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Michael O´Neill terá trabalho na Irlanda do Norte

O salvador da Irlanda do Norte

A Irlanda do Norte é um pequeno país da Europa, de apenas 1,8 milhão de habitantes, que divide uma ilha com a Irlanda. Menor país do Reino Unido, que ainda tem País de Gales, Escócia e Inglaterra, o futebol norte-irlandês está intimamente conectado ao dos vizinhos, mas é possível dizer que o país, cuja capital é Belfast, tem seus próprios feitos. A seleção norte-irlandesa já participou de três Copas do Mundo, a primeira delas em 1958, quando avançou de fase no Grupo 1, que tinha Alemanha Ocidental, Checoslováquia e Argentina. A equipe só cairia nas quartas de final (primeiro mata-mata), ao perder de 4 a 0 para a França.

24 anos depois, a Irlanda do Norte retornou a um Mundial, jogando a edição da Espanha 1982. E no Grupo 5, ao lado da anfitriã, da antiga Iugoslávia e de Honduras, venceu a chave, derrotando os donos da casa, em Valencia, diante de 49.562 torcedores, por 1 a 0. Na 2ª Fase de Grupos, porém, o time sucumbiu ante frances e austríacos, conseguindo apenas um ponto. Quatro anos mais tarde, em 1986, lá estavam os norte-irlandeses no grupo do Brasil… Mas desta vez não avançaram, ficando à frente apenas da Argélia e vendo Espanha e Brasil seguirem em frente.

Decadência

A Irlanda do Norte encarou e perdeu do Brasil, por 3 a 0, na Copa de 1986

Imagem de Amostra do You Tube 

Como se pode perceber, a Irlanda do Norte tem história para contar no futebol, mas nas três últimas décadas adentrou num período de séria decadência, em que os resultados positivos ficaram aprisionados na memória dos mais experientes. Um exemplo disso é a campanha da seleção nas Eliminatórias para a Eurocopa 2012. No Grupo C, ao lado de Itália, Estônia, Sérvia, Eslovênia e Ilhas Faröe, os norte-irlandeses só foram melhores que os últimos, somando apenas nove pontos em dez rodadas (2v, 3e, 5d), longe da Estônia, segunda colocada, que acumulou 16 pontos.

Assim, o então comandante da seleção, Nigel Worthington, de 50 anos, desde 2007 no cargo – 40 jogos, com nove vitórias, dez empates e 21 derrotas, ou 22,5% de aproveitamento –, acabou perdendo a posição. Para o lugar do antigo treinador, a federação local anunciou, no último dia 28 de dezembro de 2011, a contratação do também norte-irlandês Michael O´Neill, que vem num  bom momento na carreira e pode ajudar bastante a equipe.

História

O profissional de 42 anos estava no Shamrock Rovers, da vizinha Irlanda, e conseguiu, na atual temporada (2011-12), a façanha de levar pela primeira vez na história um clube daquele país à Fase de Grupos de uma competição europeia – ficou na chave A, perdendo todos os jogos para Tottenham Hotspur (Inglaterra), Rubin Kazan (Rússia) e PAOK (Grécia). Bem que O´Neill pretendia seguir na equipe irlandesa, que comandava desde 2009, como mostrou o Plano Tático em 5 de novembro de 2011 (veja mais detalhes aqui), mas a chance de vestir a camisa de seu país natal falou mais alto:

“Sou um norte-irlandês orgulhoso de meu país e sempre tive o desejo de treinar a seleção nacional. Estou confiante de que podemos progredir. A Irlanda do Norte tem uma forte tradição no futebol, mas que agora precisa ser revigorada com algum sucesso atual. Este é o meu principal objetivo, restaurar a sensação de orgulho e confiança no que significa vestir essa camisa. Assim, nossos jogadores quererão somente jogar por nosso país”, disse o novo comandante do time ao site da UEFA.

Hercúleo!

Portanto, no último dia 29 de fevereiro de 2012, a nova Irlanda do Norte entrou em campo, no primeiro amistoso da era O´Neill. No estádio Windsor Park (12.950 lugares), em Belfast, os norte-irlandeses foram derrotados pela Noruega, a três gols, num começo que pode ser considerado insatisfatório. Outro fator que chamou a atenção do Plano Tático diz respeito ao elenco convocado para o jogo.

Todos os 24 jogadores chamados atuam no futebol britânico, em especial na Inglaterra, com 18 atletas. Os seis restantes defendem clubes escoceses, e nenhum local teve vez nesta convocação. O jogador mais experiente era o atacante David Healy, de 32 anos, segundo com mais partidas pela seleção – 92 – e melhor goleador da história, com 35 tentos, que atua pelo Rangers (Escócia) e tem contrato até junho de 2012.

À exceção do zagueiro Jonny Evans, de 24 anos, do Manchester United (Inglaterra), os demais atletas que atuam no futebol inglês são de times coadjuvantes da primeira e segunda divisões. Espera-se que a mentalidade de rejeitar atletas locais mude com o passar do tempo, mas é fato que a liga nacional da Irlanda do Norte, com seus 12 clubes, tem muito menos qualidade que a escocesa e a inglesa. Tanto que o Linfield, maior vencedor do país, tem 50 títulos da primeira divisão nacional, contra 23 do Glentoran, o segundo da lista, o que corrobora a alta concentração, atrapalhando a disputa.

O próprio coeficiente da UEFA mostra que os clubes norte-irlandeses sempre são eliminados nas fases iniciais da competições, com o país aparecendo apenas em 48º lugar, dentre 53 participantes, atrás de Malta e até Liechtenstein. A seleção está em 31º lugar, mas terá de ir bem nas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2014, se não quiser descer mais alguns degraus.

Gols da derrota de 4 a 1 para a Estônia, nas Eliminatórias UEFA Euro 2012

Imagem de Amostra do You Tube

Aliás, uma boa campanha no qualificatório também está nos planos de Michael O´Neill: “Com interesses de todos envolvidos, principalmente dos torcedores, meu trabalho aqui é ajudar os jogadores para que eles tenham um desempenho competitivo nas eliminatórias. A federação tem um planejamento claro para o futuro e eles me deram a responsabilidade de trilhar o caminho da evolução”, disse ao site da UEFA.

De fato, depois de mais dois amistosos, diante de Holanda (2 de junho de 2012) e Finlândia (15 de agosto), a Irlanda do Norte começará, no próximo dia 7 de setembro de 2012, a caminhada rumo à 2014. A equipe figura no Grupo F, que ainda tem Portugal, Rússia, Israel, Azerbaijão e Luxemburgo. Portugueses e russos são favoritos, mas a Irlanda do Norte talvez consiga beliscar a terceira posição, pela qual Israel também brigará.

Portanto, a tarefa de Michael O´Neill à frente de sua nação, a qual defendeu, como meia, em 33 partidas, com sete gols anotados, é bastante árdua. O resgaste do orgulho do norte-irlandês por sua seleção está novamente em pauta! Conseguirá O´Neill entrar para a história?

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