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Eliminatórias 2014: Papua Nova Guiné tenta surpreender

Até a estreia pelos Jogos do Pacífico 2011, espécie de olimpíadas da região, em 27 de agosto de 2011, a seleção de Papua Nova Guiné não frequentava partidas oficiais com sua seleção principal, sequer tendo uma posição no Ranking FIFA. A vitória de 4 a 0 sobre Ilhas Cook naquele final de manhã representou a volta do país às competições, fato que não acontecia desde 13 de julho de 2007, numa derrota de 2 a 1 para Ilhas Salomão, num amistoso.

As quatro partidas nos Jogos do Pacífico 2011 resultaram em duas vitórias, um empate e uma derrota aos papuanos, que falharam em seguir para a 2ª Fase, após desvantagem de dois gols de saldo (20 contra 18) sobre o Tahiti (ambos somaram sete pontos, enquanto Fiji ficou com 12, na liderança). Dos quatro jogos, apenas três foram considerados para o Ranking FIFA, pois Kiribati, goleado por 17 a 1, não fazia parte do quadro de membros da entidade que rege o futebol mundial. Mesmo assim, o salto entre agosto e setembro de 2011 foi de 16 posições, saindo do 203º para o 187º lugar – o melhor resultado é de junho de 2004, um 160º posto.

Portanto, desde 5 de setembro de 2011 sem jogar uma partida oficial, Papua Nova Guiné vai encarar, sem nenhum amistoso, as Eliminatórias da Ocenia para a Copa de 2014. Pré-classificada para a 2ª Fase do torneio qualificatório, por ter um futebol considerado superior ao dos países que jogaram a Fase Preliminar (Samoa Americana, Samoa Ocidental, Ilhas Cook e Tonga), os papuanos caíram numa chave bastante complicada. Além da favorita Nova Zelândia, que deve alcançar a repescagem contra uma seleção da Concacaf, Papua Nova Guiné terá pela frente Ilhas Salomão, dona da casa na Copa das Nações da Ocenia (torneio que vale vaga na Copa das Confederações 2013 e como 2ª Fase das eliminatórias 2014) e Fiji, que vem forte (veja detalhes aqui).

Experiência

Mesmo sendo considerada a força menor na chave, Papua Nova Guiné tem algumas cartas na manga. A primeira delas é o técnico australiano Frank Farina, 47 anos, na equipe desde 2011. Treinador da seleção de seu país natal por seis anos (1999-05), Farina carrega consigo a experiência de uma Copa do Mundo (2002) para tentar fazer evoluir o futebol papuano, além do fato de ter vivido em Papua Nova Guiné durante dez anos, na infância. Mas a bagagem internacional não se atém somente ao banco de reservas.

Alguns jogadores do atual plantel de Papua Nova Guiné também possuem experiência internacional, principalmente com o Hekari United, maior time do país e participante do Mundial de Clubes da FIFA 2010 – 12 dos 23 atletas convocados atuam no clube papuano. O grande destaque é o atacante Kema Jack, de 30 anos, destaque do Hekari United no título da Liga dos Campeões da Oceania 2009-10 (veja texto sobre o título), além de outros seis jogadores que estiveram no elenco do Mundial de Clubes da FIFA e farão parte das eliminatórias 2014. De todo o elenco papuano, apenas um atua no exterior, o atacante Maurie Wasi. Nascido em Auckland, Nova Zelândia, o atleta de 29 anos, desde 2002 na seleção de Papua Nova Guiné, joga no futebol de sua terra natal.

Caminho certo

Pode-se perceber Papua Nova Guiné não chega às eliminatórias para ser um saco de pancadas a exemplo de Samoa Americana, mas não se poderá criar muitas expectativas sobre o desempenho do país, segundo o próprio Frank Farina disse, em entrevista ao site oficial da FIFIA:

“Não há dúvida de que somos um azarão. É provável que a Nova Zelândia vença o grupo e então os três outros países disputem o segundo lugar. O grupo tem a melhor seleção da região, além de Fiji, que é a segunda ou terceira, e as Ilhas Salomão também estão no mesmo nível. Papua Nova Guiné está crescendo e melhorando, mas precisamos ser realistas. A nossa meta precisa ser terminar entre os dois primeiros com a Nova Zelândia”.

Mas isso não quer dizer que o australiano não aposta no desenvolvimento do futebol papuano no médio-longo prazo:  “O futebol não evolui em grandes passos. Seria bom se o progresso acontecesse da noite para o dia, mas mesmo assim o crescimento nos dois últimos anos foi enorme, especialmente porque a seleção não atuava havia muitos anos quando cheguei. Os jogadores estão sendo expostos a um nível diferente. Precisamos ser pacientes e colher os frutos em dois, três, quatro anos. Sendo realista, acho que é uma boa meta, pois em 2015 os Jogos do Pacífico serão realizados em Papua Nova Guiné”, encerrou.

Assim, os próximos três jogos, diante de Ilhas Salomão (2 de junho/2012), Nova Zelândia (4 de junho) e Fiji (6 de junho) servirão apenas como amistosos de luxo, sem pressão para os jogadores papuanos dentro de campo. Quem sabe os comandados de Frank Farina não reservam surpresa do tamanho da que Samoa Americana proporcionou na Fase Preliminar das eliminatórias 2014 (veja todos os detalhes)?

Veja momentos dos Jogos do Pacífico 2011, disputados na Nova Caledônia

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