Chapecoense e Portuguesa: frigorífico uniu as comunidades em 1995

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Alguns clubes brasileiros se uniram para ajudar a Chapecoense neste momento tão difícil. A intenção dessas equipes é ceder jogadores por empréstimo de forma gratuita à equipe catarinense, além de pedir a CBF que a Chapecoense tenha imunidade de rebaixamento por três anos.

Entre os clubes que assinaram a nota oficial estão grandes representantes do futebol brasileiro, como Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Santos e São Paulo. Chama a atenção nessa corrente pela Chapecoense de times da elite nacional a tradicional Portuguesa de Desportos, que vive seu pior momento dentro e fora de campo, tendo sido rebaixada para a Série D pela primeira vez em sua história.

Em situação econômica frágil por causa dos recentes descensos e com o estádio Canindé vítima de tentativas de leilão há algum tempo, pode-se dizer que a Portuguesa é o time deste seleto e honrado grupo com mais problemas a resolver. Mesmo assim, os dirigentes dispõem-se em ajudar a Chapecoense, algo plenamente louvável e digno de reconhecimento pelo Plano Tático.

E nós aproveitamos para contar uma história curiosa que talvez você, Apaixonado por Futebol Alternativo, não conheça. Essa não terá sido a primeira vez que Chapecoense e Portuguesa têm suas histórias unidas. O primeiro encontro dos paulistanos com a comunidade de Chapecó foi há 21 anos, mais precisamente em 27 de janeiro de 1995, quando uma parceria colocou a Portuguesa na rota da cidade sede da Chapecoense…

A Portuguesa e o frigorífico

No início dos anos 1990, o torcedor da Portuguesa sonhava com conquistas importantes. Depois de um nono lugar na Série A 1993 e um décimo na temporada seguinte, a Lusa entrou sonhando alto em 1995. A reboque do título do Palmeiras no ano anterior por causa da grande parceria com a Parmalat, a Portuguesa quis implantar algo parecido.

Portanto, a diretoria se reuniu no Hotel Brasilton para anunciar um acordo importante para o clube. A partir daquele momento, teve o Frigorífico Chapecó como patrocinador até 1996, cujo contrato abrangia todo o departamento de futebol, desde as categorias dente de leite até os juniores, incluindo o profissional, obviamente.

A intenção dos dirigentes é que a empresa de Chapecó adquirisse jogadores e os repassasse à Portuguesa, numa época em que a Chapecoense ainda não tinha a envergadura atual, já que naquele mesmo ano disputou a Série C, então última divisão nacional. A estreia do novo patrocinador foi justamente no primeiro jogo do Campeonato Paulista, vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras em casa.

É bom lembrar que a Portuguesa tinha vários jogadores lendários no elenco, como os ainda promissores Zé Maria, 21 anos (lateral-direito da seleção), Rodrigo Fabbri, 19, o hoje veterano Zé Roberto, 42, que na época tinha só 20 anos. Claro, atletas mais experientes também compunham aquela Lusa, como Paulinho McLaren, Tiba e Leto, sem contar um dos grandes ídolos do clube, o lendário volante Capitão, de então 28 anos. Candinho era o técnico.

A temporada seguiu, a Portuguesa terminou a primeira fase do estadual na liderança (58 pontos em 30 jogos, com 16v, 10e, 4d), mas ficou em segundo lugar no Quadrangular Semifinal, seis pontos atrás do Corinthians, que fez a final diante do Palmeiras e levou seu 21º título paulista.

O grande encontro

A parceria com o Frigorífico Chapecó durou até 1996, mas o acordo não terminou sem antes um momento histórico. Em 22 de outubro de 1995, na terceira rodada do returno da Série A, a Portuguesa mediu forças com o Grêmio, uma prévia da decisão do título de 1996. O incrível é que, por conta do patrocinador da cidade da Chapecoense, a Lusa mandou a partida na Arena Condá, que estava simplesmente lotada e era bem diferente!

Portuguesa. Neneca (Paulo Sérgio); Augusto César, Jorginho, Edinho (Zé Maria); Betinho, Zé Roberto, Roque, Capitão; Zinho (Luisão), Tiba e Leto. Técnico: Levir Culpi

Grêmio. Sílvio, Luciano, Scheidt, Arce e Roger Machado; Gelson, Luis Carlos Goiano, Alexandre Gaúcho (Émerson), Arílson (Magno); Paulo Nunes e Nildo. Técnico. Luiz Felipe Scolari

Para a festa da torcida, a Portuguesa abriu o placar aos 24 minutos com Tiba, que recebeu passe de Zinho na entrada da área e colocou a bola no canto. Aos quatro da etapa final, Paulo Nunes empatou para o Grêmio em vacilo do goleiro luso, mas os donos da casa voltaram a comandar o placar aos 21 minutos, em falha de Roger Machado, recentemente anunciado como técnico do Atlético Mineiro.

Aos 29, Betinho arriscou da entrada da área e acertou belo chute, ampliando para 3 a 1. Ainda deu tempo de o Grêmio diminuir num gol por cobertura de Paulo Nunes quatro minutos depois. Mas ficou só nisso, animadíssima vitória da Portuguesa diante de uma Arena Condá lotada, num tempo em que a Chapecoense ainda não fazia sucesso (veja um relato do jogo na Página do Facebook Associação Portuguesa de Lembranças). A Portuguesa foi apenas a décima colocada com 35 pontos em 23 jogos (8v, 11e, 4d).

Imagem de Amostra do You Tube

21 anos depois, Portuguesa e Chapecó voltam a ficar unidos, desta vez em razão da promessa de ajuda do clube paulistano à Chapecoense. A partir de 1997, o Frigorífico Chapecó foi assumido pelo BNDES (credor de 60% das dívidas) com apoio de Banco do Brasil e Banco Bozzano Simonsen. Em razão de problemas financeiros por má gestão desde 1996, a empresa teve a quebra do sigilo bancário decretado e descobriram-se débitos de R$ 1 bilhão. Em 29 de abril de 2005, a juíza Rosane Portella Wolff, da 3ª Vara Cível de Chapecó, decretou a falência do Frigorífico Chapecó.

Informações

- Na Série C 1995, a Chapecoense fez campanha mediana, terminando na 27ª colocação geral com 12 pontos em oito jogos (3v, 3e, 2d). O time passou da primeira fase junto do Ypiranga de Erechim/RS (o Cascavel/PR foi eliminado), superou o Batel/PR na segunda etapa e sucumbiu diante do Brasil de Pelotas/RS por 3 a 1 em duas partidas.

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