O Campeonato Amazonense 2013, que começa amanhã, 16 de fevereiro, promete ser a arrancada de uma mudança completa. Em 9 de dezembro de 2012, o governo do Amazonas, que afirma ter gasto cerca de R$ 6,5 milhões em cinco anos com os clubes, sem retorno em nível nacional, lançou um desafio para lá de complicado: a instituição pretende contar com um clube amazonense no Campeonato Brasileiro da Série B 2015, ou seja, em 2013 um time do estado terá de subir para a Série C 2014, e conseguir nova promoção na temporada seguinte.
Porém, a realidade do futebol praticado no Amazonas, uma das sedes da Copa do Mundo 2014, é bem diferente e não permite, hoje, sonhar com um time na segunda divisão nacional, que teve o São Raimundo como último participante, em 2006 (veja como se encontra a equipe atualmente).
Ainda em 2012, durante a Copa do Brasil feminina, o Conselho Regional de Educação Física autuou dois técnicos que treinavam suas equipes sem registro algum na profissão. A entidade alegou que os jogos do Campeonato Amazonense realizados em Manaus eram fiscalizados, mas ficou a dúvida. Ao final da temporada 2012, a federação local pagou R$ 100 mil ao Nacional, sendo metade para o vice-campeão FAST e R$ 5 ao artilheiro, montantes tratados como fortuna pela imprensa – para 2013, os valores dobraram. Veja mais a respeito da situação de alguns clubes do estado!
Penarol
No Campeonato Brasileiro Série D 2012, o Penarol representou o estado, mas foi eliminado na primeira fase, ficando em quarto lugar, melhor apenas que o Náutico (Roraima). Porém, o que mais pesou para o time de Itacoatiara foram as dívidas contraídas (veja mais detalhes aqui), mesmo com a ajuda da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O clube não recebeu o dinheiro prometido pelo governo e o presidente Daniel Macedo teve de pedir empréstimo pessoal para quitar os compromissos – sem contar as viagens, de 20 horas dentro do ônibus. O Penarol amargou cerca de R$ 30 mil de revés só com os jogos em casa. Daniel Macedo, devido à falta de dinheiro em caixa, sugeriu promover festas na sede do clube, como bingos, com o fim de arrecadar dinheiro para a temporada 2013.
Tanta dificuldade motivou o treinador da equipe, Aderbal Lana, a temer pelo futebol local: “Se algo não for feito, as coisas continuarão paradas. E isso vem acontecendo há muito tempo. O torcedor vem ficando, a cada ano, mais distante do nosso futebol, e entramos neste marasmo em que vivemos após o fim do calendário”, criticou.
Rio Negro
Com 100 anos em 2013, o Rio Negro, que já frequentou a segunda divisão estadual, conviveu com problemas graves no início da temporada. Waldir Landim, diretor da equipe, ameaçou deixar o cargo por falta de apoio financeiro ao clube: “Precisamos de R$ 450 mil para ter um time competitivo, mas temos apenas R$ 200 mil, sendo R$ 100 mil da minha empresa”.
O Rio Negro ficou sem diretor em 11 de janeiro de 2013, mas o presidente Eymar Gondim confirmou o clube na competição, pois seria um vexame o Rio Negro não jogar o estadual justamente no centenário. Nem as ajudas do governo (R$ 2,5 milhões, R$ 200 mil para cada equipe) e da prefeitura de Manaus (R$ 50 mil para cada time da cidade) resolveram a situação, pois Landim tinha medo de os valores serem encampados pela Justiça, por dívidas trabalhistas não pagas.
No início de janeiro, o Rio Negro empossou o novo presidente, Thales Verçosa, que prometeu profissionalizar o clube e melhorar a gestão do futebol. Robson Roberto da Silva, o novo diretor de futebol, manteve o discurso do mandatário, falando até em Série B do Brasileirão no longo prazo. Na apresentação do elenco, em 24 de janeiro, outra promessa: os salários não vão atrasar mais. Em amistoso de pré-temporada, a equipe perdeu de 1 a 0 para o CA Martins, equipe amadora.
Nacional
Nem o atual campeão e maior vencedor da história do estadual, com 41 títulos, contra 17 do Rio Negro, escapou de problemas. Na Copa São Paulo de Juniores 2013, o Naça caiu na fase de grupos, somando três pontos em três rodadas. As dificuldades, porém, se iniciaram antes do embarque: a diretoria custou para conseguir as 27 passagens para a delegação viajar para o estado de São Paulo, que custavam R$ 28 mil (ida e volta).
Os atletas ameaçaram parar os treinos, mas disputaram o torneio – o time viajou um dia antes da estreia e chegou no dia do jogo. Na volta, outra situação constrangedora: as passagens não foram enviadas e os 22 atletas e comissão técnica ficaram dois dias no aeroporto. O técnico Darlan Borges disse que pagou os bilhetes de ida e que era responsabilidade do Nacional arcar com a volta. Já o clube alegou, em nota oficial, a terceirização do time para Darlan, que não pagou as passagens de volta – no fim, toda a delegação pôde retornar a Manaus.
O novo presidente do clube, Mário Jorge Teveira, prometeu profissionalismo moderno, dando atenção ao patrimônio do clube, fazendo-o gerar renda para o futebol, atividade mais visada e importante. A tecnologia também será utilizada, com 24 aparelhos de GPS, que detecta velocidade, tempo de treinamento e distância percorrida de cada atleta, que será pesado antes e depois dos treinos, em acompanhamento com uma nutricionista – é bom lembrar que o time jogará a Série D do Campeonato Brasileiro 2013, em razão do título amazonense de 2012.
Sem campo
Sem datas suficientes para os jogos do estadual, já que o SESI, que pertence a uma entidade, definiu que só vai liberar o estádio uma vez por semana, e não duas, a tabela teve de ser modificada. Sem o estádio da Colina – ganhou aportes de R$ 21 milhões do Ministério do Turismo –, que sofrera danos com as chuvas, a intenção era utilizar as praças de jogos do interior. Após reunião com o governo, ficou decidido que um estádio de 1.296 lugares será construído em Manaus, para abrigar partidas de pouca visibilidade.
Pode-se perceber, portanto, que a meta orquestrada pelo governo do Amazonas de um time na Série B do Brasileirão em dois anos parece ainda muito distante de ocorrer. Muito trabalho terão pela frente dirigentes, federação e jogadores do estado!
Informações
- O Sul América foi rebaixado para a segunda divisão em 2011, mas volta à elite em 2013, mesmo sem jogar, já que a federação local decidiu extinguir a competição, por falta de clubes. Mas as dificuldades continuam: Em 29 de novembro de 2012, três meses antes do início do certame, o Sul América só tinha o técnico, segundo o presidente Luis Costa.
- O Princesa do Solimões só começou a contratar em 10 de dezembro de 2012, depois de acertar o apoio da prefeitura. O técnico, por exemplo, recebeu o “aval” do prefeito: “O prefeito é a bola da vez, pois queremos que ele nos ajude a montar uma equipe que possa brigar pelo título”, palavras do presidente do clube, Holosernes Gonçalves Leite.
- O Tarumã, também beneficiado pela extinção da segunda divisão, não tinha nem sede para jogar, a sete meses do início. Sem dinheiro, a base do time será de atletas das divisões de base, logo na estreia no futebol profissional. A equipe recebeu negativa do município de Borba e estaria tentando Iranduba, que quase teve o estádio reprovado.
- O Iranduba não recebeu apoio da prefeitura por questões políticas e quase ficou sem casa para jogar, por falta das reformas necessárias. O secretário de Esportes da cidade, Genilson Ferreira da Silva, prometeu que Iranduba terá jogos e que as reformas serão realizadas logo após o Carnaval. Os treinos só começaram em 28 de janeiro de 2013.
- O FAST não ganha um título estadual desde 1971 (42 anos), mas o técnico Cláudio Marques promete colocar fim ao jejum. Ele gostou da estrutura do clube, com dois campos de futebol, e não permitirá interferência de dirigentes no time, como normalmente acontece: “Quero colocar água no chopp dos favoritos ao títuloPaulo Radim”, disse. O time jogará em Manaquiri, a 60 km de Manaus, e conta com uma estrela, o filho do ex-lateral direito da seleção brasileira Josimar na Copa de 1986, jogador do clube entre 1992-94. Josimar Júnior tem 23 anos e veio do CFZ (Rio de Janeiro).
- O Holanda ameaçou não jogar o estadual, por discordar do regulamento, que prevê poucos jogos (apenas nove na primeira fase) em três meses, justamente na época de chuvas. Paulo Radim, mandatário dos laranjas, afirmou que não consegue patrocínios, pois ninguém vai investir para um mínimo de nove partidas.
Jogos 1ª rodada
Grupo A
16/02 | Nacional x Rio Negro
24/02 | Princesa do Solimões x São Raimundo
*Sul América folga
Grupo B
16/02 | Tarumã x FAST
16/02 | Penarol x Holanda
*Iranduba folga





