Jogos Inesquecíveis na Copa do Mundo [Alemanha x Argélia]

O estádio Beira-Rio será palco de um confronto histórico, às 17h de hoje. Além de se classificar pela primeira vez para as oitavas de final, a Argélia defende um tabu contra a toda poderosa e favorita ao título, Alemanha. Sim, você não leu errado. Até hoje foram dois duelos entre africanos e europeus e são duas vitórias para os argelinos, sendo uma delas em Copas.

O primeiro encontro ocorreu em 1964. Os argelinos, jogando na capital Argel, deram um belo cartão de visitas e venceram por 2 a 0. Já a segunda partida entre as seleções foi mais impactante para o cenário do futebol.

O Mundial de 1982, disputado na Espanha, não foi trágico somente para os brasileiros, devido à derrota para a Itália. Alemanha Ocidental e Argélia se enfrentaram na estreia do Grupo 2, em Gijón. Aproximadamente 42 mil pessoas foram ao estádio ver o time que contava com as estrelas Paul Breitner, Pierre Littbarski e Karl Heinz Rummenigge. Nomes que marcaram época no futebol mundial – o mesmo deve acontecer logo mais em Porto Alegre.

A expectativa do torcedor gaúcho é ver em campo jogadores que representam uma geração de ouro alemã, como Philip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Mesut Özil. Voltando a Gijón, aquelas 42 mil pessoas foram surpreendidas com uma partida argelina de encher os olhos. Se o primeiro tempo acabou sem gols, frustrando os torcedores, a segunda etapa guardava emoções. Logo aos nove, Rabah Madjer, o maior jogador argelino da história mostrou porque carregava este título.

Em um contra ataque bem armado, a bola foi enfiada para Lakhdar Belloumi. O atacante saiu cara a cara com Harald Schumacher e chutou forte. O goleiro fez a defesa e no rebote, Madjer, a Raposa de Ouro, aproveitou para colocar os africanos na frente.

Aos 21 minutos, não teve jeito. Matador que é matador só precisa de uma bola para balançar as redes. E foi o que aconteceu… A Alemanha arquitetava o seu ataque quando a bola chegou em Felix Magath. O atual treinador do Fulham (Inglaterra) cruzou forte e rasteiro. A bola encontrou o pé de Rummenigge e deu esperança aos alemães. Por pouquíssimo tempo.

Na saída de bola, a Argélia fez oito trocas de passes até a bola chegar à linha de fundo, nos pés de Salah Assad, que cruzou para o meio da área. Com velocidade, Lakhdar Belloumi escorou e se redimiu do gol perdido anteriormente. Um banho de água fria para espantar qualquer reação alemã, que não aconteceria. O que veio foi o apito final, confirmando a vitória argelina.

A Argélia ainda derrotou o Chile e perdeu para a Áustria, o que custou a sua eliminação. O fim do sonho veio no jogo conhecido como Vergonha de Gijón. Alemanha e Áustria se enfrentaram e bastava uma vitória simples alemã para ambas passarem de fase. O 1 a 0 da Alemanha causou a revolta em argelinos e até mesmo em seus torcedores, que não aceitaram o popularmente chamado ‘’jogo de compadres’’.

Mas o que Madjer e companhia fizeram em Gijón servirá de motivação para Slimani, Feghouli e os outros jogadores tentarem repetir logo mais no Beira-Rio. Será que a Argélia tem forças para ir além nesta campanha que já é histórica, pois pela primeira vez os africanos avançaram da fase grupos?

Alemanha | Argélia

Imagem de Amostra do You Tube

Os confrontos

Retrospecto geral: 2 vitórias da Argélia

Em Mundiais: 1 vitória da Argélia

Os times [1982]

Alemanha: Harald Schumacher, Manfred Kaltz, Karl Heinz Forster, Uli Stielike e Hans Briegel; Wolfgang Dremmler, Paul Breitner, Felix Magath e Pierre Littbarski; Horst Hrubesch e Karl Heinz Rummenigge [Técnico] Jupp Derwall

Argélia: Mehdi Cerbah, Chaabane Merzekane, Nourredine Kourichi, Mahmoud Geundouz e Mustapha Dhaleb; Fawzi Mansouri, Ali Fergani, Lakhdar Bergoumi e Rabah Madjer; Salah Assad e Djamel Zidane. [Técnico] Yevgeni Rogov

Curiosidades

- Sim, eles têm parentesco. Eu sei que quando você, Apaixonado por Futebol Alternativo, leu o último nome na escalação argelina se fez essa pergunta. Djamel Zidane é tio da lenda francesa Zinedine Zidane. O ex-jogador argelino disputou duas Copas (1982 e 1986), tendo feito o único gol de seu país no Mundial do México.

- Logicamente, a Argélia é bastante ligada à França, ex-metrópole dos africanos, ente outros países de idioma francês, como a Bélgica. No Mundial 1982, todos os atletas que atuavam fora do país defendiam times da França (seis) e da Bélgica (um). A maioria ainda jogava no obscuro Campeonato Argelino, exatos 15 jogadores. Em 2014, são apenas três argelinos no futebol francês, nenhum nos grandes times do país. Apenas dois atuam na Argélia e a maioria joga na Itália e na Espanha, uma prova da globalização do futebol.

- O atual técnico da Argélia, o bósnio Vahid Halilhodzic, disputou a Copa de 1982 pela antiga Iugoslávia.

- Na Alemanha de 1982, apenas um jogador do elenco (Uli Stielke) atuava no exterior, com a camisa do Real Madrid. O restante do time jogava no Campeonato Alemão. 32 anos mais tarde, a maioria dos alemães convocados para o Mundial 2014 ainda defende times nacionais, mas o número de “estrangeiros” aumentou para sete.

- Nos idos de 1982, o Hamburgo foi quem mais cedeu jogadores à seleção nacional, com quatro nomes, ao lado do modesto Colônia, que voltou à elite local em 2013/14. O Bayern Munique tinha apenas três chamados, o que mudou na atualidade. Hoje são sete atletas do time de Munique, contra nenhum de Colônia e Hamburgo.

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