Plácido de Castro - Plano Tático

Por que o Vila Aurora-MT perdeu de 9×1 na Série D?

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Por Matheus Laboissière

No dia 10 de setembro de 2011, pela penúltima rodada do Grupo A da 1ª Fase do Brasileirão Série D, o Vila Aurora-MT viajou até Rio Branco, capital do Acre, para encarar o Plácido de Castro-AC. Que dia desastroso para a equipe matogrossense que, além de terminar na lanterna, ainda teve de arrumar espaço dentro do micro-ônibus a fim de levar para Rondonópolis os nove gols sofridos! A partir de agora, entenda a maratona que os heróis do Vila Aurora tiveram de enfrentar para poderem representar a equipe no Acre! Boa Leitura!

A vaga

Antes de se analisar o jogo em si, é importante ressaltar de que maneira o Vila Aurora-MT conseguiu participar da Série D. Inicialmente, a vaga de Mato Grosso coube apenas ao Cuiabá, campeão estadual. Entretanto, o estado do Centro-Oeste acabou agraciado (veja detalhes), podendo enviar outra equipe, em razão da desistência de todos os clubes de Rondônia, por questões financeiras (veja matéria especial sobre a renda dos clubes rondonienses)

Assim, o Vila Aurora aceitou disputar a Série D, rejeitada por Barra do Garças e União Rondonópolis (veja aqui – título Mato Grosso), sabendo que iria encarar distâncias astronômicas para jogar contra Penarol (Amazonas), Plácido de Castro (Acre) e Nacional (Amazonas) – o Cuiabá era o mais perto.

A viagem

Manhã de quinta-feira, 8 de setembro. A penúltima partida do praticamente eliminado Vila Aurora é diante do Plácido de Castro, na capital acreana, Rio Branco. O jogo acontecerá no estádio Arena da Floresta (16.000 lugares), no domingo, dia 10, às 17h. Porém, é hora de a delegação do Tigrão botar o pé na estrada! Na estrada?

Isso mesmo, caro Leitor Plano Tático! De acordo com matéria do site Globoesporte.com, a equipe matogrossense, de folha salarial de apenas R$ 50 mil mensais, cuja diretoria não tinha mais esperança de classificação, viajou por via terrestre até Rio Branco. A distância exata entre Rondonópolis e a capital acreana era de 2.100 km e o percurso, feito de micro-ônibus (para economizar), duraria mais ou menos um dia e meio (35 horas).

Logicamente, alguns atletas não aceitaram participar dessa longa maratona. Nove deles se recusaram a sentar num banco por tantas horas no pequeno veículo. Assim, tendo de cumprir a tabela por receio de punições da CBF por W.O – costuma-se suspender o clube de competições nacionais por dois anos –, a diretoria do Vila Aurora decidiu viajar, mas com uma equipe cheia de atletas sub-18.

Em entrevista ao mesmo site, o técnico Manoel Paulo disse que os jogadores só puderam fazer alongamento em algumas paradas na estrada. Sequer treinaram com bola, durante três dias. “O que nos leva a fazer esse tipo de coisa desumana é a vontade de vencer, de realizar o sonho do futebol. Essa realidade não é fácil de se mudar, mas, paciência, temos que trabalhar e buscar algo melhor”, desabafou Manoel Paulo.

O jogo

Arena da Floresta, estádio em que o Vila Aurora jogou

Domingo, 10 de setembro. Quase 17h, horário de Rio Branco. O time do Vila Aurora, cansado da longa viagem, tem uma partida difícil pela frente. Além da boa campanha do Plácido de Castro, que brigava por classificação, os jogadores que aceitaram a maratona imposta pela diretoria do Tigrão precisavam mostrar algo de positivo, até porque atletas da base estavam tendo a grande chance da curta carreira.

De acordo com o site Globoesporte.com, o banco de reservas dos visitantes estava quase vazio. Apenas dois atletas se encontravam lá, além do massagista e do roupeiro – o clube não levou preparador físico nem auxiliar técnico, também para economizar. Com 16 minutos de bola rolando, o placar já apontava 3×0 para os donos da casa. Os poucos 133 torcedores que assistiam à partida – é importante dizer que o Plácido de Castro é sediado na cidade de mesmo nome, a 100 km de distância – comemoravam muito.

No intervalo, o Plácido já ganhava por 5×1, com o gol de honra do Vila Aurora tendo sido marcado por Eliezer, de apenas 18 anos, segundo volante e meia da base do clube. O último dos nove gols marcados pelos anfitriões chegou já aos 41 minutos da etapa final, quando certamente os atletas do Tigrão estavam exaustos. Os dois jogadores do banco de reservas entraram (veja foto abaixo; clique para ampliar), no início do segundo tempo, mas não conseguiram impedir a goleada.

Após a partida, o diretoria de futebol do clube, Wellington Douglas, falou ao Globoesporte.com, procurando explicar a situação: “É algo desumano, mas para nós, que estamos no mundo da bola, tudo é válido. Buscamos o nosso sonho de sair de divisão, ir para a C, para a B… Então, é o que temos que fazer”, afirmou.

Documento do Vila Aurora anexado à súmula da partida; dois jogadores no banco

Salários

Após se despedir do Campeonato Brasileiro da Série D, com mais uma derrota, diante do Nacional-AM, por 3×1, em casa, outro problema bastante comum nos clubes brasileiros acometeu o Vila Aurora: atraso no pagamento. Mesmo com os R$ 50 mil mensais de ordenados, a diretoria não conseguiu honrar os compromissos.

Em entrevista ao mesmo site, o atacante Didi Cearense afirmou que não recebia há 45 dias e que pediu para deixar o clube, já que acertara sua ida para o Fortaleza-CE: “Pedi para ir embora, eles ficaram de acertar comigo e sumiram, não aparece mais nenhum diretor que resolva a situação. Ligo e ninguém atende”, reclamou.

A explicação do diretor de futebol, Wellington Douglas, é de que a diretoria aguarda um repasse de um patrocinador que ficou de ajudar. Ele próprio afirmou que ainda não recebeu o que lhe é de direito, assim com outros jogadores, em matéria publicada em 19 de setembro.

A situação ainda não se resolveu e a promessa do presidente do clube, José Carlos Filho, é de que tudo seja acertado até amanhã, sexta-feira (23 de setembro). O Vila Aurora, mesmo diante das dificuldades financeiras, está disputando a Copa MT e já entrou em campo uma vez, empatando com o União Rondonópolis, por 1×1, no clássico municipal.

Mais uma vez, o Plano Tático cobra da CBF ajuda aos clubes que disputam a Série D – como também a Série C –, pelo menos com passagens e hospedagens por conta da entidade que rege o futebol nacional. Caso contrário, aos poucos a Série D, que já é conhecida como a divisão das desistências (veja matéria especial publicada pelo Plano Tático, em três partes) será esvaziada pelos clubes e desprestigiada pelos próprios jogadores, pois salários em dia e condições adequadas para se praticar o futebol é a exceção no mundo atual da 4ª Divisão! Abre o olho CBF!

Mata-mata

A 1ª Fase da competição terminou e 16 clubes continuam na briga pelas quatro vagas à Série C de 2012. Confira os confrontos das oitavas-de-final, que serão realizados nos dias 25 de setembro (ida) e 2 de outubro (volta):

Cuiabá (Mato Grosso) x Sampaio Corrêa (Maranhão)

Independente (Pará) x Penarol (Amazonas)

Santa Cruz (Rio Grande do Norte) x Treze (Paraíba)

Coruripe (Alagoas) x Santa Cruz (Pernambuco)

Tupi (Minas Gerais) x Volta Redonda (Rio de Janeiro)

Villa Nova (Minas Gerais) x Itumbiara (Goiás)

Oeste (São Paulo) x Cianorte (Paraná)

Juventude (Rio Grande do Sul) x Mirassol (São Paulo)

Os destaques ficam por conta dos mineiros Villa Nova e Tupi, que procuram quebrar o fantasma dos clubes do estado, que chegam perto, mas não conseguem ascender à Série C (veja matéria especial). O Juventude-RS também merece menção, por ser o único dos rebaixados da Série C 2010 que permanece com chances de promoção (veja detalhes completos).

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