Hoje é dia da Parte Final da entrevista de Roger Guerreiro ao Plano Tático! Boa leitura!
AEK Athens-GRE
Roger chega para assinar contrato
Aos 27 anos, você assinou um contrato de quatro anos com o clube grego. O que o levou a aceitar um vínculo tão extenso?
Hoje em dia os vínculos são assim, principalmente na Europa. A proposta do AEK foi boa para as duas partes e jogar em um centro maior, como a Grécia, também foi uma boa para mim. Um desafio novo, diferente até então na minha carreira.
Você procurou saber como era o futebol grego com algum jogador ou outra pessoa antes de aceitar a proposta?
Sem dúvida. Falei com alguns brasileiros que jogavam lá na época, visitei o clube, conheci a estrutura e tudo mais. Além disso, o pessoal da Think Ball estudou tudo comigo antes de fecharmos contrato. É tudo feito com cuidado, com responsabilidade.
Ao contrário do Legia, você começou na reserva do AEK, na temporada 2009-10 (17 jogos, 12 começando do banco). Por quê, em sua opinião?
Tive um problema de saúde, infecção sanguínea. Isso atrapalhou um pouco minha adaptação e entrosamento no começo. Fiquei alguns meses afastado da equipe, inclusive parte do meu tratamento foi feito no Brasil. Depois, me recuperei, graças a Deus e, aos poucos, fui entrando nos jogos e entrosando com os companheiros.
Na pré-temporada de 2009-10, houve uma confusão num jogo diante do Kallithea, da 3ª Divisão grega, em que o então técnico do clube, Dusan Bajevic, acabou agredido. Você participou da partida?
Foi um episódio muito conturbado. O futebol na Grécia às vezes extrapola, a torcida é bastante violenta, mais até do que no Brasil e nos países sul-americanos. É um problema sério no futebol grego. Na temporada passada, houve um jogo no nosso estádio em que a torcida invadiu o gramado e tivemos que correr para o vestiário. O árbitro acabou encerrando a partida antes do tempo regulamentar. Houve muito tumulto, pessoas agredidas, depredações. Tivemos que ficar um tempo presos no vestiário até que as autoridades esfriassem os ânimos dos torcedores. Carros dos atletas foram danificados, muita confusão. É um lado triste do futebol aqui. A paixão do grego muitas vezes é exagerada e isso se transforma em revolta, violência, infelizmente.
Parece que você chegou a ser oferecido a outros clubes na Europa ao fim de seu primeiro ano como atleta do AEK. O que de verdade há nisso?
Propostas chegaram, mas quis permanecer no AEK.
Outro episódio envolvendo violência na Grécia foi quando o goleiro argentino Saja, do AEK e ex-Grêmio, foi atingido por um rojão, dentro de campo. Quanto a violência dos gregos atrapalha a vinda de jogadores para os clubes do país?
Atrapalha muito, é sempre preocupante essas manifestações de ira e violência. O futebol não combina com isso. Não é exclusividade grega, em muitos países, isso é corriqueiro também e não deveria ser assim. Punições severas devem ocorrer nesses casos, do contrário, veremos mais vezes ao redor do mundo.
O terceiro ato de violência de que sem notícia foi na final da Copa da Grécia, título conquistado pelo AEK em cima do Atromitos, no qual torcedores dos dois clubes se enfrentaram em campo. Conte o episódio e as dificuldades que passou. Há algum pronunciamento das autoridades gregas a fim de resolver o problema?
Vencemos aquele jogo por 3×0 e fomos campeões, tirando o AEK de uma fila de nove anos. Aqui, quando perde, a torcida invade para brigar, quando ganha, invade o campo também, para comemorar. Está errado, isso não pode acontecer. O jogo era em nosso estádio, e como era final de Copa, houve divisão de torcida. Ainda com bola rolando, olhávamos para arquibancada e as torcidas estavam brigando. É lamentável. As autoridades precisam começar a tomar providências, a tratar o vândalo do futebol como um infrator, com punições à altura. Futebol é esporte, é paz, não combina com esse tipo de postura.
Futuro
Melhores momentos da carreira de Roger Guerreiro!
Com 29 anos, o que você ainda pretende alcançar na carreira? Até onde quer chegar?
A curto prazo, pensando na próxima temporada, quero jogar a Euro com a Polônia e conquistar mais títulos na minha carreira.
Você não atua no Brasil desde 2006, quando defendeu o Juventude. Tem vontade de voltar ao país?
Penso em voltar um dia. Hoje, tenho contrato com o AEK e espero cumpri-lo.
Quais as vantagens e desvantagens de viver no exterior em detrimento de uma carreira em nível nacional?
É sempre bom jogar no seu país de origem, com as torcidas, o calor do brasileiro e a proximidade dos amigos e familiares. Mas, no futebol, a gente sabe que a carreira é curta e, às vezes, devemos pensar no nosso futuro. Estou muito bem adaptado à Europa e ao futebol jogado aqui, não me arrependo das decisões que tomei, da minha naturalização ou qualquer outra coisa.
Você acredita que a seleção polonesa poderá se classificar para a Copa do Mundo de 2014?
Não acho que é impossível, o caminho da classificação começará com uma boa campanha na Euro 2012.
Enquanto você esteve na Europa, chegou a receber alguma proposta de clube brasileiro? Se sim, por que não aceitou?
Recebi algumas propostas e ainda hoje recebo, mas, por questão de ética, prefiro manter em sigilo.
Gostaria que deixasse uma mensagem àquelas pessoas que pretendem seguir a carreira de jogador profissional.
Às vezes, muitos pensam que a carreira de jogador é fácil, mas não é bem assim. Você dedica quase que sua vida por inteiro ao esporte, 24h por dia, dentro e fora de campo. Deve ter, acima de tudo, paixão pelo esporte. Se não jogasse, não saberia o que eu poderia fazer. Minha vida é o futebol, tudo que conquistei na minha vida devo a este esporte. Àqueles que pretendem começar uma carreira, desejo toda sorte e sucesso do mundo. Cabeça no lugar é o que diferencia os atletas nesse meio e é importante começar já sabendo disso.



