Se na semifinal entre Nigéria e Mali havia duas seleções com perfis diferentes, o mesmo pode-se dizer da partida entre Burquina Fasso e Gana. Os Estrelas Negras se consolidaram no futebol mundial como uma das maiores potências africanas, senão a maior, nos últimos anos, e eram favoritos ao título depois da queda da Costa do Marfim. Por outro lado, os Garanhões burquinenses não têm qualquer conquista de importância internacional. Ou pelo menos não tinham…
Abaixo, veja o resumo da outra semifinal
Mali 1×4 Nigéria
Burquina Faso 1×1 Gana (3 a 2 nos pênaltis)
Local: estádio Mbombela, em Nelspruit (54 mil lugares)
Público: 54 mil torcedores
Com o campo do estádio Mbombela mais uma vez em estado deplorável, o trabalho de bola esteve dificultado para as duas equipes. Entretanto, isso não impediu Gana de chegar ao ataque e, logo aos dez minutos da primeira etapa, o juiz marcou pênalti muito duvidoso de Saidou Panandétiguiri, do Royal Antwerp (Bélgica), em Christian Atsu, do Porto (Portugal). Na cobrança, Wakaso Mubarak, do Espanyol (Espanha), não desperdiçou e marcou seu terceiro gol de pênalti na competição. Gana 1 a 0!
Apesar do gol, os burquinenses não se intimidaram e tentaram ir para cima. No entanto, somente na segunda etapa que os Garanhões foram recompensados. Aos 15 minutos, Florent Rouamba, do Sheriff Tiraspol (Moldávia), roubou bola no meio de campo e passou para o atacante Aristide Bancé, do Augsburg (Alemanha), se aproveitar da abertura na defesa de Gana para deslocar o goleiro e empatar a partida. Burquina Fasso 1 a 1 Gana!
O jogo seguiu morno até o seu fim e a partida foi para a prorrogação. No tempo extra, Burquina Fasso foi para cima de novo e quase virou o placar. Mais uma vez em decisão muito polêmica do árbitro, os burquinenses tiveram gol anulado, causando mais reclamações dos jogadores. Além disso, o juiz conseguiu revoltar ainda mais os atletas de Burquina Fasso ao expulsar o melhor jogador da equipe, Jonathan Pitroipa, do Rennes (França), depois de suposta simulação de pênalti do atacante.
A pressão burquinense seguiu até o fim da prorrogação, mas o gol não saiu, o que significava que haveria decisão nos pênaltis. Mostrando maior tranquilidade, Koné, Traoré e Bancé, tendo o último batido de cavadinha, marcaram os gols de Burquina Fasso, com aproveitamento de três em quatro cobranças. Assim, depois de dois erros ganeses em quatro cobranças, Emmanuel Badu precisava marcar para manter Gana na corrida. No entanto, o goleiro Daouda Diakité, do Lierse (Bélgica), brilhou e defendeu a última cobrança da disputa, colocando seu nome e de todos os companheiros burquinenses na final da competição, fazendo história em Burquina Fasso e certamente no continente africano.
Curiosidades
- Burquina Fasso e Gana já se enfrentaram 19 vezes, na história, contando com o jogo das semifinais de 2013, com seis vitórias burquinenses, dois empates e 11 vitórias de Gana. Os Estrelas Negras marcaram 30 gols, contra 18 de Burquina Fasso.
- É a primeira vez em Copa Africana de Nações que Burquina Fasso alcança a grande final do torneio, em sua nona participação. Desde 2008, Gana chega às semifinais, com três derrotas e uma vitória, em 2010 (1 a 0 diante da Nigéria), quando perdeu a final para o Egito, pelo mesmo placar.
- Das quatro finais que a Nigéria perdeu (1984, 1988, 1990 e 2000), três foram diante de Camarões e uma para a Argélia, dona da casa em 1990.

