Terceiro maior vencedor no Espírito Santo, com nove títulos, atrás apenas dos maiores expoentes do estado, Rio Branco (36 conquistas) e Desportiva (16 troféus), o Vitória passou por grave crise financeira em meados da década de 2000. Em 2006, entretanto, a equipe levantou o estadual, vencendo o Estrela do Norte na final, encerrando jejum de 30 anos.
Logo na temporada seguinte, a equipe sucumbiu. No primeiro turno, quatro derrotas em quatro rodadas, ficando na lanterna do Grupo A. No returno, a pontuação do Alvianil da Capital subiu para cinco pontos em cinco jogos, mas novamente o time segurou a última posição, sendo rebaixado como lanterna, com metade dos pontos necessários para ultrapassar o Linhares, o primeiro fora da degola.
Assim, a terceira força do Espírito Santo teve de se contentar com a segunda divisão estadual. Em 2008, o Vitória passou de fase, mas na hora de decidir a promoção, com o São Mateus, perdeu a chance de retornar à elite. O primeiro título da Série B do Campeonato Capixaba aconteceria na temporada seguinte, quando apenas três times participaram…
Em quatro rodadas, o Vitória faturou 12 pontos (100% de aproveitamento), tendo a companhia do Espírito Santo de Anchieta – o Caxias foi o lanterna, sem nenhum ponto. Imaginava-se, pois, que o Alvianil da Capital encontraria dificuldades na primeira divisão, mas o Vitória mostrou força e ficou com o vice-campeonato em 2010, além de dois quartos lugares nos dois anos seguintes.
Necessidade
2012 foi o ano do centenário do clube capixaba, momento de levantar troféus. Entretanto, a temporada foi fraca, pois além do quarto lugar no estadual, o Vitória foi eliminado na Copa Espírito Santo, terminando na lanterna do Grupo B, com dez pontos em dez rodadas (2v, 4e, 4d). Em decorrência do vexame, o presidente Jairo Ribeiro decidiu mudar tudo em 2013.
A intenção do dirigente era dispensar praticamente todos os atletas que atuaram no ano anterior, já que os vínculos terminavam no fim de novembro de 2012. O técnico Marcos Nunes também não teve o contrato renovado, e reclamou:
“Foi um ano difícil, tivemos que montar o time dentro do estadual. Conseguimos chegar a duras penas às semifinais. O ideal seria ter feito planejamento e preparação melhores para a Copa Espírito Santo, mas o clube não providenciou. Tive propostas para sair, mas acreditava que ficaria no Vitória. Quem está no futebol há tempos está acostumado com situações assim. De repente, reencontro o Vitória no primeiro ou no segundo turno do Estadual”, comentou o profissional, em entrevista ao globoesporte.
A segunda mudança orquestrada por Jairo Ribeiro foi com relação ao departamento de futebol, que o dirigente pensava em terceirizar para um grupo de fora, em razão da inexistência de dinheiro dos patrocínios, naquele momento.
As conversas, então, começaram com o empresário Orlando da Hora, que cuida da carreira de Nilmar, atacante criado no Internacional. Amigo pessoal de Jairo, Da Hora foi confirmado em 11 de dezembro de 2012 como um faz-tudo no futebol do Vitória:
“Ele vai viver o Vitória 24h por dia. É ele quem vai contratar os jogadores e o treinador. Acredito que ele já esteja até negociando com alguns atletas e com o nosso futuro técnico, já que ele vive o futebol diariamente”, comentou Jairo Ribeiro, ao mesmo site.
Às escuras
Vitória perdeu para o Linhares, por 1 a 0, fora de casa
Com os contatos do empresário, o time começou a ser montado e a ideia era que todo o elenco estivesse pronto em 15 de janeiro, pouco menos de duas semanas antes da estreia no estadual. Em uma semana, 23 atletas e o técnico Gérson Evaristo embarcaram para a pré-temporada. Mas os problemas começaram…
Dos 23 anunciados, dez estavam no Inter de Bebedouro (São Paulo), que fora rebaixado para a quarta divisão de São Paulo. O presidente da equipe paulista, Antônio Mignolo, explicou o motivo de tantos ex-atletas do clube no Vitória:
“O Orlando da Hora abandonou a gente e falou que iria embora. Junto com ele, foram os jogadores que ele acha que é dono e alguns formados pela gente que tiveram o contrato rescindido. Pelo que conheço, não tenho dúvida de que vai chegar um técnico aí que deixe ele [Orlando] escalar e mandar no time. É assim que ele faz, e depois, quando perde, coloca a culpa em alguém. Ele só leva jogadores que conhece, por isso levou tantos daqui. Os que forem daí (do Espírito Santo) e não entrarem no esquema dele, podem ter certeza que não vão ficar”, atacou Mignolo, ao mesmo site.
Da Hora respondeu, fazendo promessas: “Onde boto a mão nasce ouro. Não estou aqui passeando. Você vai ver o colírio que vou jogar no olho do torcedor capixaba. O futebol do Vitória vai ser bonito, com um time empenhado e bem organizado taticamente. Duvido que na terceira rodada o Vitória não esteja cotado para o título”, apostou.
A pré-temporada não mostrou a força do time, que perdeu os quatro jogos disputados, para Tombense (Minas Gerais), por 2 a 1, América Mineiro (1 a 0), e Cruzeiro, por 7 a 1 e 2 a 1. Em 22 de janeiro de 2013, o Vitória contava com 26 atletas, mas apenas 19 regularizados. Quatro dias depois, a estreia no Campeonato Capixaba, com empate diante do Estrela do Norte.
Em 2 de fevereiro, revés para o Linhares, fora de casa, o que já deixou Gérson Evaristo com medo de perder o emprego, em caso de derrota: “Não seria surpresa eu ser demitido, caso a gente venha a perder. No futebol é assim. Ainda é cedo, são apenas dois jogos, mas também não podemos ficar esperando”, comentou.
Sorte que o Vitória empatou com o Aracruz, fora de casa, após estar perdendo, e por enquanto Gérson continua no cargo. E, na terceira rodada do estadual, o Alvianil da Capital não é um dos candidatos ao título, como profetizou Orlando da Hora, mas o penúltimo colocado, com dois pontos, à frente apenas do Espírito Santo, que tem um jogo a menos, contra a Desportiva. O futuro é totalmente obscuro para o Vitória…
Jogos Vitória (0v, 2e, 5d)
Amistosos
12/01 | Tombense 2×1 Vitória
18/01 | América 1×0 Vitória
19/01 | Cruzeiro 7×1 Vitória
20/01 | Cruzeiro 2×1 Vitória
Estadual
26/01 | Vitória 1×1 Estrela do Norte
02/02 | Linhares 1×0 Vitória
07/02 | Aracruz 1×1 Vitória
Próximos cinco jogos
16/02 | Vitória x Desportiva
23/02 | Vitória x Conilon
27/02 | Vitória x Real Noroeste
20/03 | São Mateus x Vitória
09/03 | Vitória x Rio Branco
Informações
- A liderança do estadual pertence ao Conilon, com seis pontos em três rodadas, vantagem no saldo de gols sobre o Linhares. Estrela do Norte e Rio Branco, com cinco, completam o G4. A Desportiva Ferroviária tem quatro, mas um jogo a menos, podendo assumir o topo da tabela em caso de vitória sobre o Espírito Santo de Anchieta. Aracruz (quatro), Real Noroeste (três), São Mateus e Vitória (dois), além do lanterna Espírito Santo, com zero, vêm a seguir.
- A Desportiva Ferroviário passou aperto com salários atrasados no fim de 2012. O mês de novembro (R$ 40 mil) não foi pago, por bloqueio das cotas de patrocínio em razão de dívidas, segundo a diretoria. Nem mesmo o prêmio pelo título da Copa ES, de R$ 60 mil, foi acertado. No dia 30 do mesmo mês, só os titulares receberam, o que revoltou os reservas. Em 12 de dezembro, tudo finalmente foi resolvido.
- O Estrela do Norte, vice-campeão da segundona 2012, prometia rios de dinheiro na elite. Com orçamento de R$ 600 mil garantidos, o presidente Adilson Conti falou em disputa por título. Até um zagueiro “de seleção” foi contratado, Fernando Alves, que jogou por Guiné Equatorial e estava no Oeste (São Paulo), campeão da Série C 2012. Porém, os empresários falharam em pagar o primeiro mês de salários e Conti teve de recorrer a um empréstimo pessoal para quitar a dívida: “Cumpri minha obrigação junto aos jogadores, mas espero ter uma reunião com esses empresários porque senão teremos muitos problemas. Ficaria complicado continuar na disputa”.


