Parraga - Plano Tático

Parraga: o arquiteto da bola – Final

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Hoje, terça-feira, é dia da Parte Final da entrevista exclusiva do técnico Parraga ao Plano Tático! Ele abordará a função de treinador e sua história com a prancheta nas mãos. Boa leitura!

Parte 1

Técnico

Em sua opinião, um bom técnico necessariamente deve ter sido jogador de futebol profissional?

Sim e não. Porque, se um ex-atleta não souber se comunicar ou não souber dar um treinamento, de nada ajuda. Alguém que não jogou poderá ter dificuldades em demonstrar o que deseja, pois não tem a prática. A vantagem do ex-atleta está na prática. Se ele for bom na comunicação, aí é excelente. Eu acho que tem lugar para as duas situações.

Hoje em dia há muita reclamação de que os jogadores brasileiros são mimados, têm muito poder sobre técnicos e diretoria. Qual a sua opinião, que viveu os dois lados?

Isso é um grande problema, pois às vezes os dirigentes tiram a autoridade de um técnico para proteger uma promessa, que nem sempre se torna um craque. Aí o cara vira um mala das grandes (risos).

Pode elencar quais jogadores você já treinou e que hoje têm reconhecimento no mundo do futebol, nacional ou internacionalmente?

Eu sempre falo que trabalhei com muitos atletas e que não trabalhei sozinho, pois o jogador passou por vários técnicos nas categorias de base. Mas posso destacar alguns como: Doriva ex-São Paulo-SP [meia que jogou por Porto-POR, Sampdoria-ITA, Celta de Vigo-ESP, Middlesbrough-ING e Blackpool-ING, além de vários clubes brasileiros; encerrou a carreira aos 35 anos, no Mirassol-SP, por problemas cardíacos] e Flavio Conceição ex-Palmeiras-SP [45 jogos pela seleção, entre 1995-00, com quatro gols marcados, o volante ainda defendeu La Coruña-ESP, Real Madrid, Borussia Dortmund-ALE e Galatasaray-TUR, encerrando a carreira em 2006, pelo Panathinaikos-GRE].

Há também o Ailton ex-Werder Bremen-ALE [atacante ainda em atividade, aos 38 anos, jogador do Rio Branco-SP; jogou na Áustria (Altach), na Sérvia (Estrela Vermelha), China (Chongqing Lifan), entre outros], Rafinha, do Coritiba-PR [lateral-direito do Bayern de Munique-ALE, aos 26 anos; jogou também pelo Schalke 04-ALE e no Genoa-ITA], além de Sylvinho ex-Corinthians-SP [Arsenal-ING, Celta de Vigo-ESP, Barcelona-ESP e Manchester City-ING; aposentado desde 7 de julho de 2011, é auxiliar-técnico no Cruzeiro-MG].  Há outros, mas esses ganharam mais destaque.

Você tem vasta experiência em treinamento de jovens, ainda nas divisões de base. Já houve algum caso de você também exercer o papel de educador perante a algum garoto habilidoso, mas que não tinha a cabeça no lugar?

Tive vários casos e ainda vão acontecer muitos. Normalmente, os atletas vêm para o clube cheio pensamentos errados na cabeça. Cabe ao treinador trocar essas ideias por coisa boa, o que às vezes demora um pouco. Nesses casos, o procedimento é ter firmeza nas suas decisões e convencê-los de que o que você está passando a eles é o melhor para o seu futuro como atleta. Existem casos de atletas que gostam de roubar, são mentirosos, vêm de famílias desestruturadas, pais alcoólatras e muitas coisas mais.

Em 1993, você treinou o Novorizontino-SP, equipe extinta em 1999. Participou do Paulistão daquela temporada?

Não trabalhei no Paulista e sim na seletiva para o Campeonato Brasileiro da série B [No Grupo São Paulo, o clube ficou na chave 1, ao lado de Ferroviária, América São José do Rio Preto, Noroeste, Marília e Botafogo Ribeirão Preto; ao final conseguiram a vaga na 2ª Divisão nacional Mogi Mirim, Ponte Preta e América].

No ano seguinte, você trabalhou no Monte Azul, que jogava a 4ª Divisão. O clube chegou a ser promovido, mas parece que o estádio não foi aprovado pela Federação Paulista de Futebol (FPF), que cancelou a ascensão da equipe. Você lembra algo a esse respeito?

Lembro sim. Era a Série B1B e o Monte Azul foi campeão e pulou duas divisões. Porém, infelizmente, o estádio era pequeno e o clube ficou na B1A

Portuguesa-SP

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Você ajudou a montar a equipe da Lusa, campeã da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2002. Quais jogadores se destacaram nessa equipe?

Os zagueiros Juninho e Luiz Henrique, o lateral-esquerdo Julio César, os volantes Lelo, Ivan Santos e Bruno Rosa, além do meia-atacante Danilo Gomes e dos atacantes Kesley e Danilo Bueno [defendeu a Lusa entre 2002-03, passou por Vitória-BA e estava no Bragantino-SP].

Qual a importância dessa competição para o futebol brasileiro, em sua opinião?

Para mim é um grande campeonato. Além de colocar na vitrine muitos novos talentos, é um torneio muito gostoso de disputar.

Audax-SP (ex-Pão de Açúcar)

Você trabalhou no clube entre 2003 e 2008, participando da profissionalização da equipe, que ocorreu em 17 de maio de 2004. O que o clube paulista pode oferecer de positivo ao futebol brasileiro?

No meu entender é o trabalho planejado e sério o que foi implantado. Com certeza, a responsabilidade profissional de seu criador, José Carlos Brunoro [atual diretor de marketing da Confederação Brasileira de Basquete, ainda é dono do Audax e tem empresa de negócios no esporte], com o qual tenho muito orgulho de ter trabalhado. Mesmo sentimento com o Thiago Scuro [gerente geral do Audax].

Em seu último ano pelo Audax, 2008, o clube deu a arrancada no futebol estadual, sendo campeão da 4ª Divisão no mesmo ano. A equipe tem ainda um título paulista sub-17 (2008) e dois vice-campeonatos estaduais sub-17 (2007) e sub-15 (2007). Há algum jogador desses elencos que você aposta que irá fazer a diferença na carreira profissional?

Já saiu o zagueiro Bruno Uvini, 20 anos, que está no São Paulo-SP e é capitão da seleção sub-20 do Brasil. Temos também o volante Paulinho atualmente no Corinthians-SP, que é dessa época, além de Bruno Andrade [atacante de 22 anos que defende o St. Truiden (Bélgica)] e Rafael Martins [também atacante, que foi revelado pelo Grêmio-RS, vindo da base do Audax; jogou no Zaragoza (Espanha), Barueri-SP e ABC-RN, de volta ao Audax-SP em 2011].

Palmeiras-SP

Parraga conversa com o goleiro Marcos, do Palmeiras

Com a demissão de Antônio Carlos Zago do cargo de treinador do Palmeiras, na segunda rodada do Brasileirão 2010, você, que comandava o time B, foi chamado pela diretoria para dirigir a equipe de forma interina. Como foi a conversa com os dirigentes?

Disseram que eu ficaria cinco jogos, até a parada para a Copa do Mundo de 2010. Depois, viria outro técnico e eu imagino que o Felipão já estava engatilhado.

Você pegou o Palmeiras com quatro pontos, na sétima posição, e deixou a equipe em décimo, com nove. De que forma avalia seu trabalho, levando em conta não somente os resultados dentro de campo?

Achei positiva, pois na época em que lá estive houve um período de calmaria. Naquele momento, as coisas estavam meio agitadas no clube.

Você concorda com a figura do técnico interino, que trabalha e conhece o clube, sempre chamado nas horas tensas, mas ao qual não é dada a sequência necessária ao desenvolvimento do trabalho? Ou não enxerga o cargo desta maneira?

Tudo depende da situação de momento. Imagino que sempre é uma oportunidade para alguém mostrar seu serviço.

Independente Limeira-SP

Você é o atual comandante da equipe do interior paulista, que briga pelo acesso à Série A3 do Paulistão 2012 (está em quarto, três pontos atrás de Guaçuano e CAV, a duas rodadas do fim; os dois primeiros sobem). Em entrevista ao programa Segunda Esportiva, você falou que esperava avaliar alguns jogadores para formação do elenco. Quais características fundamentais um atleta deve mostrar para ser aceito por Parraga?

Todas as características que sejam positivas para um atleta desenvolver seu potencial. Técnica, tática, física e psicológica, além, claro, da postura profissional que o capacite a buscar e atingir objetivos maiores, como jogar em equipes grandes.

Futuro

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Você contabiliza cerca de 220 gols na carreira de atacante. Na seleção brasileira, o técnico Mano Menezes sente falta de bons centroavantes. O que está acontecendo nas divisões de base dos clubes brasileiros para que não se revelem tantos bons atacantes como em outras épocas? 

A história é sempre a mesma, de que não tem trabalho nas categorias de base. Acho que quem está criticando deve fazer um acompanhamento diário do trabalho nos clubes para ver e ter certeza de que esse trabalho realmente não existe.

Você prefere a carreira de treinador ou de jogador?

Sou e fui feliz nas duas carreiras.

Com 61 anos, qual é a sua expectativa para continuar gritando, chamando a atenção, corrigindo posicionamentos, elogiando e vibrando à beira do campo com o boné de treinador?

Sinto-me muito bem com 61 anos e mais forte do que muitos jovens. Portanto, pretendo trabalhar até quando eu sentir que não vou poder mais dar conta da função.

Quais são seus objetivos e sonhos no âmbito profissional? O que ainda pretende alcançar?
Tudo que ainda não alcancei.

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