Mazembe eliminado é um dos destaques na nova LC da África [Resumão]

Os torcedores dos oito times brasileiros na Libertadores podem ficar aliviados. Ninguém corre o risco de repetir o vexame do Inter no Mundial de Clubes 2017, já que o temido Mazembe (República Democrática do Congo) não conseguiu sequer alcançar a fase de grupos da Liga dos Campeões da África, a principal competição do continente.

Mas este não é o único destaque. Etiópia e Moçambique terão representantes na fase de grupos do torneio depois de muito tempo, enquanto o atual campeão, o Mamelodi Sundowns (África do Sul), também conseguiu sua vaga. Esses times chegam à fase de grupos simplesmente por causa de uma mudança no regulamento da Liga dos Campeões da África, algo esperado ansiosamente há muito tempo.

Até 2016, a fase de grupos do torneio tinha apenas duas chaves de quatro times, o que diminuía muito a chance de uma zebra, já que as equipes menores precisavam passar por três fases de mata-mata. Agora foram apenas duas etapas até os grupos, que aumentaram para quatro com quatro times cada, total de 16.

O sorteio das chaves será realizado no próximo dia 21 de março (terça-feira) e são duas vagas para cada nas quartas de final, enquanto até 2016, obviamente, só havia semifinais e a decisão. A Liga dos Campeões da África aumentou sua importância para a região, e o Plano Tático mostra as curiosidades que aconteceram até aqui…

Resumão da LC da África 2017

O vexame do Mazembe

É inegável que o TP Mazembe é um dos gigantes africanos. O time democrático-congolês já levantou a taça da Liga dos Campeões da África em cinco oportunidades (1967, 1968, 2009, 2010 e 2015) e ainda foi campeão da Taça das Confederações Africanas 2016, espécie de Sul-Americana para o continente.

É claro que a zebra em cima do Inter no Mundial de Clubes 2010 (o time foi vice-campeão ao perder de 3 a 0 da Inter de Milão) aconteceu há sete anos, numa época em que o Mazembe tinha um time praticamente caseiro. Em 2017, o clube tem jogadores com experiência no futebol europeu e em seleções africanas…

O zambiano Nathan Sinkala, 26 anos, jogou três Copas Africanas de Nações e deixou o Mazembe em 2013 para defender Sochaux/França e Grasshoppers/Suiça, voltando ao time em 2015. Rainford Kalaba, 30 anos, é companheiro de Sinkala na seleção e está no Mazembe desde 2010. O local Trésor Mputu, 31, é artilheiro e foi revelado no clube, jogou duas vezes a Copa Africana de Nações e passou duas temporadas em Angola.

A influência do Mazembe aumentou tanto que a equipe atraiu até o zagueiro belga Anthony Vanden Borre, 29 anos, que tem 29 jogos na seleção (jogou uma vez na Copa 2014) e defendeu ainda Fiorentina, Genoa, Genk, Anderlecht (Bélgica) e Montpellier (França). Na 21ª participação em Liga dos Campeões da África, o Mazembe encarou o CAPS United (Zimbábue).

No jogo de ida, em casa, a equipe levou um gol aos 44 segundos, mas conseguiu empatar com Rainford Kalaba aos nove. O Mazembe teve muito tempo para fazer mais gols e aumentar a vantagem, mas não saiu do empate com gols, o que o obrigava a vencer no Zimbábue. O problema é que o Mazembe não marcou e a igualdade sem gols favoreceu o CAPS United, que havia passado muitas dificuldades até na liga nacional nos últimos anos…

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Redenção zimbabuana

O CAPS United é a terceira força do Zimbábue, atrás do gigante Dynamos e do Highlanders.  Há cinco anos, a equipe comemorou a permanência na elite nacional, tamanha era a crise que acometia o clube. Após 11 anos fora da Liga dos Campeões da África, o CAPS United voltou ao torneio para sua quarta participação e festejou o fato de ter conseguido 129 mil dólares, dinheiro que cobriria passagens aéreas, acomodação, salários, bônus por vitória e taxas e acomodação das arbitragens nas duas primeiras fases do torneio.

Com 27 jogadores e só quatro contratações, o CAPS United enfrentou na fase preliminar o fraco Lioli (Lesoto), mas teve dificuldades ao empatar sem gols na ida, fora de casa, e na volta levar um gol em seus domínios aos 20 do 1º tempo. Com dois gols em quatro minutos no início da etapa final, o CAPS United virou a partida e avançou para enfrentar o TP Mazembe.

Há rumores de que os jogadores do Mazembe se comportaram mal nos treinamentos, mas o empate do CAPS United fora de casa motivou até o presidente do rival Dynamos. Kenny Mubaiwa pediu aos torcedores que deixassem a rivalidade de lado e apoiassem o CAPS United, que levantava a bandeira do Zimbábue.

Deu certo e o time do presidente Farai Jere vai ganhar 550 mil dólares só para jogar a fase de grupos, pondo fim a sete anos sem times zimbabuanos na etapa principal da Liga dos Campeões da África: em 2010, o Dynamos encarou Espérance Tunis (Tunísia), Sétif (Argélia) e Mazembe, somando apenas três pontos e perdendo as duas para o Mazembe.

Estreante na fase de grupos

A Liga dos Campeões da África 2017 teve dez estreantes: Saoura (Argélia), Bidvest Wits (África do Sul), FUS Rabat (Marrocos), UMS de Loum (Camarões), Rivers United (Nigéria), Wa All Stars (Gana), Ngaya Club (Ilhas Comores), Johansen (Serra Leoa) e Zimamoto (Zanzibar). O décimo e único a alcançar a fase de grupos é o Ferroviário da Beira (Moçambique), campeão da liga nacional pela primeira vez em 2016 – tem duas Taças de Moçambique, em 2005 e 2013.

Antes, a equipe só havia jogado a Taça das Confederações Africanas em 1999, 2006 e 2014, mas nunca passou da 1ª fase. Em 2017, o Ferroviário da Beira teve dificuldades contra outro estreante: perdeu por 2 a 1 para o Zimamoto fora de casa (abriu o placar a um minuto de pênalti, mas levou a virada), mas venceu por 3 a 1 na volta e avançou.

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No confronto decisivo, a equipe encarou o Barrack Young Controllers (Libéria), que também vendeu caro a derrota. Os moçambicanos venceram por 2 a 0 em casa, mas perderam pelo mesmo placar na volta e os pênaltis decidiram o classificado. Por 4 a 1, o Ferroviário da Beira vai jogar a fase de grupos da Liga dos Campeões da África 2017, encerrando tabu de 15 anos. O Costa do Sol esteve na etapa principal do torneio em 2002, mas perdeu os seis jogos para Zamalek, ASEC Mimosas (Costa do Marfim) e Espérance Tunis, marcando um gol e levando 17.

Volta por cima do artilheiro etíope

O gigante Saint George, que disputa a competição pela 23ª vez e foi semifinalista em 1967 (perdeu justamente para o Mazembe, que se chamava TP Englebert e seria o campeão naquele ano), não teve muita dificuldade para chegar à fase de grupos. Na fase preliminar, a equipe venceu o Côte d’Or (Ilhas Seicheles) por 2 a 0 (fora) e 3 a 0 (casa), superando o Leopards (Congo), campeão da Taça das Confederações Africanas 2012, por 1 a 0 (fora) e 2 a 0 (casa).

Sem levar gols e fazendo oito, o Saint George pode agradecer a classificação à sua grande contratação para a temporada. Cinco gols foram do atacante etíope Saladin Said, 28 anos, que viveu seu melhor momento na carreira entre 2011 e 2013. Revelado no Saint George em 2007, ele ficou quatro anos e desandou a fazer gols…

Foram 41 em 112 partidas, o que chamou a atenção do Wadi Degla, time médio do Egito. Em 2013, o Lierse (Bélgica) acompanhou os gols de Saladin Said na seleção principal, que chegou à fase final das Eliminatórias 2014, e resolveu contratá-lo. Só que Saladin Said não rendeu, não foi bem também no Al Ahly (Egito) e no MC Alger (Argélia), voltando ao Saint George em 2016 para se reencontrar – é o artilheiro da Liga dos Campeões da África 2017.

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Informações

- Veja os 16 classificados por ordem do Ranking Africano.

Pote 1. Al Ahly (Egito), Zamalek (Egito), Étoile du Sahel (Tunísia) e Mamelodi Sundowns (África do Sul)

Pote 2. Al Hilal (Sudão), Espérance de Tunis (Tunísia), Wydad Casablanca (Marrocos) e USM Alger (Argélia)

Pote 3. Al Merrikh (Sudão), Coton Sport (Camarões), Vita Club (RD Congo) e Al Ahli (Líbia)

Pote 4. Saint George (Etiópia), Ferroviário Beira (Moçambique), Zanaco (Zâmbia) e CAPS United (Zimbábue)

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