Nome: William Carlos Gomes
Data de nascimento: 07/02/1987 (25 anos)
Posição: atacante
Clubes: Rio Branco/Paraná (2007-08), Campo Mourão/Paraná (2008-09), Monte Carlo/Macau (2010), Andraus/Paraná (2010), Windsor Arch Kai I/Macau (2010-11) e Tai Po FC/Hong Kong (2011-atual)
Introdução
Natural de Astorga, interior do Paraná, William Carlos Gomes começou a carreira em times pequenos do estado, como acontece com quase todo jovem atleta. Porém, ele teve uma oportunidade de atuar no obscuro futebol de Macau, decidiu arriscar-se no país asiático, que tem o português como um dos idiomas oficiais, e hoje colhe os frutos dessa escolha.
Nesta entrevista exclusiva ao Plano Tático, o atacante aborda as dificuldades do início da carreira, as decisões que mudaram sua vida profissional e o que ainda espera do mundo do futebol. Boa leitura!
Início
Eu nasci em Astorga, cidade pequena próxima a Rolândia [24.700 habitantes, localizada a 420 km de Curitiba], mas foi em Rolândia que passei minha infância e é a cidade que eu gosto. Eu comecei no Atlético de Ibirama (Santa Catarina), joguei juvenil e primeiro ano de júnior. No final de 2005, saí e, por meio do Faleiros (um grande amigo meu), fui apresentado a um empresário, que me levou para o Rio Branco. No clube de Paranaguá, fiz um teste na equipe de juniores. Fui aprovado e, ao fazer um bom campeonato, sendo o vice-artilheiro com 16 gols, fui promovido para a equipe profissional.
No Campeonato Paranaense 2007, meu primeiro ano como profissional, joguei poucas vezes, apenas quatro partidas. De quebra, ainda entrando no segundo tempo, por isso não marquei gols [o clube foi sétimo colocado, dentre 16 equipes, se classificando para a 2ª Fase]. Na disputa do título, o Paranavaí foi o campeão, e eles mereceram o título, pois foram unidos, focados e determinados.
No ano seguinte, as coisas mudaram [o Leão da Estrelinha fez péssima campanha, somando apenas nove pontos em 15 partidas (2v, 3e, 10d), salvo da degola pelo saldo de gols]. O planejamento foi mal feito, e o trabalho se iniciou muito tarde, o que levou a equipe a fazer a pré-temporada às pressas. Faltou também mais comprometimento da maior parte do elenco, pois dava para perceber que os jogadores mais focados eram os mais antigos da casa.
Transferência
Ainda em 2008, aceitei defender o Campo Mourão, da segunda divisão do Paraná [dois meses depois do fim da elite estadual, se iniciou a segunda divisão]. Após rescindir contrato com o Rio Branco, fiquei um bom tempo desempregado. Então, surgiu a oportunidade de ir para o Campo Mourão, por meio do treinador. O que me levou a ir para o clube foi a oportunidade de recomeçar [a equipe terminou com 23 pontos em 14 jogos, um a menos que a zona de classificação para o Quadrangular Final].
No ano seguinte (2009), continuei no clube paranaense [que terminou em oitavo lugar dentre dez participantes, a três pontos da zona de classificação, que levou seis para a 2ª Fase], mas houve dificuldades. A maior delas é a estrutura, porque a maioria dos jogos era longe e viajávamos no mesmo dia. Era bastante cansativo, não havia nenhuma condição de se jogar bem com uma situação dessas.
Embarque para o exterior
Em 2010, um amigo meu me colocou em contato com um empresário chamado Luiz Carlos, que me deu a oportunidade de conseguir contrato com o Monte Carlo (Macau), no qual ele havia jogado há cerca de 15 anos. Sabia que o país asiático era considerado fraco em termos de futebol, mas minha intenção ao aceitar a proposta do clube era abrir portas para o futebol de Hong Kong ou até da China.
Além disso, também procurava crescer como profissional, pois no Brasil nem sempre é possível construir uma carreira no futebol, não te oferecem muitas oportunidades, se você não tiver os contatos certos. O que de certa forma me ajudou na adaptação à realidade de Macau foi o fato de outros brasileiros terem ido comigo na mesma época. Chegaram também ao Monte Carlo Gilberto [Ferreira, meia revelado na base do São Paulo], Lucas de Souza [zagueiro que começou no Videira/Santa Catarina], Adilson Silva [meia hoje no Benfica de Macau] e Juninho [goleiro que estava no Aquidauanense/Mato Grosso do Sul].
Na primeira temporada, que durou apenas dois meses, joguei pelo Monte Carlo aproximadamente 14 partidas, balançando as redes adversárias em 12 oportunidades. Vivi momentos muito especiais em 2010, pois pude jogar ao lado de amigos bem hospitaleiros, tive a oportunidade de fazer parte de um clube unido, o que fez grande diferença na competição [a equipe terminou em quarto lugar, nove pontos atrás do campeão Windsor Arch Ka I].
De uma maneira geral, o nível do futebol em Macau vem aumentando, principalmente com a vinda de técnicos brasileiros e portugueses. Porém, o futebol macaense ainda tem um longo caminho de evolução, pois os jogadores locais falham um pouco na parte técnica, apesar de serem bem preparados fisicamente. A ida de jogadores brasileiros vem melhorando o nível da liga nacional.
Outro importante fator, pelo menos no Monte Carlo, é o estádio Campo Desportivo [16 mil lugares, reformado em 2005], que tem estrutura de primeiro mundo e um centro de treinamento para várias modalidades. Ele se equipara a um estádio de Série A no Brasil.
Gols de William Gomes em Macau





