareceram… O clube tinha salários atrasados em dois meses e os atletas se mostravam insatisfeitos, podendo até entrar em greve caso os prazos não fossem cumpridos. O diretor de futebol, Eduardo Lima, prometeu que os pagamentos seriam feitos em duas semanas, justificando o atraso pela parada da Copa das Confederações.

Com folha salarial de R$ 200 mil mensais, a intenção é que tudo estivesse resolvido antes do jogo contra o Náutico, em casa, no dia 14 de julho. Porém, no dia 5 os atletas resolveram fazer greve, prometendo nem entrar em campo até que os vencimentos estivessem em dia. Em situação difícil, a saída dos dirigentes foi vencer ingressos a R$ 15 para o Bailão do Jacaré, evento na Arena Verde, além de uma corrida, com bilhete a R$ 20. O técnico Cacaio previa dificuldades contra o Naútico.

A paralisação já chegava ao quarto dia, quando o diretor de futebol, Eduardo Lima, decidiu entregar o cargo, piorando ainda mais a situação do clube. Em 10 de julho, após seis dias de paralisação e quatro antes do jogo, diretoria e atletas se reuniram e a greve foi interrompida. Em seguida, a diretoria disponibilizou uma conta bancária para que interessados ajudassem a equipe doando qualquer quantia.

Dentro de campo, o Jacaré derrotou o Naútico por 1 a 0 e já era um dos favoritos a uma das vagas nas oitavas de final, mas isso não aliviou o clima no elenco. A diretoria prometera pagar parte dos atrasados no dia do jogo, sem sucesso. O grupo prometeu jogar contra o Nacional, em Manaus, mas se os atletas não vissem a cor do dinheiro até lá, nova greve seria realizada.

Contra um dos favoritos, já que o Nacional vinha bem na Copa do Brasil, o Paragominas venceu por 3 a 1 e a classificação estava muito perto, ficando na liderança, com dez pontos. Porém, nada de pagamento dos salários no novo dia combinado… Três dias antes do jogo de volta com o Náutico, o elenco entrou em greve pela segunda vez, mas pelo menos a ida para Roraima estava confirmada. E ocorreu a viagem de dez horas, com previsão de chegada às 3h da madrugada de domingo, dia da partida, com três meses de salários em débito. A derrota de 3 a 0 para o Naútico nem pareceu o pior…

Em 26 de julho, a CBF emitiu comunicado que iria averiguar a situação do atleta Antonio Alison Alves de Oliveira, o Lourinho, que tinha a suspeita de estar inelegível na partida de ida contra o Náutico, em 14 de julho – no BID da entidade, Lourinho foi inscrito em 18 de julho, quatro dias depois do jogo. Em caso de derrota, a equipe perderia seis pontos e a eliminação ficaria perto. Com dois treinamentos nos últimos 15 dias, Cacaio já afirmava que a greve estava atrapalhando o rendimento do time nas partidas.

Em 31 de julho, o elenco voltou aos treinos diante da promessa da diretoria de acertar a dívida no fim da semana, em reunião a portas fechadas. A intenção era assegurar classificação para a segunda fase, mas havia o julgamento de Lourinho pela frente… Tudo foi por água abaixo quando da punição confirmada ao clube, que perdeu seis pontos e ficou fora da briga, além de multa de R$ 500. O Jacaré  recorreu ao Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), última instância na esfera esportiva.

Diante das dificuldades, Cacaio cogitou deixar o clube, pois tinha propostas dos participantes da segundinha do Campeonato Paraense. Boa notícia foi o aumento do patrocínio do governo (R$ 30 mil por mês), que ajudava um pouco o Paragominas. Em campo, a equipe venceu o Nacional (2 a 1) e manteve chances de classificação. Entretanto, a eliminação – por causa da punição – veio com um empate sem gols diante do Genus, em Rondônia:

“Fizemos um bom trabalho. Para mim fomos um dos classificados, mesmo que a realidade não diga isso. Fico triste com a situação, pois lutamos muito dentro de campo e se não fosse a punição estaríamos classificados”, lamentou Cacaio, que elogiou bastante a diretoria paragominense. Em 19 de agosto, os advogados do clube tiveram o pedido indeferido e a situação da punição já era irreversível.

Assim, a principal estrela do time, o atacante Aleílson, dono de 18 gols na temporada, seria emprestada para outro clube, voltando ao Paragominas em 2014 – ele acabou indo para o Paysandu. Praticamente sem chances de reverter o julgamento, Cacaio sinalizou que deve renovar contrato e comandar o time em 2014, enquanto Jorge Formiga pediu desculpa aos torcedores pelo erro fora de campo, mas que seu sonho de jogar a Série C continua!

Informações

- O São Raimundo, campeão da Série D em 2010, vive dias difíceis, mas com um alento: o governo do estado vai reformar o estádio Colosso do Tapajós, obra orçada em R$ 19 milhões. Fora de campo, o clube nega que deve salários a treinadores e ex-atletas, que acionaram a justiça, e ainda terá de jogar a fase preliminar do Campeonato Paraense 2014.

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