Estrela do Norte (ES) joga 2ª divisão com ídolos do Vasco no comando

Foto: Assessoria/ Estrela do Norte FC

O torcedor do Estrela do Norte viveu altos e baixos nos últimos anos. Fundado em 16 de janeiro de 1916 (101 anos), o clube comemorou seu primeiro título da elite do Campeonato Capixaba em 2014. Dois anos depois, porém, no ano do centenário o Estrela do Norte foi rebaixado para a 2ª divisão estadual, que venceu em 1996 e 1999 e havia disputado pela última vez em 2012.

A caminhada na competição começou no último dia 25 de março, com derrota de 3 a 0 em casa para o Rio Branco de Venda Nova. No último domingo, 2 de abril, o Estrela do Norte visitou o Vilavelhense e saiu com nova derrota, agora por 2 a 1. É apenas o começo de temporada, com seis times na 2ª divisão e quatro vagas nas semifinais, o que em tese aumenta as chances de classificação. Mas é fato que o Estrela do Norte não iniciou bem no quesito resultados.

Para voltar à elite capixaba, o Estrela do Norte investiu pesado não só dentro de campo, mas na comissão técnica. Nada mais nada menos que a dupla Carlos Germano e Sorato, ex-goleiro e ex-atacante do Vasco da Gama, vão conduzir o Estrela do Norte. O acerto com o clube ocorreu em 18 de janeiro. E o presidente Ewerton Miranda Tréggia espera grandes feitos:

“Eles vão participar de todo o processo de avaliação dos atletas e montagem do elenco. O acordo é até o fim da Série B e depois iremos avaliar uma prorrogação”, disse o mandatário do Estrela do Norte ao globoesporte.

O técnico principal será Sorato, atacante que começou a carreira no Vasco em 1988 e ficou até 1992, se transferindo para Palmeiras, Cruzeiro e outros clubes. Sua volta ao cruzmaltino ocorreu em 1997, um ano antes da maior conquista de Sorato e do Vasco: a Libertadores 1998, num time estrelado por Juninho Pernambucano, Pedrinho, Luizão, Donizete Pantera, Nasa, Felipe, além dos zagueiros Odvan e Mauro Galvão e do goleiro Carlos Germano – o atacante foi reserva e não atuou nas finais diante do Barcelona de Guayaquil (Equador).

Imagem de Amostra do You Tube

Sorato ainda foi campeão brasileiro em 1989, três vezes do estadual (1988, 1992 e 1998) e Troféu Ramón Carranza (1988 e 1989). Depois que deixou o Vasco da Gama em 1998 (são 82 gols em 235 jogos pelo time), o atacante já tinha 29 anos e defendeu equipes menores do futebol brasileiro, encerrando a carreira em 2009, no Tigres do Brasil/RJ, clube em que começou a caminhada como treinador, no ano seguinte.

Entre 2012 e 2014, Sorato comandou as divisões de base do Vasco da Gama, mas voltou a treinar times profissionais apenas em 2015, quando levou o desconhecido Doze FC, que estava na 2ª divisão capixaba, à elite estadual. Ele continuou à frente do time na 1ª divisão e conseguiu mantê-lo, o que chamou a atenção do Estrela do Norte. Mas Sorato não faz tudo sozinho e sabe da importância de seu auxiliar…

Se Sorato é considerado ídolo vascaíno, o ex-goleiro Carlos Germano tem história muito mais marcante no clube. Foi revelado na base da equipe em 1988, quando ainda defendeu a seleção brasileira no Sul-Americano sub-20 daquele ano e no Mundial em 1989.

O jogador começou nos profissionais em 1990 e ficou no clube até 1999, com 632 partidas e vários títulos importantes, incluindo a Libertadores 1998, o Brasileirão 1997, o Torneio Rio-São Paulo 1999 e quatro estaduais (1992, 1993, 1994 e 1998).

Carlos Germano ainda vestiu as cores da seleção brasileira principal na Copa América 1997 e fez parte do time derrotado na Copa 1998 – nove convocações. O goleiro encerrou a carreira em 2005, no Penafiel (Portugal), mas não começou como auxiliar. Entre 2007 e 2014, Carlos Germano foi treinador de goleiros, primeiro no Jonville/SC, por quase dois anos, e depois no Vasco, fazendo parte da delegação campeã da Série B 2009 e da Copa do Brasil 2011.

Foto: Gabriel Peres

Carlos Germano teve seu primeiro trabalho como auxiliar justamente no Doze FC, ao lado de Sorato, e certamente tem participação no sucesso da dupla: “Eu e o Carlos Germano nos conhecemos há mais de 30 anos, jogamos juntos no Vasco. O Germano tem uma grande experiência no futebol, eu também adquiri conhecimento depois de ter parado, então acho que o trabalho de um complementa o do outro”, disse Sorato ao mesmo site.

Se os dois conseguirão devolver o Estrela do Norte à elite estadual não se sabe, mas parece que o clube faz uma ótima aposta. Veja como vem o time capixaba para as dez rodadas da 1ª fase e, talvez, o mata-mata da 2ª divisão…

A preparação do Estrela do Norte

Muito antes de começar a planejar a temporada 2017, o Estrela do Norte precisava definir a nova diretoria. O pleito seria em 15 de julho, mas o presidente do Conselho Deliberativo, Ewerton Tréggia, cancelou o processo eleitoral alegando irregularidades – havia uma chapa inscrita. Em 30 de setembro, o próprio Ewerton foi aclamado para mandato de quatro anos.

A primeira atitude da nova diretoria foi levantar e equacionar as dívidas existentes. Depois, o time de Cachoeiro do Itapemirim precisava ter patrocínios para entrar na competição sem risco de se endividar. O Estrela do Norte ameaçou desistir, mas confirmou a presença na 2ª divisão e começou a pensar no elenco no fim de janeiro.

Depois do anúncio de Sorato e Carlos Germano, o time capixaba confirmou que 70% dos jogadores já estava definido, mas sem loucuras e com os pés no chão. Dias depois, chegaram dez atletas, sendo só três de times do Espírito Santo. Aos poucos, a equipe trouxe jogadores mais conhecidos no estado, como os atacantes Pepeta (ele estava na Liga dos  Campeões da Oceania!) e Robert Gladiador, o zagueiro Dilsinho e o volante Tabata – mais três chegaram no fim de março.

Foto: Divulgação/ Arquivo Pessoal

Com 31 jogadores, dentre eles o jovem atacante Yogo Chagas, revelado na base do Vasco (estava no Volta Redonda/RJ), o Estrela do Norte começou a pré-temporada na primeira semana de fevereiro, pois esperava estrear em 11 de março. Porém, diante da crise de segurança no Espírito Santo, o início da 2ª divisão foi adiado para 25 de março.

Já no primeiro dia de trabalhos, Ewerton Tréggia tratou de transmitir aos jogadores o que é defender o Estrela do Norte: “Estamos montando uma equipe competitiva com o objetivo de retornar à elite. Perder ou ganhar faz parte, mas esses atletas serão cobrados por uma apaixonada torcida que estará junto com o Estrela do Norte”, disse ao mesmo site.

Sorato foi na mesma linha: “Tenho conversado com a equipe e passado a importância de representar um clube como o Estrela do Norte, que tem uma torcida apaixonada e uma história de garra. Comprometimento e foco são as palavras de ordem no momento”, falou ao mesmo site em 13 de fevereiro, no começo da pré-temporada.

Nos amistosos de preparação, os resultados foram positivos… No primeiro teste, vitória de 3 a 0 sobre o time amador do Itabirense e 9 a 0 diante do Itaperuna, também amador. Depois, o Estrela do Norte empatou por 1 a 1 com o Rio Branco/ES e conseguiu seu melhor resultado: triunfo de 1 a 0 sobre o sub-20 do Fluminense. O caminho de reerguimento do tradicional Estrela do Norte é árduo, mas Carlos Germano e Sorato já passaram por esse desafio e tiveram sucesso. Será que o clube vai voltar à elite do ES?

Informações

Foto: Divulgação

- O estádio Sumaré tem 6 mil lugares, de acordo com o Cadastro Nacional da CBF de 2016. O local, onde é a sede do Estrela do Norte, foi invadido por vândalos no fim de 2016, a terceira vez em dois meses na época. Os bandidos quebraram a porta do bar, arrombaram o escritório, arrancaram uma campainha e cortaram os fios dos refletores. Eles ainda invadiram os vestiários e espalharam ferramentas no gramado.

- No fim de janeiro de 2017, a Estrela do Norte justificou a alcunha de apaixonada: o clube forneceu tintas, cimento, cal e outros insumos para pouco mais de dez torcedores, que se reuniram num mutirão para limpar e organizar as arquibancadas, pintar muros e balizas. Tudo de forma voluntária, vale ressaltar. Na estreia na 2ª divisão, a diretoria do Estrela do Norte disponibilizou 1.400 ingressos, mas só 505 foram comercializados. O lucro foi de R$ 3.165,54, mas o Estrela do Norte tem 30% das rendas bloqueadas pela Justiça e levou para casa R$ 2.215,88, de acordo com borderô no site da federação capixaba.

Foto: Divulgação/ Estrela do Norte

- O Estrela do Norte revitalizou seu escudo e ainda apresentou uniformes mais voltados à tradição. Produzidos pela Rhumy, a camisa principal tem listras pretas, enquanto a peça nº 2 resgata a camisa toda branca, com gola e punhos pretos. É a intenção do Estrela do Norte de trilhar um novo caminho no futebol capixaba e em nível nacional.

- Quem sabe o Estrela do Norte não tem um jogador importante em seu time no futuro? Pode ser o lateral-esquerdo Ramon Motta, 28 anos, que começou na base do Vitória/ES. Ele se destacou na Copa Promissão, torneio de base, e foi contratado pelo Inter de Porto Alegre. Depois de jogar três anos nos profissionais, Ramon se transferiu para o Vasco, defendeu Corinthians e Flamengo e está desde 2013 na Turquia, primeiro no Besiktas e atualmente no Antalyaspor, sexto colocado na liga nacional em 2016/17, na briga pela Liga Europa. Ramon é de Cachoeiro do Itapemirim e gostaria de encerrar a carreira no Estrela do Norte. Ele chegou a abandonar a carreira e era entregador de remédios numa farmácia, quando recebeu chance no Vitória/ES e se destacou.

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