Brasil - Plano Tático

Cariocas e paulistas dominam seleção brasileira

Preparando-se para a Copa das Confederações 2013, a ser disputada no Brasil, o time de Luiz Felipe Scolari terá o primeiro grande teste em se tratando de jogo valendo, sem desculpas para um eventual fracasso, como os que ocorreram diante dos adversários de primeiro escalão, durante os amistosos. Porém, é claro que o Plano Tático não irá repercutir o momento da seleção, pois afinal somos do Futebol Alternativo, não é mesmo?

Portanto, o Plano Tático decidiu realizar uma pesquisa curiosa sobre os elencos do Brasil campeões do torneio, a fim de saber quais estados de origem dos jogadores mais aparecem nas convocações. Veja um balanço dos estados cujos atletas mais vestiram a camisa do Brasil

Arábia Saudita – 1997

Primeira edição do torneio sob o nome de Copa das Confederações, que reuniu os campeões de cada região, mais o Brasil (campeão da Copa do Mundo 1994). Também jogaram República Checa, vice-campeã europeia, no lugar da Alemanha, que declinou participação, e Emirados Árabes Unidos, segundo colocado na Copa da Ásia 1996, vencida pela anfitriã Arábia Saudita.

O primeiro jogo da seleção brasileira foi uma fácil vitória de 3 a 0 sobre a Arábia Saudita, com gols de César Sampaio e Romário (dois). Após um empate sem gols com a Austrália, dois dias depois, o Brasil voltou a vencer na competição, um apertado 3 a 2 diante do México, em que Romário, Denílson e Júnior Baiano balançaram as redes latinas.

A partir das semifinais, apenas mais dois atletas fizeram gols com a camisa da seleção… E não foram poucos! Romário e Ronaldo Nazário anotaram um tento cada na vitória sobre a República Checa, e a falta de gols na partida contra a Austrália deu lugar à sonora goleada em cima do adversário na disputa do troféu. Com três de Ronaldo e Romário, o Brasil impôs 6 a 0 ao país da Oceania (hoje joga pela confederação asiática), conseguindo o primeiro título da Copa das Confederações para o Brasil.

A título de curiosidade, o técnico Zagallo convocou 20 jogadores para o torneio internacional, a maioria natural de São Paulo. Porém, dum total de oito, apenas dois (César Sampaio e Denílson) tiveram a honra de balançar as redes adversárias. O amplo domínio ficou com os cariocas, que anotaram 11 gols, destaque para Romário, autor de sete (foi o artilheiro geral). Júnior Baiano, notadamente natural da Bahia, foi o “intruso”.

Além de São Paulo, o Rio de Janeiro contou com quatro integrantes, contra quatro da Bahia. Outros estados que apareceram, com um representante cada, foram Paraná, Pernambuco, Piauí (o único piauiense na história da Copa das Confederações foi o lateral-direito Zé Maria, ex-Portuguesa, Palmeiras e Parma) e Rio Grande do Sul.

Alemanha – 2006

Após ficar ausente por três edições, a seleção brasileira retornou à Copa das Confederações, um ano antes do Mundial da Alemanha, como vencedor na Coreia do Sul/Japão 2002. México (Copa Ouro), Tunísia (Copa das Nações Africanas), Grécia (Eurocopa), Argentina (vice da Copa América), Japão (Copa da Ásia) e Austrália (Copa das Nações da Oceania), completaram o seleto grupo dos oito.

A campanha brasileira começou com uma fácil vitória de 3 a 0 diante dos gregos, gols de Adriano, Robinho e Juninho Pernambucano. Na segunda partida, derrota para os mexicanos por 1 a 0, resultado que deixou a seleção canarinho em segundo lugar no Grupo B, atrás do oponente. Graças ao empate com o Japão, a dois gols, em que o paulista Robinho e Ronaldinho Gaúcho balançaram as redes.

Assim, o Brasil teve de encarar a Alemanha nas semifinais, passando pelo adversário em seus domínios, com uma importante vitória poe 3 a 2 [Ronaldinho Gaúcho e Adriano (dois) colocaram as bolas nas redes]. Na grande final, um clássio sul-americano pela frente. Pelo menos no papel, pois a emoção ficou por conta dos quatro gols brasileiros, contra um dos argentinos.

Pela primeira vez na Copa das Confederações, um representante do Distrito Federal (Kaká) marcou com a camisa canarinho – Adriano fez dois e Ronaldinho Gaúcho outro. Mas quem comemorou foram os cariocas, com cinco gols de Adriano, contra dois de Ronaldinho Gaúcho.

No quesito participações, mais uma goleada de São Paulo, com nove atletas. O Rio de Janeiro foi representado com quatro expoentes, ao passo que mineiros e gaúchos tiveram três, cada. Distrito Federal (dois), Bahia e Pernambuco (um cada) completaram a lista.

África do Sul – 2009

Quatro anos depois, a seleção brasileira se fez presente mais uma vez, em razão do título da Copa América. Além dos sul africanos, Itália (campeã mundial), Estados Unidos, Espanha, Nova Zelândia, Egito e a grande surpresa Iraque tiveram a honra de entrar em campo. Na estreia, os brasileiros suaram a camisa para despachar os egípcios, num 4 a 3 com gol de Kaká aos 45 minutos do segundo tempo – ele abriu a contagem, saindo do jogo com dois tentos, enquanto Luis Fabiano e Juan fecharam a conta.

Na segunda partida, vitória mais tranquila contra os Estados Unidos (3 a 0), com destaque para o sul-sudeste. Felipe Melo, carioca de Volta Redonda, abriu o placar, enquanto o paulista Robinho aumentou a vantagem. No segundo tempo, o gaúcho Maicon, de Novo Hamburgo, deu números finais ao certame.

No último confronto da primeira fase, mais três gols, agora diante da forte Itália. Luís Fabiano, no entanto, foi o único brasileiro a marcar, já que o terceiro tento ficou a cargo do italiano Andrea Dossena. Nas semifinais, os anfitriões estiveram pelo caminho, mas um gol de falta do baiano Daniel Alves (o estado não tinha um marcador no torneio desde Júnior Baiano, em 1997) tratou de salvar o Brasil, aos 43 minutos do segundo tempo.

Na final, diante dos estadunidenses, mais paulistas (dois de Luís Fabiano) e um de Planaltina, no Distrito Federal, do zagueirão Lúcio, hoje no São Paulo. Luís Fabiano dominou as ações, com cinco gols na competição, mas Kaká e Lúcio levaram o Distrito Federal ao segundo lugar entre os goleadores.

Levando-se em conta apenas as participações, São Paulo teve oito jogadores, seguido de longe por Paraná e Rio de Janeiro (quatro). Distrito Federal e Minas Gerais (dois), além de Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul completaram a lista de estados contemplados.

Brasil – 2013

Para a próxima Copa das Confederações, o Brasil vai encarar grandes adversários, como Itália, Japão e o algoz México, no torneio que começa em 15 de junho, em Brasília. A pesquisa do Plano Tático mostra que a convocação de Felipão abrange o maior número de estados dentre os agraciados nas edições anteriores.

Dos 12 entes da federação contemplados na história da Copa das Confederações, em 2013 apenas Distrito Federal e Piauí não contam com representantes. Como era de se esperar, São Paulo tem o maior número (nove atletas), anos-luz à frente do Rio de Janeiro, com três.

Bahia, Paraná e Minas Gerais ficam empatados em terceiro lugar, com dois jogadores, enquanto Mato Grosso do Sul (pela primeira vez na lista, com o lateral Jean, do Fluminense), Paraíba (outro estreante, com Hulk), Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina (mais um debutante, com o lateral Filipe Luís), fecham a lista dos 23 jogadores brasileiros.

Agora, só resta ao público brasileiro torcer para o tetracampeonato da Copa das Confederações, ou amargar o início de uma crise sem precedentes, às vésperas da Copa do Mundo 2014. Em termos de convocações levando-se em conta os estados, é tudo muito parecido com os títulos anteriores… Mas é claro que esses dados não têm nenhum efeito prático. A não ser que o Apaixonado por Futebol Alternativo seja fortemente supersticioso!

Todos os dados, divididos por estado (clique para ampliar)

Informações

- Somando-se as quatro edições do torneio internacional, São Paulo conta com 34 jogadores, ou 38,2% dos convocados – em 1997, foram chamados 20 atletas, contra 23 nos outros anos, totalizando 89 atletas que tiveram a honra de vestir a camisa pentacampeã – veja outras camisas de seleções e times na Futfanatics. O Rio de Janeiro fica em segundo, com 15, enquanto os baianos comemoram a terceira posição no Ranking, com oito jogadores.

- Minas Gerais e Paraná estão empatados, com sete representantes cada, com o Rio Grande do Sul logo atrás (seis), Na parte de baixo da lista, Distrito Federal, Pernambuco (quatro cada), e os solitários Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí e Santa Catarina comemoram um único nome.

- Curioso o fato de nenhum estado do Norte ter sido contemplado na lista. Nem mesmo o Pará, terra natal de Paulo Henrique Ganso, que se estivesse em plena forma poderia integrar a tabela. Goiás também não ter ninguém é um dado importante. Já quanto aos outros estados, os torneios estaduais mostram que não há muita revelação de novos jogadores. Quando ela acontece, certamente é de alguém que nasceu nesses lugares, mas migrou para o Sul-Sudeste ainda ceso (com raras e ótimas exceções).

- Os únicos nordestinos na Copa das Confederações 2013 serão o atacante Hulk, do Zenit St. Petersburg, e Hernanes, meia da Lazio. Pouco para uma região cujo futebol é muito bem disputado e motivo de extremas paixões, com grandes torcidas de clubes tradicionais em nível nacional.

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