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Grandes voltam a ser protagonistas no Pará

Há alguns meses, o Plano Tático publicou duas matérias sobre a dupla Remo e Paysandu, os dois maiores clubes paraenses. Os azulinos não estieveram muito bem em 2012, sem disputar competições nacionais e cheios de dívidas trabalhistas (veja mais detalhes aqui). O Papão da Curuzu comemorou o acesso ao Campeonato Brasileiro Série B depois de seis anos, mas as contas ficaram negativas durante a temporada, atrapalhando o clube fora das quatro linhas (leia mais sobre o assunto).

Por enquanto, 2013 começa diferente para a dupla Re-Pa, pelo menos dentro de campo. Na primeira fase do estadual, as duas principais posições foram ocupadas por ambos, com liderança do Remo, dono de 19 pontos em sete jogos (6v, 1e, 0d), três de vantagem para o Paysandu – São Francisco e Paragominas completaram o G4, com 11 pontos.

Nas semifinais, o Papão não tomou conhecimento do São Francisco, que veio da segunda divisão, vencendo por 2 a 0 fora de casa e impondo goleada de 6 a 1 em seus domínios. O Remo teve mais dificuldade contra o Paragominas, empatando na ida (2 a 2) e superando o oponente por 2 a 0, no segundo confronto.

Assim, Remo e Paysandu se credenciaram ao título do primeiro turno do Campeonato Paraense 2013, a Taça Cidade de Belém, algo que não acontecia desde 2010. Na ocasião, os dois também se enfrentaram na decisão do turno inicial, com vitória do Paysandu (4 a 2) e empate (3 a 3). Desta vez, os dois tiveram ampla superioridade em relação aos adversários…

Enquanto o interior vem dois campeonatos consecutivos (Independente, em 2011, e Cametá, em 2012), os primeiros da história, a fase inicial do estadual praticamente não teve outra equipe nas duas primeiras posições. O Remo liderou todas as rodadas, enquanto o Paysandu chegou a dividir a segunda posição com o São Francisco após a primeira partida. Na classificação geral (até 5 de março de 2013), o Paysandu tem 26 pontos, contra 24 do Remo – o próximo da lista é o Paragominas, com metade dos pontos dos remistas. Os ataques dos rivais também se sobrepõem aos do restante, sendo 30 a favor do Papão e 21 para o Remo.

Decisão favorável

Nos dias 14 de fevereiro e 3 de março de 2013, o estádio Mangueirão (45 mil lugares) sediou os jogos de ida e volta da decisão. Na primeira partida, o Paysandu estava vencendo o Remo até os 46 minutos do segundo tempo, quando o adversário chegou ao empate (1 a 1). No confronto decisivo, o Paysandu é quem estava perdendo o título, com nova igualdade (1 a 1), por causa da melhor campanha do Remo na primeira fase, mas um gol aos 41 minutos da etapa final deu o título ao Papão da Curuzu.

Entretanto, os rivais saíram ganhando fora das quatro linhas. No primeiro jogo, 36.668 torcedores pagaram ingressos, o que gerou renda bruta de R$ 909 mil, lucro de R$ 608 mil. O montante foi dividido igualmente entre os clubes, que embolsaram quase R$ 305 mil. No segundo, 38.193 compraram bilhetes, o que elevou a renda para R$ 1,1 milhão, um recorde no futebol paraense em 2013. No final, Remo e Paysandu fizeram a festa com pouco mais de R$ 400 mil nos bolsos de cada um. Os números são incríveis perto do anúncio feito pela diretoria do Paysandu em janeiro de 2013: lucro de R$ 142 mil, algo que foi comemorado no clube, agraciado com adiantamento de sete meses por parte de um dos patrocinadores.

Os gols da partida final

Imagem de Amostra do You Tube

Hora de pagar

O bom momento proporcionado pelo retorno do clássico Re-Pa numa decisão de título, o que aumentou as rendas dos jogos, pode se encerrar tão logo Remo e Paysandu se vejam à frente de dívidas pendentes. No final de janeiro, já com o Campeonato Paraense em andamento, o gerente de futebol do Paysandu, Oscar Yamato, disse ao globoesporte que não havia dinheiro para contratações.

O motivo era simplesmente a enxurrada de dívidas trabalhistas do clube, que conseguiu fazer acordo com dez ex-atletas da equipe. Para se ter um exemplo, Arinelson vai receber parcelas até março de 2018, totalizando R$ 3,6 milhões, Jobson levará 1,8 milhão, até julho de 2016. Até Alexandre Fávaro (23 parcelas de R$ 7,5 mil) e Balão (69 vezes R$ 3 mil) serão agraciados, o que compromete as finanças do Paysandu.

Pelo menos o Papão da Curuzu comemora o aumento do dinheiro repassado pela CBF aos clubes da Série B, de R$ 1,8 milhão para 2,7 milhões, em oito parcelas, além de 200 bolas, ao invés de 75. O clube ainda negociou com um empresário a construção do Centro de Treinamento, num comodato de 50 anos de duração, sem contar o patrocínio máster da empresa de telecomunicações NET, que renderá R$ 150 mil ao Paysandu – o presidente Vandick Lima ainda aguarda os R$ 326 mil referentes à venda de Ganso ao São Paulo.

Azulinos

No Remo, a situação extra-campo não é muito diferente. Ainda em novembro de 2012, alguns ex-atletas acionaram a Justiça. O zagueiro Ávalos, ex-Santos, cobrou R$ 124 mil – faturou R$ 38 mil ao final do processo –, graças à “sem vergonhice” do clube, segundo o jogador: “Me falaram: ‘Se vira, pega a promissória e sabe lá quando você vai receber’. Depois fui à Justiça, eles receberam a intimação, e quiseram pagar o valor que pedi, mas não aceitei, pois quando tentei acordo, todos sumiram”, falou Ávalos ao globoesporte.

O zagueiro Diego Barros é outro que procurou seus direitos: Sem receber desde agosto de 2012, o atleta voltou a Belém para negociar, abrindo mão dos oito meses se lhe fosse pago pelo menos um. Sem resposta, Barros resolveu entrar na Justiça:

“Fiquei muito chateado com a diretoria do Remo, pois o clube não merece isso. Tem uma torcida maravilhosa, que acompanha o time em qualquer situação. Tenho uma relação forte com o Remo, mas não podia continuar. Tenho família para sustentar”, analisou Diego Barros, que renovara contrato com o clube paraense até maio de 2013 – o atleta vai receber R$ 150 mil, em 15 parcelas.

As más notícias não pararam por aí. Uma rede de supermercados chegou a estampar patrocínio máster na camisa do Remo, mas desistiu do negócio após três jogos. A empresa prometeu não deixar o clube no prejuízo, num negócio selado apenas verbalmente, sem contrato – o Remo vai receber da NET R$ 110 mil por mês, o novo patrocinador principal.

O fato positivo ficou por conta das dívidas trabalhistas. Em reunião, o vice-presidente jurídico do time azulino, Ronaldo Passarinho, apresentou o balanço da gestão, em que os montantes devidos caíram de R$ 7,8 milhões para R$ 4,5 milhões, R$ 3,5 milhões de queda – é importante frisar que o Remo não pagou os valores, apenas os negociou.

Os dirigentes também sonham em construir o CT do time, a exemplo do rival, mas o próprio Remo, cujo patrimônio é avaliado em R$ 100 milhões, não pagava os funcionários, cuja despesa é de R$ 20 mil mensais. Henrique Custódio, médico do clube, pediu afastamento, por falta de condições de trabalho e não pagamento dos funcionários. Ele prestava serviços ao elenco principal e divisões de base azulinas por meio de sua clínica particular.

Para pior, quase que a renda dos jogos contra o Paysandu foi bloqueada, pois o Remo não renovou o acordo trabalhista, de pagamentos mensais de R$ 100 mil. Uma juíza chegou a bloquear 100% do dinheiro das partidas, mas os dirigentes atuaram e conseguiram o desbloqueio. A esperança de mais cifras na conta do Remo é o jogo diante do Flamengo (Rio de Janeiro), pela Copa do Brasil… Se não for eliminado no primeiro jogo, o time levará cerca de R$ 900 mil. Em caso de derrota por dois gols de diferença, a equipe fica com 40% da renda, provavelmente R$ 480 mil. É duro o caminho de Remo e Paysandu rumo às contas no azul…

Informações

- O técnico Flávio Araújo, do Remo, chegou ao segundo jogo da final com um recorde: 25 jogos sem perder, desde que treinava o Sampaio Corrêa (Maranhão), vencedor do Campeonato Brasileiro Série D (veja os detalhes aqui). A vitória do Paysandu derrubou a série invicta do treinador.

- A partir de 2004, quando o Campeonato Paraense voltou a ter dois turnos, Remo e Paysandu decidiram o título de turno sete vezes. A vantagem é do Papão da Curuzu, com quatro canecos (duas vezes em 2005, 2006 e 2010). O Remo levou a melhor em três oportunidades (2004, 2007 e 2008).

- O Santa Cruz Cuiarana fez contratação bombástica! O experiente meia Fumagalli, 35 anos, que dispensa apresentações, estava no Guarani de Campinas (São Paulo) e acertou vínculo de três meses – a assinatura do contrato será sábado, 9 de março de 2013. No início, o jogador se negou a ir para o Pará, mas o valor financeiro ditou o ritmo. No entanto, Fumagalli espera voltar ao Guarani para jogar a Série C. A não ser que o time paraense se classifique para a Série D.

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