Sugestão de Jean Lucas
A primeira divisão do Campeonato Japonês foi estabelecida em 1965, mas só se tornou profissional três décadas depois, em 1993, com a introdução da J League. Levando-se em conta apenas as temporadas profissionais ou a abrangência geral, o grande time a ser batido é o Kashima Antlers, dono de sete títulos nacionais – o Tokyo Verdy também tem sete taças, mas dois vice-campeonatos a mais.
A equipe, que já foi treinada por inúmeros técnicos brasileiros, que estão no cargo desde agosto de 1999, quando Zico foi o interino – depois passaram Toninho Cerezo, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira e agora Jorginho, ex-auxiliar de Dunga na seleção brasileira durante a Copa do Mundo 2010, desde janeiro de 2012 – dominou o cenário doméstico entre 2007-09, com três títulos em sequência. Porém, desde 2010 quem manda no Japão são os novatos…
A surpresa
Em 2010, os favoritos começaram na parte de cima da tabela, mas uma equipe que nunca havia sido campeã foi surpreendendo os grandes times. O Nagoya Grampus Eight iniciou a competição no meio da tabela, mas com o passar do tempo alcançou o terceiro lugar. Mesmo com uma série de quatro derrotas em cinco partidas, a equipe se manteve entre os três primeiros, disputando a liderança com Kashima Antlers e Shimizu S Pulse.
O topo da tabela foi conquistado na 18ª rodada, com uma vitória de 3 a 1 sobre o Urawa Red Diamonds, em casa. Entretanto, a diferença para o Shimizu S Pulse ainda era de apenas dois pontos (38 contra 36). Ela chegou a cinco na altura da 23ª partida, quando o Kashima Antles passou a ser o segundo, aumentando a cada rodada.
Até que a liderança esteve de fato consolidada, nos idos do 28º jogo, em que o Nagoya Grampus Eight impôs distância de 11 pontos sobre o Kashima, faltando seis rodadas. O inédito título da equipe aconteceu com três jogos de antecedência, quando a vantagem atingiu dez pontos. Depois de 34 rodadas, o Nagoya Grampus Eight somou 72 pontos (23v, 3e, 8d), dez a mais que o Gamba Osaka.
Repetição
Quem deu as cartas na temporada 2011 do Campeonato Japonês foi o Kashiwa Reysol, dono de um troféu nacional, em 1972, na fase amadora. O clube começou muito bem o torneio, ganhando seis vezes nas oito partidas iniciais. A seguir, as coisas pioraram para o Kashiwa, com três derrotas em cinco jogos, mas ainda mantendo a liderança, com 34 pontos em 16 jogos, três a mais que o Yokohama Marinos.
Na segunda metade da temporada, a equipe caiu de produção e permitiu a aproximação de outros três adversários, com o Gamba Osaka lhe tomando o primeiro lugar, depois de 22 jogos, pelo saldo de gols – ambos com 44 pontos. O pior momento nas rodadas finais aconteceu no 27º compromisso, quando o Kashiwa Reysol ficou com a terceira posição, com 53 pontos, um atrás do líder Gamba Osaka, sem direito a tropeços.
A disputa pelo caneco se deu até a última rodada, em que três postulantes brigavam pelo título. Com 69 pontos, o Kashiwa Reysol dependia apenas dele para faturar o bicampeonato na história, bastando vencer o Urawa Red Diamonds, fora de casa. Ao Nagoya Grampus Eight, dono de 68 pontos, restava vencer o Albirex Niigata, também longe de seus domínios, e torcer contra o líder para ficar com o bicampeonato.
Com 67 pontos, o Gamba Osaka queria a derrota de ambos, conquanto que também somasse três pontos em seu jogo, contra o Shimizu S Pulse, na casa do adversário. Os três venceram e o Kashiwa Resyol, que era treinado por Nelsinho Baptista e ainda tinha Jorge Wágner, Leandro Domingues, Neto Baiano e Ricardo Lobo, terminou com 72 pontos (23v, 3e, 8d).
A festa do título
Tendência?
Era improvável mais um novato – na era profissional – ser campeão japonês. Mas pela terceira vez o fato se repetiu, com o Sanfreece Hiroshima, que tinha cinco títulos nacionais, é verdade, mas todos eles na era amadora – foi o primeiro campeão do Japão, em 1965, vencendo os três campeonatos seguintes, e em 1970, então sua última conquista.
Desde o começo da temporada a equipe figurou nas posições principais, brigando com o Vegalta Sendai pela liderança. A disputa começou a arrefecer na 19ª rodada, depois que o Sanfreece Hiroshima ficou invicto por oito partidas, sendo cinco vitórias. Ambos os oponentes ficaram com 37 pontos, vantagem para o time de Hiroshima. Com 29 rodadas, os dois continuavam empatados, a 54 pontos, faltando apenas cinco partidas para o fim.
A inédita conquista na era profissional foi alcançada com uma rodada de antecedência, em que o Sanfreece Hiroshima ostentou vantagem de quatro pontos (61 contra 57), sem chances para os gigantes, pois o Vegalta Sendai nunca foi campeão nacional – apenas o terceiro, Urawa Red Diamonds, com cinco troféus, apenas um entre os profissionais, representou os grandes.
Mundial de Clubes
Portanto, na próxima quinta-feira, 6 de dezembro, o Sanfreece Hiroshima entrará em campo pelo Mundial de Clubes da FIFA 2012, contra o Auckland City (Nova Zelândia), com a obrigação de passar pelo menos do primeiro mata-mata, como fez o Kashiwa Reysol em 2011, contra o mesmo adversário.
Porém, será difícil repetir a campanha do Kashiwa, já que os japoneses também eliminaram o Monterrey, nas quartas de final, atingindo as semifinais, contra o Santos (Brasil) – queda por 3 a 1. Se passar pelo Auckland City, o time de Hiroshima terá pela frente o gigante Al Ahly (Egito), sete vezes campeão africano na história, um recorde no continente.
Informações
- Durante seis anos, entre 2003-08, só atletas brasileiros foram artilheiros na J League. Desde então, porém, outras duas nacionalidades dominam. O Japão ficou no topo por três vezes, duas com o atacante Ryoichi Maeda, 31, do Jubilo Iwata e da seleção. A Austrália comemorou duas vezes, ambas com o atacante Joshua Kennedy, do Nagoya Grampus Eight e também da seleção de seu país.
- Em 2012, apenas dois times não utilizaram jogadores brasileiros. O campeão Sanfreece Hiroshima, que teve o lateral direito croata Mihael Mikic, 32, ex-Kaiserslautern (Alemanha) e os sul coreanos Hwang Seok-Ho, 23, e Lee Dae Heon na vaga de estrangeiros. O nono colocado, Shimizu S Pulse, contou com o holandês Calvin Jong-a-Pin, 26, os sul coreanos Kim Hyun-Sung e Lee Ki-Je e até um norte-coreano, Kang Song-Ho, nascido em Tóquio, no Japão.

