Copa do Nordeste 2017: conheça o Uniclinic CE, o azarão do torneio

Reprodução/ Instagram do Uniclinic

A Copa do Nordeste vai começar no próximo dia 24 de janeiro. No Grupo A, o tradicional Náutico/PE abre a competição diante da surpresa Uniclinic/CE, que vai estrear na Copa do Nordeste porque foi vice-campeão estadual em 2016 (veja a tabela completa) – encara, além do Náutico, o Santa Cruz e o Campinense/PB, os dois últimos finalistas do torneio.

Após enorme polêmica protagonizada pelo clube na Copa do Nordeste, o Uniclinic está pronto para encarar não só o torneio, mas também a Copa do Brasil, a Série D e o estadual neste ano, algo inédito na curta história do clube – foi fundado em 7 de março de 1997, 19 anos atrás. Será um ano diferente para o Uniclinic, o que assustou o presidente da equipe, Vanor Cruz, autor da polêmica desistência na Copa do Nordeste 2017.

Veja curiosidades da Copa do Nordeste 2017

Em 30 de setembro de 2016, dias antes do sorteio da competição, os potes já estavam definidos, mas o presidente do Uniclinic afirmou que o time não tinha condições financeiras de disputar quatro torneios na temporada e anunciou desistência, embora quisesse ficar com a cota de participação, algo que soou maluquice das grandes!

Os próximos da classificação no estadual 2016 eram Guarani de Juazeiro e Guarany de Sobral, mas a federação cearense confirmou dias depois que os dois clubes também haviam desistido. A equipe seguinte era simplesmente o Ceará, que aceitou participar. Em meio a rumores de compra de vaga por parte do Ceará, o sorteio da Copa do Nordeste ocorreu no dia 4 com a bolinha do Uniclinic em branco.

Um dia após o evento, o Guarani de Juazeiro mudou de ideia e avisou que queria jogar a competição, informando que havia desistido porque fora erroneamente informado pela federação de que não ganharia a cota de TV e teria que arcar com todas as despesas de transporte e hospedagem.

A definição ocorreria numa reunião entre CBF, Esporte Interativo (detentor dos direitos de transmissão) e os presidentes da Liga do Nordeste (Alexi Portela) e da federação cearense (Mauro Carmélio) em 25 de outubro, mas foi adiada por causa da morte de Carlos Alberto Torres. Um dia depois, o Uniclinic surpreendeu de novo, enviou a documentação para jogar a Copa do Nordeste e a tal reunião nem precisou ser realizada!

O Uniclinic em 2017

Foto: Wenner Tito

Com a confirmação do time na Copa do Nordeste, o Uniclinic anunciou o técnico Vladimir de Jesus (foi preparador físico de Ceará e Fortaleza, além de treinador em Icasa/CE, Ferroviário/CE, Tiradentes/CE e Guarany de Sobral, dentre outros; estava no Flamengo/PI) e começou a pré-temporada em 5 de dezembro, 50 dias antes da estreia (foi um dos primeiros a começar os trabalhos), exatamente com o intuito de estar voando fisicamente nos primeiros jogos e tentar surpreender os adversários.

Com um elenco grande, de cerca de 30 jogadores (o time terá dez jogos em 30 dias no início da temporada), o Uniclinic conseguiu renovar com apenas seis atletas de 2016 e contratou reforços conhecidos no futebol cearense e no Nordeste, como o lateral-direito Amaral (aquele mesmo, que começou no Fortaleza e jogou ainda por Corinthians, Atlético Mineiro e Palmeiras, mas não confirmou a promessa de ser um grande jogador; tem 29 anos).

Outro conhecido é o goleiro Manoel Dionatan, 31 anos, que defendeu Ceará e Fortaleza na Série A indicado por PC Gusmão no primeiro e treinando com Bosco no segundo. O zagueiro Luis Fernando chega esbanjando sucesso com a promoção à Série C pelo Moto Club/MA. Todos os reforços estão dentro do orçamento do Uniclinic, que terá folha mensal de R$ 80 mil.

Não demorou muito e, no último dia 14 de janeiro, a Águia da Precabura estreou na 1ª fase do Campeonato Cearense 2017, que conta com os grandes Ceará, Fortaleza e Ferroviário. Atuando em casa, no estádio Castelão, a equipe empatou a um gol com o Guarany de Sobral.

Três dias depois, vitória de 1 a 0 sobre o Horizonte fora de casa. No último sábado, o Uniclinic foi surpreendido pelo Tiradentes em seus domínios, mesmo ficando no comando do placar por duas vezes. O Uniclinic ainda não mostrou serviço na temporada e terá uma estreia difícil na Copa do Nordeste. Será que o time cearense consegue surpreender como em 2016?

A arrancada do Uniclinic

Pode parecer mentira, mas não é. O Uniclinic era apenas um time da 3ª divisão cearense em 2014. Naquele ano, a equipe mediu forças com Itapajé, Tianguá e União, sendo campeão ao vencer o Itapajé na final – os dois subiram com 11 e 10 pontos respectivamente, enquanto o Tianguá somou nove e o União apenas um.

Em 2015, o Uniclinic voltou ao segundo nível estadual (a última disputa havia sido em 2013) e encarou jogos de ida e volta. Após longas 18 rodadas, o time confirmou a boa campanha (sua pior posição foi um quarto lugar após a primeira partida) e alcançou o acesso ao somar 38 pontos (11v, 5e, 2d), mesmo número do Tiradentes e um a mais que o terceiro Maracanã – os dois primeiros subiram à elite, mas o Uniclinic perdeu o título nos pênaltis.

Imagem de Amostra do You Tube

Em 2016, portanto, esperava-se pouco do Uniclinic, que faria sua 11ª participação na primeira divisão cearense, embora nos últimos anos (não jogava desde 2008) tivesse brigado contra o rebaixamento. Essa era a expectativa, mas o Uniclinic encarou o Fortaleza no Grupo A1, chegou a liderar as duas primeiras rodadas, terminando a 1ª fase com 18 pontos em oito partidas (6v, 0e, 2d), um atrás do Fortaleza.

Na segunda fase, as seis equipes foram divididas em dois grupos de três e o Uniclinic esteve ao lado de Fortaleza e Maranguape, mas encarou os times do outro grupo. Depois de começar na última posição a Águia da Precabura se recuperou a findou a etapa na segunda posição ao somar sete pontos (2v, 1e, 3d), quatro atrás do Fortaleza.

Foi o suficiente para ir às semifinais e encarar o Guarani de Juazeiro. Após fazer 2 a 0 fora de casa na ida, o Uniclinic levou o mesmo resultado em casa, mas avançou à final por causa de melhor campanha geral. O time só não foi páreo para o Fortaleza, que goleou por 4 a 1 na ida e venceu por 1 a 0 na volta, levando seu 44º título estadual. Será que o Uniclinic tem força para repetir a façanha em 2017?

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As curiosidades do Uniclinic

- O presidente Vanor Cruz foi quem idealizou o Uniclinic. E o nome do clube tem justificativa: seu mandatário é médico e dono do Hospital das Clínicas do Ceará, cuja sigla é Uniclinic. Vanor também já participou de algumas diretorias do Fortaleza e é conselheiro do clube.

- O Uniclinic é vencedor em sua curta história. Fundado como Centro de Treinamento Uniclinic (era o nome do clube!), o time estreou profissionalmente na 2ª divisão cearense de 1998 (foi a volta do torneio após quatro anos desativado) e levantou o troféu, subindo para a elite. Depois de dois quintos lugares e uma quarta posição em 2001, o Uniclinic terminou na penúltima posição do estadual 2002 e caiu para a 2ª divisão, voltando em 2003 como vice.

- Nas duas primeiras temporadas após o retorno, o Uniclinic teve boas campanhas, mas depois voltou a brigar contra o rebaixamento e acabou caindo em 2008 com apenas quatro pontos em 17 jogos, na lanterna. Em 2013, o time deu novo vexame e foi parar na 3ª divisão estadual após cinco anos no segundo nível.

Informações

- Perto de completar 20 anos em 2017, o Uniclinic é de Fortaleza e isso atrapalha muito na questão do público. Na estreia no estadual 2017, apenas 367 torcedores apareceram no estádio Castelão, o que deu prejuízo de quase R$ 2 mil. Na Série D 2016, o time teve apenas 82 pessoas por partida, a sétima pior média entre as quatro divisões nacionais – 1.095 torcedores a cada jogo em toda a temporada. O time abocanhou renda líquida de R$ 42 mil.

- Apesar do pouco apelo junto aos torcedores, o Uniclinic tem garantido bastante dinheiro por participar de grandes competições. Na Copa do Nordeste, a Águia da Precabura vai embolsar R$ 600 mil só para jogar a 1ª fase, enquanto na Copa do Brasil (o time enfrenta a combalida Portuguesa/SP) o Uniclinic levará mais R$ 240 mil. Por estar na Série D, o Governo do Ceará ajuda o clube com mais 200 mil, total de R$ 1 milhão com as cotas mínimas.

- Aliás, o estadual é o torneio mais importante para o Uniclinic por lhe garantir calendário completo, mas melhor ainda terá sido alcançar o acesso na Série D 2017, não é mesmo? Em 2016, o clube estreou  nacionalmente e encarou Itabaiana/SE, Potiguar de Mossoró/RN e Serra Talhada/PE, se classificando na liderança com 12 pontos (3v, 3e, 0d), contra 11 dos sergipanos, dez dos potiguares e nenhum dos pernambucanos. Na 2ª fase, o Uniclinic enfrentou justamente o Itabaiana, empatando sem gols fora de casa, mas levando 3 a 2 em Fortaleza.

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