Gana goleia Egito e só fica fora por desastre completo

O confronto mais esperado da fase final das Eliminatórias Africanas. Gana jogou as duas últimas Copas do Mundo e passou da fase de grupos, enquanto o Egito não disputa um Mundial desde 1990, mas foi tricampeão da Copa Africana de Nações na década de 2000.  O vice-presidente da federação ganesa, Fred Crentsil, encarou o confronto como deveria ser: “Este é o embate mais complicado de todos. É a final das finais. Temos de começar as preparações imediatamente. O Egito é formidável, estão jogando bem e precisamos tomar cuidado. Vamos jogar em casa o primeiro jogo e isso é uma vantagem para eles”.

Já o técnico estadunidense dos egípcios, Bob Bradley, sonhava alto: “Depois de conhecer o adversário, que é difícil e tem muitos atletas atuando na Europa, vamos treinar. Temos de mostrar que somos fortes, bem fisicamente e focados para as duas partidas. Vamos adorar conseguir a classificação em Cairo e esse é o nosso sonho”.

O Egito estava animado com a possibilidade de voltar à Copa do Mundo e a federação nacional tratou de organizar uma campanha a fim de arrecadar fundos junto aos empresários do país para levar 10 mil egípcios a Kumasi, local da partida. O elenco, quase todo atuante na paralisada liga nacional e do Al Ahly, começou a treinar em 26 de setembro/2013, com dois amistosos contra Uganda no período e uma paralisação, em que 11 atletas do Al Ahly deixaram os treinamentos para defender o time na Liga dos Campeões da África.

No lado ganês, um dos nomes mais importantes do time, o atacante Asamoah Gyan, do Al Ain (Emirados Árabes Unidos), deu a receita: “Não estou surpreso por enfrentar o Egito e não teremos problemas se estivermos focados e marcar os gols no primeiro jogo. Temos de classificar, não importa o custo. Tenho certeza de que venceremos, seja em Kumasi ou Cairo”.

O atacante André Ayew, do Olympique de Marselha, reitegrado ao elenco recentemente após pedir desculpas à federação por carta, demonstrava mais cuidado com as palavras: “O Egito mudou muito e tem novos jogadores, além dos mais experientes. Eles estão confiantes e querem ir ao Brasil 2014, mas somos Gana! Creio que temos um time melhor”.

Diante da importância do jogo, o técnico Kwasi Appiah chamou atletas experientes, como o goleiro Richard Kingson, do Doxa Katokopia (Chipre), que não era convocado há 18  meses, e o meia Sulley Ali Muntari, do Milan. A equipe começou a treinar junta em 8 de outubro, uma semana antes do confronto, animada com a notícia de aumento do bônus por vitória em 50% (para 15 mil dólares por atleta).

Até o presidente do país, John Dramani Mahama, falou palavras de incentivo: “Não importa o que façamos, vamos apoiar vocês pela vitória. Faremos nossa parte, mas não podemos entrar todos em campo, apenas aqueles que vão representar nosso país. Toda Gana está torcendo por vocês”.

O jogo

A partida parecia ser disputada, mas a defesa do Egito começou tão mal que Gana não teve dificuldades para marcar. Logo aos cinco minutos, Asamoah Gyan recebeu passe na frente, invadiu a área pela direita e tocou na saída do goleiro Sherif Ekramy, do Al Ahly! 1 a 0 Gana! O time da casa pressionava, enquanto os visitantes sequer conseguiam manter a bola no campo ofensivo.

Aos 21 minutos, os Estrelas Negras ampliaram: a atabalhoada defesa egípcia deu muito espaço e o volante Michael Essien, do Chelsea, percebeu um buraco e foi lançado. Ele poderia finalizar, mas preferiu deixar no chão o zagueiro Mohamed Naguib, do Al Ahly, e o meia Mohamed El Nenny, do Basel (Suiça), com lindos dribles. Essien tentou tocar para trás, mas o zagueiro Wael Gomaa, do Al Ahly, não permitiu! Azar dele, que mandou para as próprias redes! 2 a 0 Gana!

Tudo parecia perdido para o Egito, mas eis que os visitantes foram agraciados aos 41 minutos. O atacante Mohamed Salah, do Basel, grande craque do time, invadiu a grande área e estava meio apertado pela marcação do zagueiro Rashid Sumaila, do Mamelodi Sundowns (África do Sul). Sorte do egípcio que o ganês o empurrou, no que o árbitro marroquino Bouchaib El Ahrach sinalizou pênalti! Com tranquilidade, o meia Mohamed Aboutrika, do Al Ahly, converteu com facilidade e colocou o Egito no jogo. Egito 1, Gana 2!

Quando os visitantes só queriam ir aos vestiários para organizar o time, Gana teve cobrança de falta. Pela esquerda, a bola foi levantada no meio da área, na cabeça do atacante Majeed Waris, do Spartak Moscou (Rússia), que ganhou do zagueiro Ahmed Al Muhamadi, do Hull City (Inglaterra), mandando para as redes! 3 a 1 Gana! Começou o segundo tempo e os egípcios perceberam que não era o dia deles…

Aos oito minutos, o lateral Jerry Akaminko, do Eskisehirspor (Turquia), fez boa jogada pela direita e cruzou. A bola chegou para Muntari, que tentou de voleio… Ele errou, mas o lance deu certo, pois a bola foi na cabeça de Gyan, que não perdoou! 4 a 1 Gana! Aos 25, Waris recebeu lançamento, deixou o meia Hossan Ghaly, do Lierse (Bélgica), para trás e já ia driblando Ekramy, que o derrubou dentro da área!

Pênalti para Gana, que Suley Muntari cobrou com extrema tranquilidade, bola num canto, goleiro no outro! 5 a 1 Gana, que praticamente carimbava seu passaporte para a Copa do Mundo 2014! Mas, para não deixar dúvidas a ninguém, os donos da casa ainda conseguiram o sexto: o Egito deu liberdade para o meia Christian Atsu, do Vitesse (Holanda), e ele arriscou chute da entrada da área, acertando o canto direito de Ekramy! 6 a 1 Gana, PLACAR FINAL!

Imagem de Amostra do You Tube

Depois do apito

O embate difícil e disputado não ocorreu em Kumasi, não por uma grande partida de Gana, que na verdade não se esforçou muito para vencer o desorganizado Egito. Após a acachapante goleada, Bob Bradley sabe que ficou difícil cumprir a missão, mas ainda acredita: “A Copa do Mundo significa tanto para todos os países, mas ainda mais para os egípcios. O sonho de disputar o Mundial depois de 24 anos manteve o time unido nesses dois anos de dificuldades, mas agora o vemos bem longe. Gana pode ficar orgulhosa de seu desempenho”.

Para piorar a situação do Egito, a FIFA ainda não bateu o martelo sobre o local da partida de volta. Por enquanto será no Cairo, mas a federação ganesa já enviou comunicado à entidade máxima do futebol reiterando o receio de que não haja segurança suficiente para o jogo ocorrer na capital do Egito. A seleção de Serra Leoa, que jogaria um amistoso contra os egípcios, informou que não iria ao país por falta de segurança. A partida pode ser disputada com portões fechados ou em campo neutro, de qualquer maneira prejudicial ao Egito.

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