A aposta mexicana nos pratas da casa deu certo

O México vivia crise técnica em sua seleção, tendo custado muito para alcançar a repescagem das Eliminatórias Concacaf – só conseguiu por causa da incompetência do Panamá. Favorito para dois jogos contra a Nova Zelândia, a federação nacional estava completamente perdida, trocando de técnico a todo momento.

José Manuel de la Torre tinha o cargo de 2011, mas o perdeu em 7 de setembro/2013. Interinamente, Luis Fernando Tena assumiu a seleção, mas perdeu por 2 a 0 para os Estados Unidos e também a função, quatro dias depois do anúncio de sua chegada. O nome da vez, o terceiro em menos de uma semana, passou a ser Victor Manuel Vucetich, ex-técnico do Monterrey.

Após dois jogos, com uma vitória e uma derrota, ele foi demitido, em 17 de outubro, dando lugar ao quarto profissional em seis semanas, Miguel Herrera. O presidente da federação, Justino Compean, estava transtornado: “Estamos em crise. Chateados com os torcedores, com os dirigentes de clubes, com os patrocinadores”.

Sob o comando do novo treinador, o México venceu a Finlândia (4 a 2) em amistoso, mas a decisão mais importante ocorreu na convocação. Num movimento de risco, Herrera optou por não convocar as estrelas da Europa e só chamou atletas que atuam no futeol mexicano: “A intensidade com a qual estes jogadores estão atuando na Europa os cansam. Tentei falar com todos eles e explicar minha razões, mas este grupo [de atletas locais] é extraordinário. A primeira coisa que precisamos fazer é não pensar no passado, pois não podemos resolvê-lo. Vamos vencer no México e queremos triunfar também na Nova Zelândia”.

No lado neozelandês, alguns desfalques atrapalharam a vida de Hick Herbert. Além da aposentadoria do goleiro Mark Paston, 36 anos, em agosto/2013, outros atletas ficaram de fora da ONS Cup,  torneio que serviu de preparação para os jogos da repescagem. Shane Smeltz, Chris Wood e Marco Rojas estavam contundidos, mas se recuperaram a tempo de serem convocados – Chris Killen, do Chongqing (China), e  Tim Payne, do Blackburn Rovers (Inglaterra), não estavam aptos fisicamente e foram preteridos.

A importante ausência do zagueiro Winston Reid, do West Ham, uma semana antes do confronto, fez Herbert lamentar: “Perder o capitão antes de um jogo desse tamanho é difícil, mas o futebol é assim. É a oportunidade de outros atletas entrarem e corresponderem”. A responsabilidade caiu sobre os ombros do zagueiro Ivan Vicelich, 37 anos:

“Temos de jogar focados em nossa estratétia tática. Não podemos achar que eles vão deixar de jogar da maneira que sabem e contar com a sorte. Precisamos ficar firmes e lutar, não podemos pensar neles, mas em nós”, disse o mais experiente atleta, com 88 convocações.

Além de encarar um adversário pressionado, a Nova Zelândia enfrentaria as condições da altitude da Cidade do México, e por isso chegou ao local da partida um dia antes, para que os atletas não sofressem tanto com a mudança. Não resolveu muito…

A goleada

A agonia dos torcedores que lotaram o estádio Azteca durou até os 32 minutos da primeira etapa, quando o goleiro neozelandês Glen Moss falhou na disputa pelo alto e deixou a bola limpa para o lateral Paul Aguilar, do América, que não perdoou! 1 a 0 México! Dominando a partida desde então, os mexicanos fizeram 2 a 0, em cobrança de escanteio…

A cabeçada de um atleta dos donos da casa na primeira trave matou a defesa da Nova Zelândia, que só pôde observar o atacante Raúl Jímenez, também do América, usar a cabeça e mandar para as redes! 2 a 0 México! Começou  o segundo tempo e a Nova Zelândia nem conseguiu respirar…

Com muita liberdade, o México chegou pela esquerda e o cruzamento encontrou o experiente atacante Oribe Peralta, do Santos Laguna, que se esticou para balançar mais uma vez as redes dos visitantes! 3 a 0 México! Após a extrema facilidade, o jogo caiu de produção, já que o confronto estava praticamente definido. Mas o México elevou o ritmo nos minutos finais e ainda aumentou a vantagem.

Aos 35 minutos, mais um cruzamento na área e nova intervenção de Peralta, desta vez com a cabeça, totalmente livre dentro da área! 4 a 0 México! Os latino americanos-ainda tiveram tempo de cruzar outra bola na área em cobrança de escanteio, e lá estava o veterano zagueiro Rafael Márquez, 34 anos, ex-Barcelona, que joga no León. Ele só subiu e meteu a cabeça na bola, tudo com muita facilidade! 5 a 0 México!

A Nova Zelândia até descontou, um minuto depois, num bonito meio-voleio do meia Chris James, do KuPS (Finlândia), mas é certo que só um desastre completo tira a vaga mexicana! Os neozelandeses sentiram a falta de jogos, apenas seis em 2013, incluindo confrontos diante das fracas seleções da Oceania… Já o México acertou ao dar prioridade aos atletas nacionais, que estão vivendo o dia a dia e sabem da pressão que vem da torcida. Mas é verdade que encarar a Nova Zelândia não pode ser parâmetro para repetir a estratégia no futuro.

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Depois do apito

Chris James demonstrou insatisfação tremenda com a goleada: “Já sabemos que eles não estão interessados em jogar em Wellington [capital da Nova Zelândia]. Tínhamos um plano com o técnico e tudo estava indo bem nos primeiros 30 minutos. Mas quando fizeram o primeiro, os mexicanos se animaram e marcaram mais, o que nos abateu”.

Marco Rojas, do Stuttgart, promessa neozelandesa que ainda não jogou pelo clube em 2013-14, ainda há esperança: “Se tomarmos como base o que fizemos nos 30 minutos iniciais, quando criamos oportunidades e levamos perigo, podemos pressioná-los em casa. Seguimos com chances, mas será muito difícil. Precisamos acreditar, apesar de não estarmos contentes no momento”, disse o jovem de 22 anos.

Miguel Herrera estava mais do que satisfeito com o time: “Estou satisfeito pelo jogo, no qual tivemos muitas oportunidades de gol, atuamos bem. Precisamos ser sempre agressivos e dinâmicos. A viagem até Wellington será longa e dura, por isso ainda não sei quem começa jogando a volta. Gostaria de entrar com a mesma equipe”. Passaporte do México carimbado!

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