Jogos Inesquecíveis na Copa do Mundo [Alemanha x França]

As quartas de final começam daqui a pouco no Maracanã, às 13h, com o duelo mais aguardado e equilibrado nesta fase da Copa do Mundo 2014. Alemanha e França se enfrentam pela quarta vez em Copas do Mundo e o retrospecto favorece a equipe de Joachim Löw, que conta com três vitórias (1958, 1982 e 1986).

Na fase de grupos, a Alemanha não teve vida fácil. Está certo que o sonoro 4 a 0 sobre Portugal deu ânimo à equipe, mas parte do placar elástico foi devido ao burocrático time português, dependente exclusivo de seu craque, Cristiano Ronaldo, que não esteve bem, e da infantilidade de Pepe, expulso ainda no primeiro tempo.

Na segunda rodada, os comandados de Löw tiveram que recorrer à ajuda do sempre matador Miroslav Klose, que empatou a partida contra Gana e se juntou a Ronaldo como os maiores artilheiros de Mundiais, com 15 gols. Já no último jogo da fase de grupos, a Alemanha teve os Estados Unidos de Jürgen Klinsmann, ex-atacante e ídolo alemão. O 1 a 0 mostrou a dificuldade que os candidatos ao título diante da bem organizada equipe estadunidense.

Por outro lado, os franceses passearam no Grupo E. Os 3 a 0 sobre Honduras e a goleada por 5 a 2 diante da Suíça trouxeram o otimismo de volta aos Les Bleus. Nem mesmo o empate sem gols contra o Equador estragou a festa francesa.

Nas oitavas de final, ambas as equipes enfrentaram bons adversários africanos e por pouco não deram adeus ao torneio. Com 2 a 1 na prorrogação, a Alemanha venceu o guerreiro time da Argélia. E contando com duas falhas defensivas nos minutos finais, a França bateu a Nigéria por 2 a 0.

Mas, nos inesquecíveis encontros passados entre Alemanha e França, o duelo mais emocionante ocorreu em solo espanhol, em 1982. A cidade de Sevilha protagonizou um confronto cheio de nuances que levaram o torcedor ao êxtase, isso tudo, claro, com muitos gols. E ainda valendo vaga na grande final.

O estádio Ramon Sanchez Pizjuán testemunhou, logo aos 18 minutos, Pierre Littbarski abrir o placar para a Alemanha. A festa não durou nem dez minutos. Aos 27, Michel Platini, atual presidente da UEFA, deixou tudo em igualdade. Placar que persistiu sem alteração até o fim do tempo regulamentar. E veio a prorrogação, algo bastante comum no Mundial 2014. E que prorrogação!

Alemães e franceses não queriam deixar a decisão para as penalidades e se jogaram ao ataque. Aos três minutos do primeiro tempo extra, Marius Tresor deu vantagem aos Les Bleus. Sete minutos mais tarde, Alan Giresse fez 3 a 1 e deixou o torcedor alemão apreensivo. Karl Heiz Rummenigge, esperança de gols alemã e que havia entrado no decorrer do jogo, descontou aos 14 e deu sobrevida a sua equipe. No segundo tempo, Klaus Fischer, novamente empatou e… A semifinal foi mesmo decidida nos pênaltis.

Giresse, Amoros e Rocheteau marcaram para os franceses. Kaltz e Breitner também, mas Stielike parou no goleiro Ettori. A França desperdiçou sua quarta cobrança. Six chutou e Schumacher fez a defesa. Na sequência, Littbarski deixou tudo igual. Os craques Platini e Rummenigge converteram. Nos alternados, Bossis bateu e lá estava Schumacher, de novo, para evitar o gol francês. Coube a Hrubesch garantir o passaporte alemão para a final. Gol, vaga assegurada e mais um jogo inesquecível para a história da Copa do Mundo. Certamente este Alemanha versus França de 2014 terá os mesmos ingredientes emocionantes…

Imagem de Amostra do You Tube

Alemanha | França

Os confrontos

Retrospecto geral: 9 vitórias da Alemanha, 5 empates e 11 vitórias da França

Em Mundiais: 3 vitórias da Alemanha

Os times [1982]

Alemanha: Harald Schumacher, Bernd Forster, Ulrich Stielike e Karl Heinz Forster; Manfred Kaltz, Paul Breitner, Wolfgang Dremmler, Felix Magath e Peter Briegel; Pierre Littbarski e Klaus Fischer [Técnico] Jupp Derwall

França: Jean Luc Ettori, Maxime Bossis, Marius Tresor, Gerard Janvion e Manuel Amoros; Bernard Genghini, Jean Tigana, Alain Giresse e Michel Platini; Didier Six e Dominique Rocheteau [Técnico] Michel Hidalgo

Curiosidades

- Na equipe francesa de 1982, apenas um jogador não atuava na França. Didier Six jogava no Stuttgart (Alemanha) e era companheiro de equipe da dupla de zagueiros Karlheinz e Bernd Förster e do meia Hansi Müller, que não atuou naquela partida. No elenco atual do técnico Didier Deschpams, nenhum atleta defende uma equipe alemã.

- A partida entre Alemanha e França foi a primeira na história das Copas a ser decidida nos pênaltis.

- O Bordeaux não era o grande time francês naquela época, mas mesmo assim teve seis convocados na seleção, ao lado do St. Étienne, campeão duas temporadas antes (1980/81) e vice-campeão na seguinte. Em 2014, o St. Étienne teve apenas um jogador chamado, enquanto o Bordeaux não cedeu ninguém para os Les Bleus.

- O lateral-direito francês Manuel Amoros tem 52 anos e encerrou a carreira de atleta em 1996, no Olympique de Marselha. Entre 2010/12, ele treinou a seleção de Ilhas Comores, na África, e também trabalhou em Benin nos dois anos seguintes. Mais famosos que ele na nova função estão Alain Giresse, técnico de Senegal (treinou Geórgia, Mali e Gabão), e René Girard, que fez grande campanha com o Lille em 2013/14. E ele ainda levou o prêmio de melhor jogador jovem do Mundial 1982, quando tinha 20 anos.

- A França de 1982 tem alguns jogadores nascidos no exterior: Gérard Janvion (Martinica), Christian Lopes (Argélia), Marius Trésor (Guadalupe), Jean-François Larios (Argélia), Jean Tigana (Sudão) e Gérard Soler (Marrocos). A lista de estrangeiros na atual seleção francesa é bem menor: apenas Patrice Evra (Senegal) não nasceu na França.

- A história de Rio Mavuba é bastante interessante. O meia de 30 anos, do Lille, não tem um local de nascimento definido. Ele é filho de um ex-jogador que atuou na Copa do Mundo 1974 por Zaire (hoje República Democrática do Congo) e nasceu num barco perto da costa de Angola. Sua mãe era angolana e fugia da guerra civil local, conseguindo asilo como refugiado na França. No passaporte de Mavuba consta “nascido no mar”.

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