A temporada 2011 do futebol armênio, em que o Pyunik acabou perdendo a possibilidade de emplacar 11 conquistas consecutivas na 1ª Divisão (veja o resumo completo), reservou um fato inusitado. Nenhum dos dez participantes da elite foi rebaixado para a 2ª Divisão, ao final das 28 rodadas. O regulamento da competição prevê que apenas o lanterna desce para a Armenian First League, o que não foi o caso do Ararat.
A equipe da capital Yerevan, maior cidade da Armênia, com 1,1 milhão de habitantes, somou míseros dez pontos (2v, 4e, 22d), ficando 15 pontos distante do penúltimo colocado, o Shirak FC, que acumulou 25. Porém, mesmo diante do fraco desempenho na temporada, o Ararat está confirmado na Premier League da Armênia em 2012.
O motivo pelo qual o Ararat se salvou da degola é muito simples. Na 2ª Divisão de 2011, todas as nove equipes que jogaram a competição são times B – e até C, no caso do Pyunik 3 – dos clubes da elite nacional. O atual campeão da Segundona, o Shengavit, não passa de um time B do Ulisses FC. Em 24 partidas, o time de Yerevan somou 53 pontos (17v, 2e, 5d), sete a mais que o time B do Mika (Mika II). Como um mesmo clube não pode ter duas equipes num campeonato, as divisões permanecem inalteradas! E não é a primeira vez que equipes B vencem a 2ª Divisão armênia…
História
Levando-se em conta todos os campeonatos armênios já disputados, desde que o país se desmembrou da antiga União Soviética (dissolução em 1991), em várias temporadas os times B conseguiram o título da 2ª Divisão. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1997. Na ocasião, a Federação de Futebol da Armênia (FFA, em inglês), permitiu a promoção do Shirak Gyumri 2, que participou da elite armênia de 1998, junto do Shirak Gyumri, o principal (a título de curiosidade, o time A ficou em segundo, com 61 pontos, enquanto o B acabou na lanterna, com apenas um ponto em 20 rodadas).
Entre 2004 e 2008, o futebol armênio conviveu com o domínio ferrenho dos times B, em especial o Pyunik 2. No primeiro ano, o time B do Pyunik somou 83 pontos em 30 rodadas, perdendo apenas um jogo. Logicamente, dessa vez a FFA não permitiu a subida. Assim, o segundo colocado, Lernayin Artsakh Stepanakert, foi agraciado com a 1ª Divisão. No ano seguinte, lá estava o mesmo Pyunik 2 levantando o troféu de campeão, ao terminar as 24 rodadas com 57 pontos.
O time B da capital não subiu, mas o Ararat 2 conseguiu a promoção. Simplesmente porque o time A do clube havia sido rebaixado no mesmo ano! Como não haveria duas equipes do clube em uma mesma divisão, a FFA permitiu a mudança (obviamente, na prática, o Ararat se salvou do rebaixamento). Em 2006, o Pyunik 2 conquistou o tricampeonato da 2ª Divisão, com 45 pontos em 18 partidas (apenas uma derrota), mas o Lernayin Artsakh é que acabou fazendo a festa.
2007 foi um ano atípico. Exceto pelo novo troféu do Pyunik 2, os três primeiros colocados da 2ª Divisão eram times B e não puderam subir. Melhor para o Dinamo Yerevan, que ficou atrás de Pyunik 2, Mika 2 e Ararat 2, mas conseguiu a promoção. Aliás, mesmo se tivesse ficado em último, o clube também seria promovido, haja vista todos os outros participantes eram times B, além de uma equipe sub-17 do Patani (Banants 3).
Em 2008, a 2ª Divisão teve oito times, com o Shengavit sagrando-se campeão, após somar 60 pontos em 28 partidas (18v, 6e, 4d). A diferença para o segundo colocado, o Pyunik 2, foi de 11 pontos, mas ambos continuaram na mesma divisão. Detalhe que o Shengavit é o time B do Ulisses FC. Naquele ano em especial, ocorreu o mesmo problema de 2011. Todos os oito participantes da 2ª Divisão eram times B, enquanto o Banants ainda tinha, além da segunda equipe, um time C (Patani Yerevan). Assim, o Kilikia Yerevan, lanterna da elite armênia em 2008, com apenas 11 pontos em 28 partidas (2v, 5e, 11d), foi salvo da degola.
Necessidade
Gols da vitória armênia sobre a Eslováquia, por 3 a 1, pelo Qualificatório da Euro 2012
É fato que o futebol da Armênia atravessa um momento de crescimento, que pode ser corroborado pela boa campanha nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (veja detalhes aqui – texto 1), em que a seleção nacional ficou perto de disputar a Fase Final do torneio, na Polônia e na Ucrânia. Os 17 pontos em dez partidas (5v, 2e, 3d), seis atrás da Rússia, líder do Grupo B, e quatro a menos que a Irlanda, não foram por acaso.
Os armênios terminaram à frente da Eslováquia, que foi à Copa do Mundo da África do Sul, e abriram grande vantagem para os antigos companheiros de fundo de tabela, Macedônia (oito pontos) e Andorra (zero ponto). No que tange à seleção nacional, o Pyunik domina entre os convocados locais, mas equipes do leste europeu, principalmente as da Ucrânia e da Rússia, começam a abrir os olhos para o mercado de jogadores armênios.
A média de idade dos atletas convocados para os dois últimos jogos oficiais, de 24,7 anos, mostra que o futuro pode ser ainda melhor no que tange a resultados dentro de campo. Agora só falta a Federação de Futebol da Armênia trabalhar duro para trazer de volta ao futebol profissional dezenas de clubes que se debandaram no início dos anos 2000, a fim de diminuir anomalias como as que ocorreram em 2008 e 2011. É hora de fortalecer o Campeonato Armênio!
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