Cezar Augusto é goleador em Mianmar, mas deve deixar o país em 2016

É provável que você, Apaixonado por Futebol Alternativo, não conheça o atacante brasileiro Cezar Augusto Hermenegildo. Aos 29 anos, pode-se afirmar que o atleta vive seu melhor momento na carreira, justamente numa fase em que é muito importante conseguir um contrato melhor e aproveitar os últimos anos de futebol profissional para garantir uma vida melhor aos familiares.

Natural de Monte Azul Paulista, no interior de São Paulo, Cezar Augusto está desde 2012 no longínquo Mianmar (três anos e meio), mais precisamente na cidade de Yangon, que já foi capital do país e tem 5 milhões de habitantes, no sul do território – a distância da terra natal para a atual morada do brasileiro é de mais de 16 mil km (em linha reta!).

Desde que chegou à nação do sudeste da Ásia, Cezar Augusto se destacou: foram 18 gols em 17 jogos na primeira temporada, pois ele desembarcou no Yangon United na segunda metade da liga nacional. Desde o começo da competição em 2013, Cezar Augusto mostrou sua habilidade ao anotar 26 gols em 30 partidas, aumentou ainda mais a incrível média em 2014 (33 gols em 30 jogos) e findou o Campeonato Birmanês 2015 com 28 gols em 23 jogos, sendo o artilheiro da liga nas três últimas temporadas.

No total, são 105 gols em 100 jogos, três títulos da liga local com o Yangon United (2012, 2013 e 2015) e um vice-campeonato em 2014. Por todas essas conquistas, Cezar Augusto é ídolo no país: “Sim, sou muito reconhecido, os torcedores têm um carinho muito grande por mim”, disse o jogador brasileiro em entrevista exclusiva ao Plano Tático.

Adaptado a Mianmar, Cezar Augusto teve duas propostas para voltar a jogar no Brasil desde então: “Optei em continuar atuando fora pela segurança, pois hoje no Brasil está meio difícil de jogar, tenho alguns amigos que sempre reclamam de salários atrasados, entre outras coisas”, esclarece Cezar Augusto, que tem moradia, motorista particular, entre outras coisas, fornecidos pelo Yangon United: “Minha vida aqui é de muito conforto, eu e minha família vivemos muito bem”.

Outra facilidade para Cezar Augusto é a comunicação: “Ela é toda em inglês, pois o Yangon United tem um tradutor de birmanês para inglês e os técnicos são sempre estrangeiros, o que facilita muito para quem não é de Mianmar”, explica o jogador ao Plano Tático.

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Hora da despedida?

O Yangon United terá seu maior desafio internacional em 2016. Depois de jogar três vezes a AFC Cup, espécie de segunda divisão dos torneios asiáticos, e cair nas oitavas de final nas duas últimas (2013 e 2014), o Yangon United irá participar pela primeira vez da Liga dos Campeões da Ásia, o segundo time do país a alcançar tal feito sob o atual regulamento.

Só que será na fase preliminar 1, com adversário indefinido (em 2015, o Yadanarbon perdeu nos pênaltis para o Warriors/Cingapura), a primeira de três etapas até a sonhada vaga na fase de grupos do torneio asiático. Para fazer história, o Yangon United precisará de força máxima, mas pode ser que Cezar Augusto não esteja presente:

“Muito se fala na disputa da Liga dos Campeões da Ásia, a expectativa do clube é boa, vai ser uma ótima oportunidade para Mianmar ficar mais conhecido no cenário internacional. Porém, não sei se irei participar da equipe em 2016, pois tenho algumas propostas e vou estudar com carinho o que vai ser melhor para a carreira e o futuro”, afirma o brasileiro ao Plano Tático.

Cezar Augusto acrescenta: “A Tailândia está um pouco à frente de Mianmar em quase tudo (estrutura, organização etc.) e recebi duas ofertas de times tailandeses. Mas também tenho propostas de equipes de diferentes países”. Como é bem provável que ele vá deixar Mianmar em 2016, Cezar Augusto não terá chance de defender a seleção local:

“Nunca pensei em jogar pela seleção de Mianmar, mas já tive algumas sondagens. Para obter o passaporte birmanês, você precisa permanecer cinco anos no país, sem sair”, o que impossibilita qualquer chance de reforço para os birmaneses, que somam quatro pontos em cinco jogos no Grupo G das Eliminatórias Asiáticas para a Copa 2018, melhor apenas que Laos.

De Monte Azul Paulista para Yangon

Cezar Augusto começou a carreira na base do Botafogo de Ribeirão Preto, quando se arriscou numa peneira e foi aprovado. Depois de oito meses no clube, o jogador foi disputar a Copa São Paulo 2006, se destacou (o time foi até a segunda fase) e chamou a atenção: “Fui contratado pelo Atlético Mineiro pelo diretor da base Ricardo Drubiscky [treinou o Fluminense e está no Osasco Audax], que gostou do meu futebol”.

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Porém, a passagem de Cezar Augusto no clube mineiro não foi como ele esperava. O Atlético Mineiro estava na Série B 2006, mas o atleta só jogou uma partida: “Acho que não tive muitas oportunidades porque o time estava muito bem montado e com vários atacantes bons, como Danilinho [está no Querétaro/México], Roni [ex-Fluminense, jogou bem no Vila Nova/Goiás e se aposentou na Anapolina em 2012], Marinho [só jogou bem no Atlético Mineiro e parou no Democrata de Sete Lagoas em 2014], Éder Luis [está no Vasco da Gama] e Galvão [revelado no União São João, parou no Duque de Caxias em 2011]”.

A primeira grande fase da carreira

Sem espaço no Atlético Mineiro, Cezar Augusto foi emprestado a CRB e Santa Cruz, mas também não se firmou. Sua última oportunidade sob contrato com o time mineiro foi no Red Bull Brasil, que em 2008 era apenas um time da quarta divisão de São Paulo e naquele ano ficou a um ponto de subir, mesmo com os 15 gols de Cezar Augusto.

Na temporada seguinte, o jogador um gol a menos, mas ajudou o Red Bull Brasil a ser campeão do torneio e dar início à arrancada rumo à elite paulista. Por isso, Cezar Augusto é ídolo no clube de Campinas: Foram dois anos maravilhosos, fui artilheiro em ambas as temporadas, que foram muito importantes na minha carreira. A boa passagem abriu algumas outras portas no futebol e tenho um carinho muito grande pelo Red Bull Brasil”, explica ao Plano Tático

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O futebol em Mianmar

Depois de perambular por alguns times do Sudeste, Cezar Augusto foi jogar no Bacabal (Maranhão), time que estava na primeira divisão estadual e brigou pelas semifinais do primeiro turno até o fim – hoje o time está desativado. O brasileiro se destacou com nove gols em oito jogos e chamou a atenção do exterior:

“Um empresário de São Paulo, que eu não conhecia, me ligou convidando para jogar em Mianmar. Fiquei surpreso, pois não conhecia o país, mas aceitei o desafio e fui bem recebido pelo clube e pelos birmaneses em geral. Em 2012 fui sem a esposa, mas em 2013 ela pôde me acompanhar e também foi bem recebida por todos”, conta Cezar Augusto em entrevista exclusiva ao Plano Tático.

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Mas conviver num país de cultura bastante diversa da do Brasil não foi fácil no início: “Quando cheguei, o país ainda estava em reconstrução: os táxis eram muito velhos, a internet muito ruim e não eram em todos os lugares em que havia internet. Telefone era só para as pessoas de classe alta, e um chip telefônico custava em média 200 dólares. Hoje está quase tudo mudado, mas Mianmar ainda está em evolução”, relata.

Quanto à culinária local, Cezar Augusto nem passou perto: “É muito apimentada e nunca experimentei, mas não tive dificuldade, pois nos mercados vende-se tudo o que temos no Brasil, e sendo assim eu mesmo preparava as minhas refeições”.

Com três anos e meio em Mianmar, Cezar Augusto pode falar como anda o futebol em Mianmar: “Os jogadores locais precisam evoluir muito na parte profissional. Eles não se preocupam com alimentação adequada, muitos saem para beber nas vésperas dos jogos, mas têm qualidade, são tecnicamente bons e cumprem o que o treinador pede dentro de campo”.

Evidentemente, o amadorismo não é só dos jogadores: “A federação birmanesa é muito desorganizada, mudam as datas dos jogos sempre, não há como planejar os deslocamentos porque tudo pode mudar a qualquer momento (risos)”, lamenta Cezar Augusto. Por isso, a torcida só aparece mesmo em jogos mais decisivos, porque nas outras partidas “não vai quase ninguém”, explica o brasileiro.

Certamente, Cezar Augusto construiu grandes amizades em Mianmar, mas aos 29 anos o lado financeiro começa a pesar mais e ele deve mesmo se mudar para outro país. Quem sabe o brasileiro não quebra mais recordes no futebol asiático?

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Informações

- Cezar Augusto não é o único brasileiro no Yangon United. O goleiro Luiz Fernando (2015) e o atacante Emerson Luiz (2014) chegaram ao time recentemente, graças à ajuda de Cezar Augusto: “Jogamos juntos na Red Bull Brasil, dois anos com o Luiz Fernando e um com o Emerson Luiz, mas ficamos bons amigos. Por conhecê-los muito bem e saber do profissionalismo deles, eu os indiquei para o Yangon United por eu ter bom relacionamento com o presidente do clube [o birmanês Pyae Phyo Tayza]”, afirma o brasileiro.

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