Seleções esquecidas – Jamaica

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Por Matheus Laboissière

6 de dezembro de 1992. Fim da linha para a Jamaica em mais uma eliminatória de Copa do Mundo da Concacaf, para a Copa 1994, nos EUA. O terceiro lugar no Grupo 2 da 4ª fase, atrás de El Salvador, Canadá e à frente Bermudas, não foi suficiente para os jamaicanos avançarem à fase final.

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Algo precisava ser feito. Eis que surge a ideia do atual presidente da Jamaican Footbal Federation, Capitain Horace Burrel, à época em seu primeiro mandato (1994-2003): contratar um treinador brasileiro. O nome escolhido foi o de Renê Simões, que estava no Al-Rayyan, do Catar. Difícil tarefa para o novo treinador. Levar a Jamaica à Copa do Mundo era tarefa improvável.

Eliminatórias Copa 98

O primeiro desafio da nova esperança jamaicana foi o Suriname, pela segunda fase das Eliminatórias da Concacaf. Duas vitórias de 1×0 classificaram a Jamaica à fase seguinte. Na terceira eliminatória, antes da fase de grupos, o adversário foi Barbados. Mais duas vitórias (1×0 fora e 2×0 em casa) e nenhum gol sofrido em quatro partidas.

Porém, as dificuldades iriam aumentar. No Grupo 3, ao lado de México, Honduras e São Vicente & Granadinas, a Jamaica ganhou duas vezes do mais fraco do grupo, São Vicente (2×1 fora e 5×0 em casa), que, aliás, não marcou nenhum ponto. Contra os hondurenhos, um empate em Tegucigalpa, em 0×0, e uma vitória em Kingston, por 3×0, fizeram com que a decisão ficasse para os jogos contra os mexicanos.

Honduras havia vencido uma e perdido outra contra o México, além de duas goleadas sobre São Vicente & Granadinas. Na última rodada, o México tinha 12 pontos, na liderança, Honduras tinha dez, mesma pontuação da Jamaica, que pegaria o México, em casa. Caso saísse derrotada por dois gols de diferença, seria ultrapassada por Honduras e estaria eliminada.

Mas a força da torcida no Kingston Independence Park e um gol de Ian Goodson, aos 37 minutos da segunda etapa, não só classificaram a Jamaica, como levaram o país à liderança do grupo, com 13 pontos, um a mais que os mexicanos.

No hexagonal final, ao lado de México, EUA, Costa Rica, El Salvador e Canadá, a Jamaica chegou à última rodada classificada para a Copa do Mundo, quatro pontos à frente da Costa Rica. Mas o começo não foi nada positivo para a seleção de Renê Simões. A primeira vitória só veio na quinta rodada, contra El Salvador, 1×0, depois de dois empates (EUA, 0×0 em casa, e Canadá, 0×0, fora) e duas derrotas (México, 6×0, e Costa Rica, 3×1, ambos fora).

Depois disso, a Jamaica não perdeu mais, conquistando um empate em 0×0 contra o poderoso EUA, fora de casa, e México, dentro, e vitórias de 1×0 sobre Costa Rica e Canadá. Pronto. O objetivo estava cumprido. Jamaica pela primeira vez em uma Copa do Mundo e Renê Simões heroi nacional. Mas o sonho de disputar a competição entre seleções mais importante do planeta duraria 12 dias apenas. Tempo este em que a Jamaica foi derrotada duas vezes no Grupo H da Copa (3×1 Croácia e 5×0 Argentina) e venceu uma, contra o Japão, 2×1, terminando na terceira posição do grupo e sendo eliminada. Até hoje a Jamaica não conseguiu chegar à outra Copa. Vamos acompanhar as campanhas:

Eliminatórias Copa 2002

Beneficiada com a classificação direta à segunda fase, a Jamaica passou sem dificuldades por Honduras (primeiro do grupo), El Salvador e São Vicente & Granadinas, mas sem qualquer brilho. O trabalho de Renê Simões à frente da seleção teve continuidade.

Na fase final, porém, sobrou o desastre. Apenas oito pontos em dez jogos, duas vitórias, ambas contra Trinidad & Tobago, 1×0 em casa, e 2×1 fora, e a penúltima colocação entre seis, melhor que Trinidad apenas. Os EUA, terceiro colocado e último classificado, terminaram com 17 pontos. O sonho de duas Copas seguidas parava por aí. E Renê Simões também deixaria o cargo, rumo à seleção de Trinidad & Tobago.

Eliminatórias Copa 2006

O sonho da Jamaica de estar na Copa da Alemanha começou contra o Haiti, adversário facilmente eliminado pelo país do reggae, empate fora, 1×1, e vitória dentro, 3×0.

A Jamaica foi parar no Grupo 1 da primeira fase de grupos, ao lado de EUA, Panamá e El Salvador. A entidade máxima do futebol nacional decidiu repetir a dose: contratar um técnico brasileiro, desta vez Sebastião Lazaroni.

Apesar de não ter perdido para os estadunidenses, dois empates por 1×1, o resultado que eliminou os jamaicanos foi a derrota para o Panamá, em Kingston, por 2×1. O ponto perdido no primeiro confronto entre as seleções, em Kingston, quando o atacante mito Dely Valdes marcou o gol da vitória panamenha em solo jamaicano aos 90 minutos, separou a Jamaica da fase final das eliminatórias. O Panamá terminou com oito pontos e saldo de gols negativo de três. A Jamaica ficou com sete, e saldo positivo de dois. Se aquele jogo tivesse terminado 1×1, a história poderia ser diferente. Mas não foi.

Eliminatórias Copa 2010

O caminho rumo à África do Sul começou em 15 de junho de 2008, na 2ª fase das eliminatórias. A curiosidade fica por conta da volta de Renê Simões ao comando da Jamaica, no que pode ser entendido como um golpe de superstição, na esperança de a história de 1998 se repetir.

As primeiras duas partidas nas eliminatórias foram passeios diante de Bahamas: 7×0 em casa e 6×0 fora, resultados que levaram a Jamaica ao Grupo B da primeira fase de grupos. Os adversários foram Honduras, México e Canadá. Em Kingston, capital do país, a Jamaica foi 100%, sem tomar nenhum gol. O problema foi quando visitou o mais fraco do grupo, o Canadá, na primeira partida. Renê Simões deve ter percebido que a classificação à fase final das Eliminatórias Concacaf poderia estar perdida ali, o que de fato aconteceu.

O 1×1 contra os canadenses fez com que a Jamaica terminasse na terceira posição, com dez pontos, empatada com o México, que levou a vaga ao hexagonal pelo saldo de gols, três contra zero dos jamaicanos. Já sem Renê Simões, demitido após derrota para Honduras, fora de casa, por 2×0, em 10 de setembro de 2008, Honduras chegou a vencer o Canadá, por 3×0, resultado insuficiente no que tange ao saldo de gols, já que os mexicanos, que perderam para Honduras, o foram por apenas 1×0. O sonho da África do Sul e da segunda Copa do Mundo chegara ao fim mais uma vez.

Participações em Copas:
uma vez (1998 – 22º)

Ranking da FIFA: 79ª, à frente da Albânia e atrás da Nova Zelândia. Melhor posição: 27º lugar, em agosto de 1998. Pior posição, um 116º lugar, em outubro de 2008. No Ranking da Concacaf, a Jamaica está na oitava posição, atrás de EUA, México, Honduras, Costa Rica, Canadá, El Salvador e Panamá, num total de 35 países.

  • Victor

    Um curioso fato é que a seleção jamaicana que disputou as eliminatórias obteve “reforços”, já que vários atletas nascidos em solo inglês de origens jamaicanas e sem esperanças de serem convocados pelo English Team optaram por jogar pela seleção de seus antepassados incluindo o zagueiro Frank Sinclair, apresentado na coluna de Eternas Promessas e o meia Robbie Earle, que chegou a ser convocado pela seleção inglesa em outra ocasião, foi cortado por lesão e não foi chamado novamente, optando então por defender os Reggae Boyz

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