Rosinei: da titularidade entre as estrelas ao esquecimento

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Por Matheus Fuska

Rosinei Aldofo Nascimento. Oriundo de Lavrinhas (6.586 habitantes), minúscula cidade localizada na região de Guaratinguetá, na divisa com o sul de Minas Gerais, o menino dourado da cidade rica em lavras de ouro – daí o nome – conviveu com grandes estrelas do Corinthians da MSI, entre elas os argentinos Carlitos Tévez e Javier Mascherano. Apontado como uma das revelações do clube paulistano, Rosinei não conseguiu se firmar no elenco e foi perdendo espaço. Conheça, caro Leitor Plano Tático, a história de mais um exemplo entre os que não conseguem corresponder às expectativas dentro de campo. Boa leitura!

Início

O time campeão da Copa SP 2004 Crédito Foto Epitácio Pessoa AE

“Um médio organizador tecnicamente perfeito e taticamente muito culto. Parte do centro, mas gosta de se deslocar para a direita, entrando depois muito bem no apoio ao ataque, com grande leitura de jogo, sentido de passe e domínio de bola, sem nunca se perder em excessos de individualismo. Algo franzino, mas revela, apesar dessa aparente debilidade atlética, uma infinita resistência física”.

Assim se pode definir Rosinei, nascido em 3 de maio de 1983. A carreira do versátil jogador, que tem como posição principal segundo volante, se iniciou nas divisões de base do São Caetano-SP, em 2003. Antes de fazer parte do plantel principal, Rosinei foi contratado pelo Corinthians-SP, em 2004, participando as divisões de base do clube. Logo que chegou, o atleta teve uma grande competição pela frente. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior, Rosinei tinha a oportunidade de se lançar como jovem promessa. E aproveitou.

Depois de passar pela Fase de Grupos com tranquilidade – ficou à frente de Paulista-SP, Figueirense-SC e Angra dos Reis-RJ, na chave S –, o Corinthians de Rosinei começou a etapa de mata-mata. A cada embate, Noroeste-SP, por 2×1 (2ª Fase), Força-SP, por 4×0 (3ª Fase), Santos-SP, por 3×0 (4ª Fase), e Coritiba-PR, por 5×4, nos pênaltis, após 1×1 no tempo normal (semifinais), foram eliminados. Assim, o clube paulistano chegou à final, diante do São Paulo-SP.

Naquele 25 de janeiro de 2004, data da final, no Pacaembu, o Corinthians derrotou o São Paulo, sagrando-se pentacampeão do torneio mais importante das divisões de base do Brasil – hoje tem sete títulos, o maior vencedor. No rol dos campeões, além de Rosinei, havia o goleiro Julio César (ainda no Corinthians-SP), o lateral-direito Édson (atleta do Vitória de Guimarães, de Portugal), o atacante Abuda (do Moto Club-MA), Renato Abreu (jogador do Flamengo-RJ) e o atacante Jô (atualmente no Internacional-RS). Outros destaques daquele time eram o volante Nilton (defende o Vasco-RJ) e o atacante Bobô (hoje no Cruzeiro-MG), para ficar em alguns.

Profissional

Rosinei fazia o trabalho de carregador de piano no Corinthians

A estreia de Rosinei com a camisa do time principal do Corinthians aconteceu no dia 8 de fevereiro de 2004, num jogo diante da Portuguesa-SP, derrota de 1×0, pelo Campeonato Paulista. No Brasileirão do mesmo ano marcou quatro vezes, ajudando a equipe se firmar na quinta posição, com 74 pontos em 46 partidas (20v, 14e, 12d), a cinco do terceiro colocado, o Palmeiras-SP.

Porém, o melhor ano de Rosinei com a camisa alvinegra foi em 2005, aos 22 anos. Em um time recheado de estrelas contratadas pela polêmica parceria com a MSI, como Roger (hoje no Cruzeiro-MG), Carlos Alberto (atleta do Bahia) e Tevez, Rosinei conseguiu realizar ótimas atuações no time. Os bons jogos lhe renderam a titularidade indiscutível, no lugar de Carlos Alberto, sendo peça importante no esquema tático proposto por Márcio Bittencourt e posteriormente por Antônio Lopes. Aliás, o próprio técnico elogiou o volante: “O Rosinei é um jogador importantíssimo para a equipe. Marca bem e ataca com muita velocidade”, disse Lopes.

Mesmo atuando no apoio da marcação, ele aparecia com muita qualidade no ataque, conquistando, inclusive, a vice-artilharia do Corinthians no Brasileirão de 2005, com dez gols marcados, atrás apenas de Carlitos Tevez, que fez 20. O próprio atleta resumiu seu momento na carreira, em entrevista ao UOL: “Sou titular de um dos melhores clubes do país e tenho feito meus gols. Mas o elenco é muito forte e não posso vacilar. Nós, que somos da base, não gostamos de sair do time”, diz.

Em 10 de julho, Rosinei ainda se destacou num clássico contra o Palmeiras, vencido pelo Timão por 3×1, com dois gols dele. O volante/meia sonhava com a seleção brasileira, mas não para a Copa do Mundo de 2006, já que Juninho Pernambucano e Zé Roberto tinham vagas garantidas. Talvez para o Mundial da África do Sul. Entretanto, Rosinei nunca chegaria perto disso.

Queda

Corinthians campeão brasileiro de 2005, Rosinei titular. O que esperar do ano de 2006? Mais crescimento na carreira, voos mais altos. O atleta tinha moral dentro do elenco, mas não conseguiu repetir o bom futebol. Junto com os problemas que aconteciam nos bastidores do clube envolvendo a nebulosa parceria, com a MSI suas atuações foram muito abaixo do esperado, culminando com a desastrosa eliminação da Libertadores, pelo River Plate, por 3×1, em pleno Pacaembu. Anos mais tarde, ao jornalista Cosme Rimoli, Rosinei explicaria a sua versão para a queda de rendimento no Corinthians:

“Eu poderia ter ido muito mais além do que fui, mas faltou um pouco de sorte. Eu surgi quando a MSI chegou. Toda a minha geração, que passou anos na base do Corinthians, perdeu espaço. O que importava era comprar jogadores de fora. Queriam atletas de nome, conhecidos. Os da base ficavam em último plano. Não tínhamos apoio. O reflexo é que entrávamos em campo pressionados, ninguém poderia errar. Não havia interesse em incentivar, cuidar de quem nasceu no clube. Isso atrapalhou muito, não só a mim, mas a todos que vieram da base. Uma geração inteira não teve o espaço que merecia”, desabafou.

Saída

Mesmo tendo ganhado a posição de Carlos Alberto, Rosinei confessou, ao mesmo jornalista, que jogava em várias posições, sem poder se dedicar à de segundo volante, que era a origem do atleta. “Sempre era o primeiro a ser substituído”. Mesmo atingindo a marca de 150 jogos com a camisa do Corinthians, num clássico diante do Santos, em 3 de junho de 2007 – foi 1×1, na Vila Belmiro –, a fase não era boa, já que os gols, um total de 20 durante a passagem pelo clube paulistano, não apareciam mais. A poucos meses do fim do vínculo, em outubro de 2007, o Internacional-RS demonstrava interesse no atleta, que estava com as portas no Corinthians cada vez mais fechadas.

Poucos dias antes do término do contrato, uma notícia causou estardalhaço. A esposa de Rosinei havia registrado boletim de ocorrência em razão do sumiço do jogador, em matéria do Estadão. A esta altura, Rosinei já havia acertado sua rescisão com o Corinthians, no dia 5 de outubro, sendo especulada sua transferência para o Grêmio e o mundo árabe.

Na época, o técnico Nelsinho Baptista disse ao Globo Esporte: “Foi uma decisão pessoal. Ele não estava se sentindo bem, não tinha mais confiança em si mesmo para continuar. Não acho que ele tenha saído porque não confiava mais no meu trabalho”. Assim, acabava a história do versátil atleta, que ainda jogaria 14 jogos pelo Brasileirão de 2007, 12 como titular, sem marcar gols.

Perambulação

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O destino de Rosinei na virada de 2007 para 2008 foi a Espanha. Com a camisa do Real Murcia, que estava na 1ª Divisão do país, após promoção no ano anterior, o brasileiro teve novos problemas e não conseguiu se firmar. Durante a segunda metade da temporada 2007-08, foram apenas 11 jogos, três como titular, sem marcar gols, total de apenas 474 minutos em campo. O próprio jogador afirma a Cosme Rimoli que o clube tinha problemas, provavelmente de ordem financeira, o que contribuiu para a sua não-adaptação. “Pedi para ser negociado”, confirmou Rosinei.

Assim, o Internacional-RS tornou realidade o sonho de 2007 e conseguiu o empréstimo do jogador (1,5 milhão de euros), que chegou no dia 12 de julho de 2008 prometendo “contribuir com o time. Vou dar o meu melhor, pois estou aqui para trabalhar”, disse Rosinei em sua apresentação oficial. Ao lado de bons jogadores como os argentinos Andrés D´Alessandro e Guiñazu (ambos ainda no clube), além de Fernandão (aposentado), Magrão (aposentado, seu último clube foi o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos), Iarley (atleta do Goiás-GO) e Nilmar (hoje no Villarreal, da Espanha), o novo colorado teve bons momentos, com alguma regularidade.

A estreia com a camisa do Inter aconteceu em 2 de agosto, na vitória diante do Fluminense-RJ, por 2×1, pelo Brasileirão. Até o final de 2008, Rosinei jogaria 14 partidas, nove como titular, total de 873 minutos em campo. Os gols, todavia, ainda não sairiam. Até 29 de junho de 2009, data oficial de sua saída do clube gaúcho, Rosinei até levantaria os títulos da Copa Sul Americana 2008 e do estadual 2009, mas sem o destaque da época de Corinthians.

Com duas partidas disputadas no Brasileirão 2009, ambas como titular, e um dia antes de o vínculo findar, o Internacional emitiu comunicado oficial de que o brasileiro retornaria ao Murcia, dono de seus direitos federativos, pois não havia interesse do clube em renovar seu contrato. Ele explica os motivos que o levaram a deixar a equipe: “Tive problemas de contusão, que me atrapalharam no meu período. Não pude jogar o que sei, o que lamento, pois fui muito bem tratado. Ofereceram-me ótimas condições de trabalho, mas não consegui render pelas contusões. E resolvi sair”, disse o atleta a Rimoli.

Àquela altura, especulou-se a ida de Rosinei para o Fluminense-RJ, cujo técnico, Carlos Alberto Parreira, chegara a pedir sua contratação publicamente. Rosinei afirma que só não vestiu a camisa do Tricolor Carioca por questões financeiras. É bom lembrar que o Fluminense convivia, no Brasileirão, com a ameaça iminente de rebaixamento, naquela histórica recuperação contra todos os prognósticos.

Nova chance

Um dos raros gols de Rosinei pelo América-MEX

Imagem de Amostra do You Tube

Sem um clube para jogar, Rosinei resolveu aceitar a proposta de dez meses do América (México), um dos grandes clubes do país da América do Norte. Quando desembarcou na Cidade do México, capital do país, o brasileiro percebeu que a infraestrutura do clube era invejável, o que lhe ajudou a se adaptar à altitude, aos próprios companheiros, já que não havia brasileiros, e até aos costumes. Aos poucos, a confiança dos 22 anos voltava ao jogador, que tinha 26, e agora jogava como segundo volante, posição em que se sente à vontade: “Estou animado, o futebol mexicano é melhor do que eu imaginava. Os times são muito competitivos”, disse ao jornalista Cosme Rimoli.

No Torneo Apertura de 2009, o América foi até as quartas-de-final, sendo eliminado pelo Monterrey, por 2×1 (placar agregado). Rosinei jogaria dez jogos, três como titular, se marcar gols. Antes do começo da segunda temporada, os dez meses de contrato de empréstimo terminaram. Porém, o América aprovou o atleta, comprando os direitos do jogador em definitivo e renovando seu vínculo por três anos, até 2013, em 22 de abril de 2010, segundo matéria do R7.

Disse Rosinei: “Estou muito contente no América, hoje muito mais por ter acertado a renovação. Agora, só penso em trabalhar e me esforçar ao máximo em campo para ajudar meus companheiros, porque temos uma grande equipe”. Agora completamente adaptado, somando-se Apertura 2010, Clausura 2011 e Libertadores, Rosinei jogou 36 vezes, 34 como titular, total de 2896 minutos em campo, sem gols marcados.

Quatro meses depois da renovação, foram publicadas notícias de que o brasileiro poderia se naturalizar mexicano e até defender a seleção nacional, o que ele afirmou estar pensando, na época. De fato, para se tornar mexicano, Rosei deve completar três anos atuando na liga nacional do país, o que acontecerá ainda em 2012.

Atualidade

Avaliado em 2 milhões de euros, o brasileiro convive com a possibilidade de estar na Copa do Mundo de 2014, com a camisa do México. Em âmbito nacional, Rosinei tem dez jogos pelo Apertura 2011, nove como titular, e até marcou seu golzinho, no último dia 14 de setembro de 2011, no empate diante do San Luis, por 2×2. O atleta recuperou o trilho da carreira, mas aquela expectativa do início da carreira ainda não se fez válida! Por esta razão, Rosinei pode ser considerado Eterna Promessa!

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