Nigéria vira jogo fora de casa e está perto do Mundial

Apesar de o sorteio da fase final das Eliminatórias Africanas ter sido ruim para a Etiópia, o técnico local Sewnet Bishaw estava confiante: “Pegaremos a Nigéria novamente, como aconteceu na Copa Africana de Nações 2013. Naquela época, estávamos felizes por voltar a um torneio importante e éramos inexperientes, mas agora é diferente. As muitas partidas que jogamos nos permitem encarar o adversário”.

Pela primeira vez tão perto da inédita Copa do Mundo, a boa campanha etíope chamou a atenção do atacante Amin Askar, 28 anos, que nasceu na Etiópia, mas se mudou ainda pequeno para a Noruega, onde fez carreira – hoje defende o Brann: “Meu sonho é representar minha terra natal internacionalmente. Eu já atuei nas seleções de base da Noruega, mas não na principal. Tenho sido paciente, torcendo para Sewnet Bishaw me convocar”.

Com 32 partidas pela seleção, o zagueiro Agebaw Butako, do Saint George (Etiópia), estava animado para o confronto: “Nossos pensamentos estão na Nigéria e queremos a Copa do Mundo. Estou feliz com os treinamentos tático e técnico e estamos trabalhando duro para tornar realidade nosso sonho. Cada atleta terá de dar 100% nos dois jogos”.

Na Nigéria, a especulação sobre o fingimento de lesão do meia Obi Mikel, do Chelsea, foi devidamente encerrada. Disse Stephen Keshi, técnico local das Super Águias: “No início do jogo contra Malaui, que Mikel pediu para participar, mesmo sem estar 100%, ele sentiu a lesão, mas quis continuar em campo. Após o jogo, decidimos que era melhor para ele tratar a lesão e estar pronto para os jogos contra a Etiópia, e por isso ele não atuou no amistoso contra Burquina Fasso”.

Na mesma toada, o goleiro Vincent Enyeama, do Lille (França), negou que tivesse acusado Mikel de fingir contusão: “Não falei nada disso a nenhum repórter, parece que querem manchar minha reputação junto ao time, que levei anos para construir”, defendeu-se.

Enquanto os atletas pareciam felizes com o sorteio, Keshi tratou de ser politicamente correto: “A última vez que enfrentamos os etíopes foi muito difícil e os confrontos de agora também serão. Precisamos estar focados, concentrados e rezar para que nossos melhores jogadores estejam em forma. Tenho muito respeito pela Etiópia”, disse.

Os treinamentos dos nigerianos começaram em 6 de outubro/2013, uma semana antes da partida de ida, em Addis Abeba, capital da Etiópia. Fora dos gramados, a boa notícia do apoio financeiro dado pelo presidente do país, Goodluck Jonathan, para que 200 torcedores fossem levados à Etiópia. Um dia antes do jogo, a delegação nigeriana desembarcou em Addis Abeba, trazendo incríveis 263 pessoas, entre atletas (23), quatro técnicos, membros de várias entidades futebolísticas nacionais e da federação, um luxo!

Para Keshi, a boa notícia em particular foi a vitória no julgamento de racismo contra o técnico de Malaui, o belga Tom Saintfelt, que marcou o pré-jogo entre as duas seleções, em setembro. Mas a FIFA lembrou que se o nigeriano foi reincidente no caso, será punido severamente.

O jogo

Já no estádio, ocorreram os primeiros problemas entre torcedores. O chefe da delegação que trouxe as 200 nigerianos, Dr Rafiu Ladipo, afirmou que comunicará a FIFA dos problemas enfrentados pelos torcedores, que foram impedidos de entrar no estádio com instrumentos musicais por algum tempo.

Num jogo bastante disputado, a Etiópia começou muito melhor e ficou literalmente perto de ver a bola nas redes nigerianas, mas o árbitro camaronês Neant Alioum não entendeu que a pelota ultrapassou a linha do gol, revoltando os etíopes! No segundo tempo, o ataque da Etiópia se viu mais uma vez em polêmica…

Aos 12 minutos do segundo tempo, o jovem meia Behailu Gobeze, do Saint George, recebeu passe na esquerda e teve espaço para caminhar com a bola. Ele decidiu tentar o cruzamento para a grande área, mas não pegou muito bem… Entretanto, Gobeze levou sorte, pois a pelota tomou a direção do gol! Enyeama chegou a defender, mas como estava dentro do gol, o árbitro dessa vez concedeu! 1 a 0 Etiópia, numa reclamação – sem razão – estrondosa dos nigerianos!

A Nigéria, que havia terminado o primeiro tempo jogando melhor, se acalmou em campo e demorou apenas dez minutos para empatar. Aos 22, o atacante Emmanuel Emenike, do Fenerbahçe (Turquia), recebeu passe de costas, na esquerda. Ele conseguiu se desvencilhar da marcação adversária e trouxe a bola para o meio, procurando espaço para finalizar. Quando o encontrou, chutou forte no canto esquerdo do goleiro Jemal Tassew, do Ethioppian Coffee (Etiópia), que tocou levemente na pelota, mas não evitou o gol! Etiópia 1, Nigéria também 1!

A igualdade já era ruim para a Etiópia, pois o gol fora de casa anotado pelos nigerianos lhes dava a vantagem do empate sem gols, em casa. E a situação piorou aos 45 minutos do segundo tempo, quando Emenike foi puxado dentro da área pelo zagueiro Aynalem Hailu, do Dashen Beer (Etiópia), que não foi expulso! O próprio Emenike converteu penalidade máxima facilmente, colocando no canto esquerdo de Tassew, que nem se mexeu! Nigéria 2 a 1, PLACAR FINAL!

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Depois do apito

O ministro dos Esportes da Nigéria, Mallam Bolaji Abdullahi, tratou de elogiar Goodluck Jonathan: “Nosso presidente [visitou os atletas antes do jogo, num dos treinamentos, para dar apoio] é o pai dos esportes na Nigéria. Não me lembro de outro presidente que demonstrou tanto entusiasmo e apoio aos esportes nacionais em geral. Não é surpresa nenhuma que tenhamos conquistado tantas vitórias nos últimos dois anos”.

O técnico etíope, Sewnet Bishaw, estava chateado com a arbitragem: “Perdemos a partida porque os árbitros foram ridículos. Marcamos um gol e ele não validou e ainda fez outras coisas muito questionáveis”, reclamou. Sobre a partida, Bishaw fez mea-culpa: “Quando abrimos o placar, achamos que seria fácil, mas levamos o empate e nos perdemos. Minhas substituições não deram certo. Sei que não há diferenças entre Etiópia e Nigéria e vamos continuar lutando para ir à Copa do Mundo”, encerrou.

Com a vitória de 2 a 1, a Nigéria fica muito perto da vaga na Copa do Mundo 2014. Em 16 de novembro/2013, as equipes se enfrentam em Calabar e a Etiópia precisa vencer por dois gols de diferença, o que parece muito difícil.

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