Nome: Rodrigo Grahl
Data de nascimento: 21/02/1977 (35 anos)
Posição: atacante
Clubes: Grêmio-RS (1995-97, 1998-00 e 2001), Juventude-RS (1998), Flamengo (2000-01), Sport-PE (2001), Jubilo Iwata/Japão (2002-05), Yokohama Marinos/Japão (2005-06), Omiya Ardija/Japão (2006), Al Khor/Catar (2007-08), Al Sadd/Catar (2009), Bahia-BA (2010), Santa Cruz-PE (2011) e DPMM FC/Brunei (2012-atual).
Continue acompanhando a entrevista exclusiva de Rodrigo Grahl ao Plano Tático! Logo abaixo, o link para a Parte 1 do bate-papo! Boa leitura!
Link Parte 1
Japão
Quais foram seus objetivos ao se mudar para a J League, mais precisamente para o Jubilo Iwata?
Foi um grande clube em minha carreira, devo muito ao Jubilo Iwata. Quem me levou para o Japão foi o Dunga [ex-técnico da seleção brasileira na Copa de 2010], que era diretor do clube japonês aqui no Brasil. Eu o procurei e embarquei para a Ásia, com a ajuda de Dunga, que era um ídolo maior no clube [jogou entre 1995-98], mas tive de abrir mão do que o Grêmi me devia para ir para o Japão.
Lá, conquistei sim meus objetivos, vencendo o Campeonato Japonês 2002 [em 15 jogos, foram 36 pontos, três a mais que o Yokohama Marinos] e a Copa do Imperador 2003 [venceu o Cerezo Osaka por 1 a 0, na final], graça a Deus e para honra e glória de Jesus. Só não consegui levantar a Liga dos Campeões da Ásia.
No terceiro ano (2004), você também foi artilheiro (16 gols em 26 partidas), mas em 2005, seu último com a camisa do clube, jogou apenas cinco vezes, sem marcar. Por que se transferiu para o Yokohama Marinos, no meio da temporada?
Sou o maior artilheiro estrangeiro do Jubilo Iwata, porém, deixei o clube por desavenças com o treinador [japonês Makasuni Yamamoto, de 53 anos]. Joguei toda a Copa do Imperador 2005 machucado e fomos eliminados nas quartas de final [derrota de 1 a 0 para o Shimizu S Pulse]. Vim para o Brasil a fim de tratar a lesão, depois de avisá-lo, e expliquei que voltaria direto na pré-temporada, uma semana depois de meus companheiros, pois essa era a previsão do meu fisioterapeuta. .
No retorno ao Jubilo Iwata, tínhamos pela frente a Liga dos Campeões da Ásia e meu objetivo era brigar pela artilharia, mas também por meu contrato de patrocínio, pois ganhava bônus se jogasse e marcasse gols. Porém, ele falou para mim que iria dar a posição de titular para outro jogador, pelo fato de eu ter chegado atrasado na apresentação.
Aí eu perdi a cabeça e só não briguei com ele porque o intérprete me segurou. Falei a [Makasuni Yamamoto] que ele não era homem e que não tinha palavra e avisei que não jogaria mais com ele. Fiz, portanto, sete partidas no primeiro semestre e só marquei gols [dois] na Liga dos Campeões, porque era meu objetivo.
Na J League, pedia para não jogar e acabei negociado com o Yokohama Marinos. Na época, o clube estava em 16º lugar e terminamos em nono [48 pontos em 34 partidas, 12 atrás do campeão Gamba Osaka]. Depois, deixei o clube e fui para o Omiya Ardija, meu último clube no Japão [cinco gols em 11 partidas].
Catar
No Catar, Grahl defendeu Al Khor e Al Sadd
O que pode dizer da qualidade dos jogadores catarianos? Há alguma chance de, em sua opinião, o Catar levar para a Copa de 2022, a ser realizada no país, uma boa seleção?
O Catar é uma potência em petroléo e sabe-se que o país tem muito dinheiro em jogo. É um território pequeno, em pela aceleração, mas isso não quer dizer que a seleção nacional terá um grande desempenho no futuro. Tudo porque a maioria dos jogadores que atua na liga nacional catariana é de outros países, pois o Catar fornece passaportes.
Há brasileiros, africanos e agora tem o técnico brasileiro Paulo Autuori, comandante das seleções olímpica e principal [esta desde 19 de fevereiro de 2012, substituindo Sebastião Lazaroni], que virou ícone nacional. Há também o técnico uruguaio Jorge Fossati no Al Sadd [atual campeão asiático, jogou o Mundial de Clubes da FIFA]. Na verdade, são poucos os jogadores locais, a maioria vem mesmo de outros países para receber passaportes. Essa é a realidade no futebol nacional, mas torço pelo Catar.
Valeu a pena defender clubes do país asiático, fora de campo?
Para mim valeu muito conviver com culturas tão diferentes e aprender com outras pessoas a maneira delas de viver nas dificuldades, nas alegrias. O Brasil é único em tudo, cultura, alimentação terras, água, tudo diferente e ainda assim há pessoas passando fome, morrendo em filas de hospitais, o que é revoltante demais. Nossa cultura prioriza os carnavais e deixa o povo sem estudo – sobre isso, você, como jornalista, sabe melhor do que eu.
Com certeza, em termos de experiência de vida, é único ter passado por isso, com os sacrifícios inerentes à uma grande mudança. Mas tenho prazer e alegria de fazer minha profissão valer a pena. Posso dizer sem dúvida que no meu caso fui feliz e realizado. Glória a Deus por tudo!
Volta ao Brasil
Gols de Rodrigo Grahl pelo Bahia
Por que decidiu retornar ao futebol brasileiro, já com 33 anos, ainda mais num clube de massa, caso do Bahia?
Bem, minha volta ao país foi diferente. Estava acertado com o Cerro Porteño do Paraguai para a disputa da Libertadores da América. O time fazia pré-temporada em Porto Alegre, minha cidade natal, quando tocou meu telefone, enquanto estava indo para o treino. Meu empresário havia me ligado e me disse que o Bahia-BA tinha uma proposta e que o técnico Renato Gaúcho havia pedido minha contratação.
Tinha que viajar às 18h e não pensei duas vezes. Fui para Salvador, pois jogar em meu país natal era tudo o que queria, ainda mais num clube de massa, povão mesmo. Tive uma identificação muito grande e graças a Deus pude jogar pelo Bahia e fazer parte dessa história de resgate da imagem do clube, no retorno à Série A do Campeonato Brasileiro [em 2010, como terceiro colocado da Série B].
Explique a história que motivou a sua saída, por vontade própria, do Santa Cruz-PE.
Tive o maior carinho e respeito por todos do clube e pelo esforço do presidente e da comissão técnica em me contratar, pois tive alguns problemas particulares por resolver, e eles me esperaram e me deram apoio. Infelizmente, tive duas lesões em 2011, mesmo sendo campeão [pernambucano] nessa última contusão. Pedi para sair do clube, em razão de receber um valor alto de salário, além de saber da dificuldades financeiras do clube e da necessidade de o Santa Cruz voltar à Série C do Brasileirão.
Na época da minha contratação, foi-me passado todo um projeto para eu poder defender o Santa Cruz e abracei isso, tanto que voltei para o clube duas vezes, mas a última lesão demoraria três meses para curar. Assim, decidi sair, sem ônus para o clube, para me tratar em casa, perto da minha família. Sou grato e sei que tive o carinho de todos, tanto que até hoje me mandam notícias e o Santinha vai voltar a ser grande, como sua torcida! Amém!
Apresentação oficial de Rodrigo no Santa Cruz
Brunei
Aos 34 anos, você aceitou proposta do DPMM FC, clube de Brunei, mas que atua na liga nacional de Cingapura. O que o motivou a acertar o vínculo?
O DPMM FC é um clube do Sultão, que tem um projeto de voltar a disputar a primeira divisão de Cingapura, depois de dois anos de punição pela FIFA [atualmente, o clube joga a competição e é quarto colocado,com sete pontos, dois a menos que o líder, com um jogo por disputar; Rodrigo Grahl marcou um gol na competição]. Então, a minha decisão de jogar por esta equipe é mais uma motivação e desafio para buscar o título, sempre o melhor possível dentro da profissão. Sempre tento vencer os obstáculos e, se você não sentir um friozinho na barriga, não tiver vontade de lutar para vencer uma partida, tem que parar de jogar.
O que ainda espera conquistar na carreira profissional, quais são seus planos?
Eu tenho isso comigo e ainda vou dar e fazer o máximo sempre, até quando sentir prazer em jogar futebol, vontade de estar em campo. Sempre abdiquei das coisas pela minha profissão, para dar meu máximo e prolongar a minha carreira sempre que possível. Graças a Deus tenho saúde!
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