Liga Inglaterra 1ª Divisão - Plano Tático

Leicester City e mais 30: os campeões inéditos da temporada 2015/16

Veja notícias diárias do Futebol Europeu no Facebook

O Plano Tático prometeu e agora cumpre. Em maio, inspirados pelo histórico êxito do Leicester City, elaboramos uma lista com todos os campeões nacionais inéditos do planeta na temporada 2014/15. É chegada a hora de atualizarmos a relação com os vencedores de primeira viagem entre 2015 e 2016. Convidamos você, Apaixonado por Futebol Alternativo, a dar a volta do mundo e ficar por dentro de curiosidades dos novos campeões nas primeiras divisões nacionais. Boa leitura!

Campeões inéditos da Europa

Leicester City (Inglaterra)

Fundação: 1884

Outros títulos: sete vezes campeão da segunda divisão (1924/25, 1936/37, 1953/54, 1970/71, 1979/80 e 2013/14), campeão da terceira divisão (2008/09), três vezes campeão da Copa da Inglaterra (1963/64, 1996/97 e 1999/00), campeão da Supercopa da Inglaterra (1971)

Temporadas na elite: 48 edições (estreia em 1908/09)

Campanha: 81 pontos (23v, 12e, 3d, 68 gols a favor e 36 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

É o caso mais emblemático dessa longa lista. O Plano Tático já esmiuçou a epopeica trajetória de N’Golo Kanté, Riyad Mahrez, Jamie Vardy e companhia que, sob o comando de Claudio Ranieri, lograram uma das maiores façanhas futebolísticas de todos os tempos. O conto de fadas vivido pelo Leicester City em 2015/16 não se repetirá tão cedo – quiçá nunca mais. O que não significa que, por mais peças que os Foxes perderem para times maiores e mais ricos, o objetivo seja a simples manutenção na Premier League. O Leicester City dificilmente perderá a aura de azarão, mas agora é capaz de criar expectativas – espera-se o mínimo de competitividade em 2016/17, tanto na liga quanto no debute na Champions League.

————————————————————–

Olimpija Ljubljana (Eslovênia)

 

Fundação: 2005

Outros títulos: campeão nacional da segunda divisão (2008/09), da terceira divisão (2007/08), da quarta divisão (2006/07) e da quinta divisão (2005/06)

Temporadas na elite: sete edições (estreia em 2009/10)

Campanha: 81 pontos (22v, 8e, 6d, 75 gols a favor e 25 contra)

Brasileiros no elenco: Danilo Mariotto, atacante, 20 anos (ex-Fluminense/RJ)

O Olimpija Ljubljana chamou a atenção do Plano Tático pela quantidade de acessos (foram quatro) obtidos na segunda metade da última década. Os Zmaji flertavam com o título há algumas temporadas, mas apenas em 2015/16 foram capazes de interromper a supremacia do Maribor, campeão de seis dos últimos sete campeonatos eslovenos.

A vitória pela contagem mínima sobre o Rudar na última jornada – os alviverdes poderiam até perder caso o Maribor não fizesse o dever de casa conta o Gorica – ratificou a mais importante conquista do novo Olimpija Ljublijana. Vale ressaltar: o antigo Olimpija Ljubljana, uma das equipes mais tradicionais da Eslovênia, foi tetracampeão nacional nos anos 1990. Afundado em dívidas, teve a falência decretada em 2004. Dissolvido, acabou refundado como NK Bezigrad e obrigado  recomeçar na sétima divisão – apenas em 2009 pôde “comprar” o nome original.

A campanha foi manchada pelo racismo praticado pelo técnico Marko Nikolic sobre o atacante nigeriano Blessing Eleke: o comandante dirigiu palavras ofensivas depois que o jogador, após marcar o gol de empate contra o Zavrc, pela 29ª rodada da liga, se exaltou na comemoração. Nikolic foi sumariamente demitido e o italiano Rodolfo Vanoli assumiu seu lugar – foi ele quem liderou Olimpija à desforra nas jornadas finais.

————————————————————–

SJK (Finlândia)

Fundação: 2007

Outros títulos: campeão da Copa da Finlândia (2014), da segunda divisão (2013) e da terceira divisão (2011)

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2014)

Campanha: 60 pontos (18v, 6e, 9d, 50 gols a favor e 22 contra)

Brasileiros no elenco: Allan Souza, volante, 18 anos (ex-Internacional, joga no Liverpool e está emprestado ao Hertha Berlim/Alemanha)

O SJK foi outro clube a irromper a hegemonia de um grande em seu país – pior para o tradicional HJK Helsinque – e o feito não passou em branco no Plano Tático. O SJK tem trajetória fulminante: em 2011 jogava a terceira divisão finlandesa. Estreou na elite em 2014 e em sua segunda temporada foi intruso nos primeiros lugares. Sob a batuta do técnico Simo Valakari, o clube mostrou maturidade para duelar e vencer HJK Helsinque e RuPS, os dois principais postulantes ao título do Campeonato Finlandês 2015.

————————————————————–

FC Astra Giurgiu (Romênia)

Fundação: 1921

Outros títulos: campeão da Copa da Romênia (2013/14), da segunda divisão (1997/98) e da terceira divisão (2007/08)

Temporadas na elite: 12 edições (estreia em 1998/99)

Campanha: 73 pontos (21v, 10e, 5d, 62 gols a favor e 38 contra)

Brasileiros no elenco: Júnior Maranhão, lateral-esquerdo, 29 anos (ex-São Cristóvão/RJ), Rick Boldrin, meia, 27 anos (ex-Portuguesa/SP e Guaratinguetá/SP), Willian de Amorim, atacante, 24 anos (ex- base do Grêmio)

Em 2007, o Astra Giurgiu jogava a obscura terceira divisão romena. Levou dois anos para alcançar a elite e mais dois para passar a ser competitivo. Vice-campeão em 2013/14, conheceu, enfim, a glória em 2015/16. Depois de um início de temporada irregular – o time chegou a ocupar a zona de rebaixamento nas rodadas iniciais –, os Dracii Negri engataram impressionante sequência de resultados positivos, que serviram para desbancar o tradicional Dinamo Bucharesti da liderança.

O primeiro lugar foi mantido com segurança até o fim da fase regular e durante todo o Hexagonal Final – muito pelos gols do dueto ofensivo Costantin Budescu e Denis Alibec (esse último integrou a seleção romena na Eurocopa 2016).

Para 2016/17, o Astra Giurgiu tem se reforçado: cinco jogadores foram contratados, dentre eles o zagueiro Fabrício Dornellas, revelado pelo Flamengo no final da década passada (foi vice-campeão mundial sub-20 em 2009 com a seleção brasileira) e que nos anos seguintes vestiu as camisas de Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Vasco da Gama e Fluminense – sem se firmar em nenhum deles.

————————————————————

FK Mladost Podgorica (Montenegro)

Fundação: 1950

Outros títulos: campeão da segunda divisão de Montenegro (2009/10), seis vezes campeão da terceira divisão da Iugoslávia (1967/68, 1974/75, 1978/79, 1983/84, 1986/87, 1998/99)

Temporadas na elite: 12 edições (estreia em 1998/99)

Campanha: 67 pontos (21v, 4e, 8d, 53 gols a favor e 28 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Até o desmembramento dos clubes de Montenegro da Sérvia em 2006, o Mladost Podgorica, que até o início dos anos 19090 se chamava OFK Titogrado, mal conseguia se sustentar na segunda divisão da ex-Iugoslávia. E é bem verdade que, mesmo sendo alçado à primeira divisão montenegrina, demorou para engrenar – foi, inclusive rebaixado em 2007/08. Ao invés de brigar pela conservação de seu lugar na elite, os Romanticari passaram a aspirar vagas em competições europeias a partir de 2014/15.

Era o que apontavam os prognósticos para a temporada 2015/16. Apesar do início cambaleante, o Mladost Podgorica engatou série de nove vitórias consecutivas (parte de uma invencibilidade de 13 partidas) na virada do primeiro para o segundo turno, muito em função das atuações do meia Marko Scepanovic, artilheiro com 19 gols. Mesmo a queda de rendimento no terceiro turno não afetou a distância para os rivais, confirmando a maior zebra da curta história da liga montenegrina.

————————————————————–

Alashkert FC (Armênia)

Fundação: 1990

Outros títulos: campeão da segunda divisão (2012/13)

Temporadas na elite: seis edições (estreia em 1990)

Campanha: 55 pontos (16v, 7e, 5d, 50 gols a favor e 24 contra)

Brasileiros no elenco: Héber, atacante, 24 anos (ex-Figueirense, Avaí e Paysandu)

O Alashkert foi fundado em 1990 e dissolvido, por inúmeras dívidas, uma década depois. Ressurgiu em 2011 graças às ações do magnata Bagrat Navoyan e rapidamente voltou à elite armênia. Em 2014/15, o clube, pela primeira vez na história, se classificou para a Liga Europa. A vitória sobre o Pyunik, maior campeão nacional, fora de casa, na estreia da temporada 2015/16, foi uma amostra de que o Alashkert não estava para brincadeira.

O time passou dois dos quatro turnos invicto. A absurda regularidade fez com que os tradicionais Pyunik e Shirak apenas se aproximassem da liderança, sem que conseguissem em momento algum abocanhá-la. O título inédito tem grande responsabilidade da dupla de ataque formada pelo armênio Mirhan Manasyan e o brasileiro Héber dos Santos – ambos autores de 16 tentos e donos da artilharia da liga.

O campeão inédito na América do Sul

Sport Boys Warnes (Bolívia)

Fundação: 2012

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2013/14)

Campanha: 45 pontos (14v, 3e, 5d, 36 gols a favor e 17 contra)

Brasileiros no elenco: Jefferson Lopes, zagueiro, 27 anos (ex-America/RJ), Anderson Gonzaga, meia, 33 anos (ex-Coritiba e Portuguesa/Venezuela), Eduardo Farias, atacante, 26 anos (ex-Atlético Paranaense)

O Sport Boys é apenas homônimo do clube peruano, dono de seis títulos nacionais e que chegou a enfrentar o Palmeiras na Libertadores 2001. Fundado em 2012 no município de Warnes, encravado na Região Metropolitana de Santa Cruz de la Sierra, o Toro Warneño teve ascensão fulminante. Em sua primeira aparição na segunda divisão boliviana em 2012/13, o clube logrou o vice-campeonato e o acesso à elite tendo como estrela o atacante e ídolo local, Joaquín Botero.

Depois do debute honesto na elite nacional, o Sport Boys chegou a dar como certa a contratação do Presidente da República, Evo Morales, para a temporada 2014/15. Tamanha ousadia por pouco não terminou em tragédia. O Chefe de Estado, claro, não entrou em campo. E a equipe teve a permanência na primeira divisão garantida apenas no jogo desempate da repescagem contra o vice-campeão da segundona.

No Torneio Clausura 2015, o Sport Boys liderou as sete primeiras rodadas. Perdeu o lugar para o The Strongest na virada do primeiro para o segundo turno, mas retomou a ponta a nove jogos do fim para de lá não mais sair. O Toro Warneño, garantido na Libertadores 2017, nem se esforçou muito na segunda metade da temporada 2015/16: foi apenas o nono colocado do Apertura, vencido pelo Jorge Wilstermann.

Os campeões inéditos na Concacaf

Salsa Ballers FC (Anguilla)

Fundação: 2008

Outros títulos: campeão da Soccerama Cup (2012)

Temporadas na elite: sete edições (estreia em 2008/09)

Campanha: 19 pontos (6v, 1e, 1d, 30 gols a favor e cinco contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Coadjuvante desde que passou e integrar a AFA Senior League, como é chamado o Campeonato Anguilano, o Salsa Ballers se aproveitou da redução do número de times na competição. O Roaring Lions, maior campeão nacional, e o Kicks United, atual vencedor do certame, bateram retirada semanas antes do pontapé inicial, descontentes com a falta de organização da federação local.

O caminho para a glória, pois, ficou aberto. Quarto colocado na temporada 2014/15, o Salsa Ballers se reforçou com jogadores cedidos pelos times desertores e desbancou o favoritismo do Attackers, o único grande do país remanescente na esvaziada liga. Com sonoros 6 a 1 sobre o Dock’s United, levantou o caneco na última rodada. É o primeiro clube do distrito de George Hill (a população mal ultrapassa os 1 mil habitantes) a ficar com o título em Anguilla.

————————————————————–

Greenbay Hoppes FC (Antigua & Barbuda)

Fundação: 1969

Outros títulos: campeão da CTV Warriors Cup (2005)

Temporadas na elite: 37 edições (estreia em 1970)

Campanha: 41 pontos (13v, 2e, 3d, 41 gols a favor e 16 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

O Hoppers, 47 anos depois da fundação, enfim saiu da fila em Antigua & Barbuda. Só na última década foram sete vice-campeonatos nacionais. Após tanto bater na trave, o clube sobrou na temporada 2015/16: liderou o campeonato de ponta a ponta e construiu na virada de turno confortável vantagem de oito pontos sob o Grenades, segundo colocado. O título foi ratificado com três rodadas de antecedência em goleada, fora de casa, sobre o Fort Road (4 a 1). Primeiro time da capital St. John a conquistar o Campeonato Antiguano, o Hoppers voltará a jogar em 2017, depois de 12 temporadas ausente, a CFU Club Champioship, torneio caribenho classificatório para a Liga dos Campeões da Concacaf.

————————————————————–

UWI Blackbirds (Barbados)

Fundação: 2013

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: duas edições (estreia em 2015)

Campanha: 45 pontos (15v, 0e, 3d, 80 gols a favor e 19 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

UWI é a sigla de University West Indies. Trata-se do time de futebol pertencente à Universidade das Índias Ocidentais que, em sua segunda temporada na primeira divisão, desbancou o BDF, equipe das Forças Armadas de Barbados e que perseguia o quarto título seguido. Os Blackbirds tomaram o primeiro lugar dos rivais na 12ª das 18 rodadas do Campeonato Barbadiano, muito graças ao desempenho de Mario Harte, goleador máximo da competição com 20 gols.

Ambos duelaram até a jornada derradeira – a vitória por 2 a 1, fora de casa, no confronto direto, conferiu ao UWI um ponto, vantagem sustentada até o fim. Apesar de incontestável, o título inédito acabou ratificado de maneira polêmica: massacre de 14 a 0 aplicado sobre o Rendezvous: o adversário subiu à cancha com apenas oito jogadores e perdeu dois deles por lesão no intervalo, forçando o encerramento precoce do cotejo. No jogo anterior, o UWI já havia enfiado 21 a 0 no Pinelands, que atuou com sete jogadores durante um dos tempos.

————————————————————–

Atlétiko Flamingo (Bonaire)

Fundação: 2008

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: uma edição (estreia em 2015/16)

Campanha: 20 pontos (6v, 2e, 1d, 18 gols a favor e dez contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Na estreia na primeira divisão de Bonaire, o Atlético Flamingo deixou o melhor cartão de visitas possível. Logrou classificação, na fase regular, com relativa tranquilidade para o quadrangular semifinal. Invicto na segunda fase, desbancou, na decisão, o Real Rincón, que defendia o título nacional, em um jogo cheio de idas e vindas – vitória eletrizante por 4 a 3.

————————————————————–

Portland Timbers (Estados Unidos)

Fundação: 2009

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: seis edições (estreia em 2011)

Campanha: 65 pontos (18v, 11e, 12d, 52 gols a favor e 45 contra)

Brasileiros no elenco: Jeanderson, zagueiro, 24 anos (ex-Rio Branco/ES e Santa Rita/AL)

O Portland Timbers aportou na Major League Soccer em 2011, herdando o nome da franquia que na década de 1970 integrou a NASL – foi o primeiro campeão do certame em 1975. Apesar de 2009 marcar o ano de fundação oficial, o clube jogava divisões inferiores do futebol estadunidense desde 2001.

Em 2013, os Timbers fizeram a melhor campanha de toda a temporada regular, mas caíram na final de sua conferência para o Real Salt Lake. Foram à desforra em 2015, depois de trajetória quase epopeica: terceiro colocado na fase regular, teve de superar o Sporting Kansas City nos pênaltis antes de bater Vancouver Whitecaps (2 a 0 no agregado) nas semifinais e o FC Dallas (5 a 3 no agregado), na finalíssima Conferência Oeste.

Nos primeiros dez minutos da grande decisão, o Portland Timbers tratou de minar o favoritismo do Columbus Crew, que havia desbancado o New York Red Bulls na final da Conferência Leste: abriu 2 a 0 com gols do argentino Diego Valeri, eleito melhor jogador da partida, e do costarriquenho Rodney Wallace, recém-contratado pelo Sport Recife. Os rivais diminuíram, mas os comandados de Caleb Porter foram valentes o bastante para manter o placar e levar o título da MLS para o estado do Oregon.

————————————————————–

USR (Guadalupe)

Fundação: 2000

Outros títulos: campeão da Copa de Guadalupe (2012)

Temporadas na elite: oito edições (estreia em 2008/09)

Campanha: 61 pontos (19v, 4e, 3d, 50 gols a favor e 20 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

O CS Moulien havia levado quatro dos últimos cinco Campeonatos Guadalupenses. Provavelmente conquistaria mais um, não fosse o ímpeto do USR em 2015/16. O time da província de Saint-Rose – também joga a Copa da França – perdera o título, dois anos antes, por míseros dois pontos. Dessa vez se impôs desde o início da liga, consolidou uma margem de pontos segura para os demais adversários e a administrou na reta final. O caneco foi ratificado a três rodadas do fim, com um empate sem gols ante o Amical, fora de casa.

————————————————————–

Slingerz FC (Guiana)

Fundação: 2013

Outros títulos: campeão da Copa da Guiana (2013/14)

Temporadas na elite: uma edição (estreia em 2015/16)

Campanha: 61 pontos (28v, 6e, 1d, 80 gols a favor e 20 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Fundado em 2013, o Slingerz, de Vergenoegen, fracassara nas duas tentativas de ascender à elite guianense. Acabou, porém, se beneficiando da reformulação sofrida pela liga nacional, que se profissionalizou, foi amplamente reorganizada pela Ffederação local e passou a se chamar GFF Elite League em 2015/16. Como atendia pré-requisitos administrativos, o clube foi convidado a jogar a edição inaugural, cujo regulamento muito lembra os utilizados nos campeonatos estaduais Brasil afora.

O Slingerz venceu com sobras o primeiro turno e, por pouco, não levou o segundo – líder e invicto na fase regular, bateu o Pelé nas semifinais, mas perdeu a decisão nos pênaltis para o Alpha United. Desse modo, teve de jogar uma finalíssima em campo neutro contra o algoz. E se vingou. Vitória pela contagem mínima, graças ao tento do atacante Davon Millington.

————————————————————–

Raymix (Ilhas Virgens Americanas)

Fundação: 2009

Outros títulos: campeão da Liga de St Thomas (2014/15)

Temporadas na elite: cinco edições (estreia em 2011/12)

Campanha: 20 pontos (6v, 2e, 0d, 34 gols a favor e oito contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

O Raymix chegou bem perto do título inédito em 2014/15 – foi derrotado na finalíssima da liga de futebol das Ilhas Virgens Americanas pelo Helenites (3 a 1). A vingança veio na temporada seguinte: a melhor campanha na fase regular foi premiada na finalíssima – 3 a 2 em cima do mesmo Helenites.

————————————————————–

Sugar Boys (Ilhas Virgens Britânicas)

Fundação: 2007

Outros títulos: campeão da Copa Wendol Williams (2012 e 2013)

Temporadas na elite: sete edições (estreia em 2009)

Campanha: não há dados suficientes

Brasileiros no elenco: nenhum

Desde que foi unificada, em 2009, a liga nacional das Ilhas Virgens Britânicas tinha um dono só, o Islanders FC. O heptacampeonato, todavia, não veio. E o grande responsável pelo fim da supremacia é o Sugar Boys. O clube da Ilha de Virgem Gorda (sim, Gorda) chegou à decisão do como azarão, mas não tomou conhecimento do Islanders FC: vitória por 2 a 0 e muita festa.

————————————————————–

Criollos de Caguas FC (Porto Rico)

Fundação: 1981

Outros títulos: campeão da Supercopa de Porto Rico (2015)

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2012)

Campanha: 29 pontos (9v, 2e, 1d, 40 gols a favor, 13 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Um dos clubes de futebol mais antigos de Porto Rico e homônimo do time de beisebol mais vencedor do país, o Criollos de Caguas tem conhecido o protagonismo no cenário futebolístico local depois que se tornou a principal equipe do município de Caguas – em detrimento do extinto Huracanes. Em 2015, depois de penarem nas duas últimas ligas, os Criollos reinaram: liderança absoluta na fase regular, comprovada com desempenho soberbo tanto nas semifinais, ante o Leones de Manuabo (3 a 2), quanto na decisão conta o Guayama FC (4 a 2).

————————————————————–

System 3 (São Vicente & Granadinas)

Fundação: 1997

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: 10 edições (estreia em 1998/99)

Campanha: desconhecida

Brasileiros no elenco: nenhum

O campeonato nacional de São Vicente & Granadinas foi disputado pela primeira vez em 1998. Em quase duas décadas, não foram poucas as vezes em que o certame deixou de ser jogado por falta de condições estruturais. Não surpreende, portanto, o aparecimento de campeões inéditos, haja vista o baixo número de edições realizadas. Em 2016, quem se deu bem foi System 3, que até então tinha como melhor resultado um vice-campeonato em 2009.

————————————————————–

Flames United SC (São Martinho)

Fundação: 2010

Outros títulos: campeão da Excellence Cup (2013)

Temporadas na elite: duas edições (estreia em 2010/11)

Campanha: desconhecida

Brasileiros no elenco: nenhum

Em apenas cinco anos de existência, o Flames United entrou para o hall de times campeões de ligas nacionais do planeta. E logo em sua segunda aparição na primeira divisão da porção holandesa de São Martinho. O campeonato teve um hiato entre 2011 e 2014 – no período foi organizado um certame que reuniu clubes tanto do lado holandês, quanto do lado inglês da Ilha de São Martinho. A performance do Flames United chamou tanta atenção que a federação local sugeriu que o time representasse a seleção nacional na Copa do Caribe 2017. Dwayne Wright, presidente do Flames United, entretanto, refutou o convite: a prioridade é a CFU Club Championship, no segundo semestre de 2016.

Campeões inéditos na África

Racing de Micomeseng (Guiné Equatorial)

Fundação: 2015

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: duas edições (estreia em 2015)

Campanha: 35 pontos (10v, 5e, 1d, 24 gols a favor, 11 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O Racing de Micomeseng existe, de fato, desde 2006, mas se profissionalizou apenas nove anos depois. E a estreia na liga nacional se deu da melhor forma possível: com título tanto na fase regular (estágio em que os times são divididos em duas chaves, uma composta por times cujas sedes ficam na parte continental de Guiné Equatorial, e outra com as equipes da porção insular do país) quanto na fase final (que reúne os três clubes de melhor desempenho no estágio anterior). O Racing de Micomeseng ainda deu à Bata, cidade de maior extensão territorial de Guiné Equatorial, a primeira glória esportiva.

————————————————————–

Nimba United (Libéria)

Fundação: 2011

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2012)

Campanha: 21 pontos (5v, 6e, 1d, 14 gols a favor, 11 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O Nimba United entra para o clube de agremiações que tardaram o mínimo possível para ir à desforra e abocanhar o principal campeonato de sua nação. Foram exatos quatro anos entre fundação e o levantar do caneco do Campeonato Liberiano 2015. O título foi obtido a fórceps: após desbancar o Barrack Young Controller, atuais bicampeões, na primeira fase, o Nimba United chegou à finalíssima como azarão ante os LISCR. A igualdade sem gols nas duas partidas levou a decisão para os pênaltis: 3 a 2 para os Mountaineers, o primeiro clube de fora da capital Monróvia a vencer a liga nacional em 52 anos – o Nimba United é da cidade de Sanniquellie, capital do estado de Nimba, localizado no nordeste do país.

————————————————————–

FUS Rabat (Marrocos)

Fundação: 1946

Outros títulos: campeão da Liga dos Campeões da África (2010), seis vezes da Copa do Trono do Marrocos (1967, 1973, 1976, 1995, 2010 e 2014), quatro vezes da segunda divisão (1962, 1999, 2007 e 2009)

Temporadas na elite: 53 edições (estreia em 1956/57)

Campanha: 58 pontos (16v, 10e, 4d, 40 gols a favor, 21 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O FUS Rabat é um dos times mais tradicionais do Marrocos, sua fanática torcida (que tinha entre os membros o falecido Príncipe Moulay Abdellah), contudo, sofreu seis décadas com gozações pelo jejum de títulos nacionais. O clube tornou-se um dos poucos no mundo a ter em suas fileiras o troféu do torneio mais importante do continente (a Liga dos Campeões da África 2010), mas não a da principal liga de seu país – foi vice-campeão em três oportunidades (1980/81, 2000/01 e 2011/12).

Em 2015/16, a redenção: o FUS Rabat flertou com a ponta durante boa parte do Campeonato Marroquino. Foi roubá-la, todavia, de maneira definitiva do Wydad Casablanca a duas rodadas do fim, beneficiado pela derrota do Wydad para o Raja no dérbi de Casablanca. 15 mil pessoas abarrotaram o Stade de FUS para assistir à goleada do FUS Rabat por 4 a 2 em cima do MC Oujda e puderam desentalar da garganta o grito de campeão marroquino.

————————————————————–

Chicken Inn FC (Zimbábue)

Fundação: 1997

Outros títulos: campeão da NetOne Charity Shield (2013)

Temporadas na elite: cinco edições (estreia em 2011)

Campanha: 61 pontos (18v, 7e, 5d, 45 gols a favor, 23 contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Bancado por uma rede de fastfood estadunidense, o Chicken Inn, da cidade de Bulawayo, demorou 14 anos para chegar à elite de Zimbábue, mas assim que o fez, pelo nível de investimento realizado, sabia-se que o título nacional era questão de tempo. O “time-propaganda” desbancou com autoridade o tradicional Dynamos, que ficou com o caneco nos três campeonatos anteriores. O título do Campeonato Zimbabuano foi ratificado na penúltima jornada com os 3 a 1 aplicados sobre o Harere City.

Campeões inéditos da Ásia

De Spin Ghar Bazan (Afeganistão)

Fundação: 2012

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2013)

Campanha: 11 pontos (3v, 2e, 1d, nove gols a favor, cinco contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

Mais um para lista de campeões inéditos precoces. No terceiro ano como profissional e como integrante da primeira divisão afegã, o De Spin Ghar Bazan, semifinalista em 2014, chegou à decisão como azarão ante o Shaheen Asmayee, que buscava o tricampeonato. De maneira heroica, segurou a igualdade sem gols no tempo normal e na prorrogação e levou a melhor nos pênaltis – o clube já havia batido o De Maiwand Atalan nas semifinais da mesma forma.

————————————————————–

Al Hidd (Bahrein)

Fundação: 1945

Outros títulos: campeão da Copa do Rei (2015), da Copa do Bahrein (2015), da Supercopa do Bahrein (2015), da segunda divisão (2009)

Temporadas na elite: oito edições (estreia em 2007/08)

Campanha: 42 pontos (12v, 6e, 0d, 39 gols a favor, 15 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O Al Hidd ficou a um ponto da perfeição em 2014/15: foi essa a diferença para o primeiro colocado do Campeonato Bareinita, o Al Muharraq, depois de ter vencido as duas copas nacionais. Em 2015/16, o Tsunami não se deu bem nas copas, mas se impôs na liga: título obtido de modo invicto e com três rodadas de antecedência. A saber se o clube manterá a força na temporada 2016/17 para buscar o bi e fazer um debute digno na Liga dos Campeões da Ásia. A permanência do atacante Saad Al-Rumaihi, autor de 17 dos 39 gols do Al Hidd na liga bareinita e artilheiro, é dada como incerta, bem como a do técnico Selman Sharida.

————————————————————–

FC Tertons (Butão)

Fundação: 2014

Outros títulos: campeão da segunda divisão (2014)

Temporadas na elite: uma edição (2015)

Campanha: 22 pontos (6v, 4e, 0d, 29 gols a favor, dez contra)

Brasileiros no elenco: nenhum

O Tertons é dono de trajetória fulminante. Fundado em 2014, foi campeão da segunda divisão nacional em poucos meses de existência. Na elite, sobrou na Liga de Thimphu, espécie de estágio qualificatório para a fase final, e, mesmo com a forte concorrência do Thimphu FC, manteve-se invicto e abocanhou o caneco da temporada 2015.

————————————————————–

Esteghlal Khuzestan (Irã)

Fundação: 2008

Outros títulos: campeão da segunda divisão (2012/13), da terceira divisão (2010/11)

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2013/14)

Campanha: 57 pontos (15v, 12e, 3d, 33 gols a favor, 14 contra)

Brasileiros no elenco: Fernando, goleiro, 32 anos (ex-Duque de Caxias e Macaé)

Leicester City do Irã. A alcunha dada pela imprensa local já diz muito sobre o feito do Esteghlal Khuzestan, que iniciou a atual década afundado na semiprofissional terceira divisão do Irã. Fadado a lutar contra o descenso desde que alcançou a elite iraniana em 2013, nem os próprios torcedores do Esteghlal Khuzestan levavam muito a sério o título do primeiro turno de 2015/16. Contratações escolhidas a dedo e sem badalações – o baixo orçamento não permitia excessos – se encaixaram plenamente na filosofia do treinador Sirous Pourmousavi, além de fervorosa união e dedicação dos que lá já estavam. Até o uniforme todo celeste fez do clube de Ahvaz, extremo oeste do Irã, uma versão persa dos atuais campeões ingleses.

A inesperada glória veio da maneira mais dramática: o Esteghlal Khuzestan bateu por 2 a 0 o Zob Ahan e festejou o inédito título porque tinha saldo de gols melhor que o do Persepolis (19 a 16), de mesma pontuação. Mostra de que a solidez do sistema defensivo – o Esteghlal Khuzestan teve média de 0,46 gol sofrido por jogo – foi determinante e teve grande contribuição tupiniquim: o goleiro Fernando Ribeiro, titular em todas as 30 rodadas, não foi vazado em 17 delas, um recorde no Campeonato Iraniano. O guarda-metas não renovou contrato e, em 2016/17, atuará no Gostaresh Foulad, nono colocado na liga iraniana.

————————————————————–

Lao Toyota (Laos)

Fundação: 2013

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2014)

Campanha: 57 pontos (15v, 3e, 3d, 63 gols a favor, 21 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O Lao Toyota é administrado por uma subsidiária da montadora de carros japonesa e dotado de um investimento pouco comum para o futebol de Laos. Não à toa, por exemplo, o plantel é recheado de jogadores nascidos no Japão. Natural que a equipe não demorasse a conhecer a glória. Ascendeu à primeira divisão no ano de estreia, debutou na elite brigando ferrenhamente pelo título (ficou a quatro pontos do campeão Hoang Ahn Attapeu), repetindo a dose em 2015 – com final feliz.

Fosse no Brasil ou em muitas ligas mundo afora, porém, o Lao Toyota, empatado em número de pontos e vitórias com o Lanexang United, levaria a pior por ter saldo de gols inferior ao adversário (42 a 51). Em Laos, contudo, o primeiro critério de desempate é o confronto direto: os 3 a 1 aplicados na penúltima jornada (no primeiro turno houve empate sem gols) foram decisivos para que o Lao Toyota ficasse com a taça. Menção honrosa para o atacante Kazuo Homma, ex-Feverencváros/Hungria, que anotou 29 dos 63 tentos do Lao Toyota no Campeonato Laociano e foi dono supremo da artilharia da liga pelo segundo ano consecutivo.

————————————————————–

Colombo FC (Sri Lanka)

Fundação: 2008

Outros títulos: campeão da Copa do Sr Lanka (2014/15), campeão da Liga de Futebol de Colombo (2010/11)

Temporadas na elite: cinco edições (estreia em 2012/13)

Campanha: 39 pontos (11v, 6e, 1d, 34 gols a favor, 12 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

A liga de Sri Lanka passou por transformações ao fim da temporada 2014/15. Antes com calendário semelhante ao utilizado na maioria dos países europeus (entre agosto e maio), aderiu o período de competição de acordo com o calendário solar. Desse modo, uma edição de “transição” foi disputada no segundo semestre de 2015. Mais curto – os pontos corridos foram postos de lado –, o torneio abriu margem para surpresas e o Colombo FC aproveitou. Líder de maneira invicta de seu grupo, chegou ao octogonal final cotado à figuração, mas fez papel de gente grande. O título, no entanto, veio do modo mais dramático possível: na última rodada (vitória por 2 a 0 sobre o SL Army) e graças à mínima vantagem no saldo de gols – 10 a 9 sobre o vice-campeão Renown SC.

————————————————————–

DPMM FC (Cingapura)

Fundação: 2000

Outros títulos: três vezes campeão da Copa da Liga de Cingapura (2009, 2012 e 2014), duas vezes campeão do Campeonato Bruneano (2002 e 2004), campeão da Copa de Brunei (2004), duas vezes campeão da Supercopa do Brunei (2002 e 2004),

Temporadas na elite: quatro edições (estreia em 2012/13)

Campanha: 52 pontos (15v, 7e, 5d, 48 gols a favor, 26 contra)

Brasileiros no elenco: Rafael Ramazotti, atacante, 27 anos (ex-Palmeiras B, Bahia, Santo André e Bragantino)

O DPMM FC é o caso mais peculiar da lista. Único time profissional do Brunei, mas que por falta de competitividade em sua nação disputa torneios em outros países: fez parte do Campeonato Malaio na década passada e desde 2012 integra a Liga de Cingapura. Após dois vice-campeonatos nos últimos anos, sagrou-se campeão. Com desempenho estrelar do brasileiro Rafael Ramazotti, artilheiro do certame com 21 gols, o DPMM FC, comandado pelo inglês Steve Kean, ex-auxiliar de Luiz Felipe Scolari no Chelsea e de Chris Coleman, técnico de País de Gales, sobrou em solo cingapuriano.

O intruso abocanhou o caneco com uma rodada de antecedência. Atendendo às exigências da Confederação Asiática de Futebol, a federação de Cingapura não concedeu a vaga a que o país tinha direito na Liga dos Campeões da Ásia 2016 ao DPMM FC, que não é um time do país, obviamente. O herdeiro foi o vice-campeão Tampines Rovers, que caiu na primeira fase preliminar do certame continental para o Mohun Bagan/Índia. É bem possível que o DPMM FC tivesse feito um papel melhor.

O campeão inédito da Oceania

Team Wellington (Nova Zelândia)

Fundação: 2004

Outros títulos: nenhum

Temporadas na elite: três edições (estreia em 2013/14)

Campanha: 33 pontos (10v, 3e, 3d, 43 gols a favor, 24 contra)

Brasileiros no elenco:nenhum

O Plano Tático destacou em 2015 o desenvolvimento do Team Wellington como filial do Wellington Phoenix, único clube profissional da Nova Zelândia, mas que atua pela liga australiana – o caso é parecido com o do DPMM FC. Depois de duas temporadas como vice-campeão, o time, composto majoritariamente por jogadores sub-21, foi segundo colocado na fase regular e desbancou nos playoffs o Hawke’s Bay United e o multicampeão Auckland City na finalíssima do Campeonato Neozelandês 2015 (vitória categórica por 4 a 2), tornando-se a primeira equipe a ficar com caneco desde a criação da liga, em 2004, que não fossem os Navy Blues ou o Waitakere United.

Que em 2016/17 existam mais campeões inéditos mundo afora!

Mais antigas

Personagens

Internacionais

Nacionais

Vídeos

Bola na Rede