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Brasília DF encerra 3 anos de sucesso absoluto com queda no Candangão

Não há nenhuma dúvida de que os dois maiores times do Distrito Federal são Gama e Brasiliense, não necessariamente nesta ordem. Na história recente, só os dois conseguiram jogar a Série A do Brasileirão e permanecer nas duas principais divisões nacionais, embora atualmente jazam na Série D, precisando de vaga para disputar a competição.

Pode-se dizer que a terceira força da capital federal é o Brasília Futebol Clube, que incorporou a história do antigo Brasília Esporte Clube em 1999, quando o médico veterinário aposentado Ênio Marques e sócios fundaram uma empresa e compraram por preço simbólico o departamento de futebol da antiga agremiação.

A história do novo Brasília até começou bem, mas o clube sofreu com problemas financeiros e foi parar na 3ª divisão do Candangão (mais detalhes ao longo do texto). Nos últimos anos, porém, a equipe se reergueu e conseguiu três vice-campeonatos da elite brasiliense, além do histórico título da Copa Verde 2014, que lhe deu a chance de jogar a Copa Sul-Americana 2015.

Entretanto, o sucesso e o protagonismo do Brasília se resumiram a esses três ou quatro anos. No Candangão 2017, o time ficou no máximo no quinto lugar, entrou na zona de rebaixamento na quinta rodada e não conseguiu sair mais. Com o fim da 1ª fase da competição, o Brasília somou só sete pontos e ficou a quatro de se salvar da degola.

A volta à 2ª divisão após cinco anos encerra o período de bonança do Brasília, que precisará se reconstruir. Veja um resumo das dificuldades que o clube já enfrentou na história, os momentos de glória e a temporada em que deu tudo errado para o Colorado Candango!

A volta do Brasília

Em 1999, os planos do Brasília eram ambiciosos, mas o time não conseguiu se sustentar financeiramente, acabou caindo para a 2ª divisão do Candangão em 2001 e fechou as portas em 2005. O retorno foi na temporada seguinte, mas na 3ª divisão local, da qual o Brasília demorou dois anos para sair, sendo vice-campeão em 2007 – perdeu para o Santa Maria por 3 a 1 em jogo único. Um ano depois, título da 2ª divisão e acesso à elite brasiliense de 2009.

O retorno ao Candangão depois de oito anos aconteceu de forma marcante, com a terceira posição na 1ª fase e final com o rival Brasiliense, que venceu as duas partidas. Nas duas temporadas seguintes (2009 e 2010), o Brasília jogaria a Série D do Brasileirão, ficando bem perto do acesso na segunda tentativa…

Após liderar o Grupo A6, que ainda tinha Araguaína/TO, Ceilândia/DF e Botafogo/DF, o Brasília eliminou o bom time do Fluminense de Feira/BA, mas parou nos tocantinenses por 6 a 4 em dois jogos na 3ª fase, sendo o pior perdedor e ficando de fora da briga pelo acesso. Por causa das condições financeiras difíceis, a equipe passou maus bocados em 2011, quando acabou rebaixada com 11 pontos em 14 jogos.

Imagem de Amostra do You Tube

Sorte que o Brasília não ficou muito tempo na 2ª divisão, já que somou 16 pontos em oito jogos na temporada seguinte e terminou com o vice-campeonato, um ponto atrás do Unaí, atual Paracatu – os dois subiram. A partir daí, o Brasília experimentou o sucesso.

Brasília, da glória ao fundo do poço

No Candangão 2013, o Brasília era apenas um vice-campeão da 2ª divisão, mas mostrou muita força. No primeiro turno, a equipe somou 16 pontos em seis jogos e liderou o Grupo B com quatro à frente do Gama. No mata-mata, passou pelo Sobradinho nas semifinais e superou o Brasiliense para levantar o caneco – triunfo de 3 a 1 e derrota de 1 a 0.

No returno, o Brasília não avançou às semifinais por um ponto e encarou novamente o Brasiliense na final da competição, perdendo os dois jogos por 1 a 0 e 3 a 0. Apesar do vice-campeonato, a equipe pôde voltar à Série D, embora não tenha sido feliz: só cinco pontos em oito rodadas (1v, 2e, 5d), na lanterna do Grupo A5, a dez de avançar.

A segunda posição no Candangão deu ao Brasília a chance de jogar a Copa Verde 2014. É verdade que o time não tinha muita expectativa, mas o destino do Brasília começou a mudar com as vitórias sobre CENE/MS e Cuiabá/MT nas duas primeiras etapas. Nas semifinais, confronto diante do rival Brasiliense, que venceu por 2 a 0 fora de casa, no estádio Bezerrão.

Os amarelos estavam próximos da decisão, mas eis que o Brasília mostrou força de novo: três gols, o último aos 40 do segundo tempo, selaram a vaga da equipe na final da Copa Verde, uma surpresa e tanto! Na decisão, o Brasília teve outro desafio: superar o favorito Paysandu, o que o time do Distrito Federal conseguiu nos pênaltis (7 a 6) depois de muita polêmica fora do campo – veja todos os detalhes da confusão na Copa Verde 2014.

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É verdade que três semanas depois do título regional o Brasília foi superado na final do Candangão pelo Luziânia (3 a 3 em dois jogos, mas o adversário fez três gols fora de casa), mas não importava: o time disputaria a Copa Sul-Americana, o primeiro do DF a alcançar tal feito!  2015 foi a última temporada de sucesso do Brasília, que voltou a liderar a 1ª fase do Candangão (21 pontos contra 20 do Gama e 19 do Brasiliense) e chegou novamente à grande final, sendo derrotado pela terceira vez: o Gama fez 4 a 0 em duas partidas.

Entre maio e agosto de 2015, o Brasília não teve futebol e pôde preparar com todo o cuidado sua participação mais importante na história. Parecia surreal, mas a equipe do Plano Piloto (região da capital federal) iria disputar a Copa Sul-Americana, o que implicou custos enormes a fim de manter uma equipe para apenas quatro jogos.

Já na 2ª fase do torneio sul-americano, o Brasília mediu forças com o Goiás, que empatou sem gols fora de casa, no estádio Bezerrão. Na volta, pouco mais de 5 mil torcedores foram ao estádio Serra Dourada para ver a classificação dos goianos, mas se surpreenderam com o improvável triunfo do Brasília, que fez 2 a 0 em quatro minutos no início do segundo tempo e seguiu adiante na Copa Sul-Americana.

Nas oitavas de final, o time mediu forças com o Atlético Paranaense, que não deu chance para zebra: venceu por 1 a 0 em casa e empatou sem gols na volta, eliminando os brasilienses. Depois disso, o Brasília não mais conseguiu brigar na parte de cima da tabela e ainda sucumbiu no Candangão 2017…

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Para este ano, o clube mudou de gestor, assumindo Francisco Neto, que trabalhava no Santa Maria/DF. Era um time muito jovem (média de idade de 23,7 anos), formado por alguns ex-jogadores da base do Santa Maria e poucos remanescentes.

Sem a mesma condição financeira das temporadas anteriores, o Brasília ficou na zona de rebaixamento em sete das 11 rodadas e só venceu Paranoá (3 a 0 na 2ª rodada) e Brasiliense (3 a 1 na 10ª rodada), encerrando o Metropolitano com empate diante do lanterna Atlético Taguatinga e a pior defesa com 26 gols sofridos. O futuro é incerto, uma pena para um clube que orgulhava o DF desde 2013!

Curtinhas interessantes

- Na pré-temporada, o Brasília deu mostras de que tinha problemas. Contra o Cruzeiro quase principal, o time levou de 8 a 2, três gols de Rafael Sóbis, mas um jogador saiu ganhando. O meia Marco Morgon, 29 anos, que marcou os gols da equipe. Ele nunca fez sucesso no Brasil (jogou na base do Corinthians e saiu do país aos 17 anos) e defendeu times pequenos de Portugal, Espanha, Guatemala, Chile e Colômbia, até que chegou ao Brasília em 2017. Marco Morgon chegou a ser especulado no Cruzeiro, continuou no Brasília e agora acertou com o Central/PE, que está na Série D 2017.

- O escudo do Brasília faz referência a 1975, ano de fundação do antigo Brasília Esporte Clube, que chegou a disputar a Série A nas décadas de 1970 e 1980. Em 1985, a última edição do time na elite, a equipe foi a 20ª colocada, ficando no sétimo lugar no 1º turno e em sexto no 2º turno, a quatro pontos de avançar para a 2ª fase. Dois anos depois, a terceira e última participação na Série B. Entre 1995 e 2000, o Brasília ainda jogou a Série C. São oito títulos brasilienses na história (último em 1987) e um vice da antiga Copa Centro-Oeste em 1984.

- Nos jogos em que atuou como mandante, o Brasília levou 1.037 torcedores em quatro partidas (com súmulas), média pífia de 259 pessoas a cada jogo. Com isso, o prejuízo do clube ficou em R$ 8.637,20. Mais dívidas para o Brasília.

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