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Ferroviário na final do Cearense 2017: fim do longo reinado dos rivais?

Foto: Pedro Chaves

O Campeonato Cearense 2017 é a 103ª edição do torneio, que começou a ser disputado no longínquo ano de 1915. Evidentemente, o domínio é da dupla Fortaleza e Ceará, que abocanha exatos 84 taças do estadual, 41 para o primeiro e duas a mais para o segundo. Em seguida aparece a terceira força do estado, o tradicional Ferroviário, com nove conquistas.

O problema é que o Ferroviário foi perdendo força nas últimas décadas, enquanto os outros dois times da capital comemoraram vitórias e títulos. A maior dificuldade do Ferroviário aconteceu em 2014, quando o time acabou rebaixado para a 2ª divisão estadual pela primeira vez na história.

Foram duas temporadas distante da elite cearense (2015/16), período nebuloso que acabou depois de muita polêmica – veja os detalhes. Por fim, a desistência do Alto Santo, campeão da 2ª divisão de 2016, abriu uma vaga na elite e o Ferroviário foi agraciado com o acesso.

E o retorno do clube ao Campeonato Cearense não poderia ter sido melhor: boa campanha, vitória sobre o Fortaleza nas semifinais e decisão do estadual pela 29ª vez na história! Veja os detalhes da campanha do Ferroviário e detalhes da última vez que a dupla Ceará/Fortaleza não ficou com o caneco…

A volta do Ferroviário

O retorno do ídolo

Foto: Ferroviário/ Divulgação

O Ferroviário recebeu a notícia de que estava na elite cearense depois dos outros participantes e não tinha muito tempo de preparação. Portanto, a receita era montar uma equipe de confiança, mesclando jovens com jogadores experientes.

Em meados de janeiro de 2017, a diretoria anunciou o atacante Mota, 36 anos, revelado no clube aos 18 anos e com passagens importantes no rival Ceará (1998, 2001, 2009, quando subiu à Série A, e 2012) e no Cruzeiro, pelo qual foi campeão mineiro, brasileiro e da Copa do Brasil em 2003.

Mesmo sem atuar desde 2014, Mota fez um gol (2 a 0 contra o Fortaleza no 1º jogo das semifinais) em oito partidas, seis como titular. Com 507 minutos em campo e duas vezes atuando a partida inteira, Mota ainda chama a atenção por não saber o valor de seu salário, já que voltou ao Ferroviário pela amizade.

Além dele, a espinha dorsal foi formada pelo zagueiro Erandir, 34 (Fortaleza, Atlético Goianiense) e os atacantes Leandro Netto, 37, e Assisinho, 29 – jogou por Ceará, Fortaleza e estava no CRB/AL.

Os desafios

O Ferroviário não alcança a final do Campeonato Cearense 2017 sem dificuldades. Desde a estreia com empate de 2 a 2 diante do Fortaleza em 15 de janeiro, a equipe não teve muitos tropeços. Um deles foi na quarta rodada, no 1 a 1 em casa com o Maranguape, num momento em que ficou quatro jogos sem vencer, com três empates e derrota de 1 a 0 para o Ceará.

Logo depois de conseguir uma goleada de 4 a 0 sobre o lanterna Itapipoca, o Ferroviário poderia imaginar uma evolução no campeonato, mas perdeu o técnico Marcelo Villar, que acertou com o Moto Club/MA – foi atraído pela Série C e Copa do Nordeste. Em meados de fevereiro, o técnico Vladimir de Jesus assumiu o time, vindo do Uniclinic/CE.

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A confiança aumenta

Daí em diante, o Ferroviário ganhou de 1 a 0 do Tiradentes (única vez que venceu duas seguidas) e só perdeu para o Horizonte até o momento, bem no encerramento da 1ª fase. Nas quartas de final, o Ferroviário mediu forças justamente com o adversário. E não foi fácil.

Depois de empate por 1 a 1 em casa, a equipe da capital foi até o interior encarar o Horizonte, que conseguiu outra igualdade pelo mesmo placar. Nos pênaltis, o Ferroviário venceu por 4 a 2 e voltou a disputar as semifinais do estadual, o que não acontecia desde 2009, quando sucumbiu diante do Guarany de Sobral por 1 a 0 em dois jogos.

Nas semifinais, o Ferroviário teve pela frente o rival Fortaleza, num regulamento diferente do usual. Foram três partidas, a primeira delas vencida pelo Tubarão da Barra, exatamente no único gol anotado por Mota na temporada. Detalhe que o Ferroviário não vencia o rival no estadual desde 20 de março de 2011, quando fez 1 a 0 – em 30 de outubro de 2015, o Ferrão superou o Fortaleza por 2 a 1 pela Taça Fares Lopes.

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Com a vitória, o Ferroviário precisava de mais uma para não haver o terceiro jogo ou de dois empates para avançar à decisão. No último dia 9 de abril, o time perdia para o rival por 1 a 0 até os 48 do segundo tempo, quando Mimi teve sobra de bola e empatou.

Agora, o Ferroviário só precisava de mais uma igualdade. Num confronto equilibrado, mas de baixo nível técnico e muito nervosismo, o que é natural, o Tubarão da Barra segurou o 0 a 0 até o fim e conseguiu a vaga na decisão do Campeonato Cearense!

Vagas garantidas

Os jogadores foram até as arquibancadas comemorar com a torcida na Arena Castelão, mas a classificação do Ferroviário não é só para a final do estadual. Com pelo menos o vice-campeonato garantido, o clube terá também vagas na Copa do Nordeste, na Copa do Brasil e na Série D 2018, voltando ao cenário nacional após nove temporadas.

Lá em 2009, o Ferroviário disputou a quarta divisão pela única vez e até fez boa campanha. Na 1ª fase, o time liderou o Grupo A3 com dez pontos, à frente de Alecrim/RN (dez pontos), Treze/PB (oito) e Flamengo/PI (cinco). No primeiro mata-mata, a equipe mediu forças com o Sergipe e perdeu de 2 a 0 na ida (fora) com gols aos 35 e aos 47 do segundo tempo. Na volta, em Horizonte, o Ferroviário chegou a virar para 3 a 1, mas deixou empatar e acabou fora.

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O Ferroviário na história

O Ferroviário não era finalista do Campeonato Cearense desde 1998, há 19 anos, quando ganhou o 2º turno e fez a final com o Ceará, perdendo por 1 a 0 no tempo extra – em 2003, o time foi vice-campeão, mas não houve final porque o Fortaleza ganhou os dois turnos. Três anos antes, a equipe vivia seu último grande momento na história…

Com grandes jogadores como Acássio, Nasa (jogaria no Vasco entre 1997 e 2001) e o centroavante Robério (tem 43 gols em 72 jogos pelo clube), o Ferroviário teve o comando do técnico Ramon Ramos (foi  jogador do clube aos 34 anos, em 1984, marcando 18 gols em 27 partidas) e surpreendeu ao levantar os títulos de 1994 e 1995, a única vez que isso aconteceu na história do clube.

Na época, os grupos eram divididos em capital e interior e o Ferroviário foi o líder do turno, indo para as semifinais. Em ida e volta, o time venceu o Quixadá e foi para um triangular, ficando atrás do Icasa (não é o mesmo clube de hoje), mas à frente do Ceará. No 2º turno, mais uma vez o Ferrão foi o líder, passou de novo pelo Quixadá e superou Itapipoca e Icasa para ficar com o título.

No 3º turno, o Ferroviário ficou dois pontos atrás do Ceará, superou o Uruburetama por 7 a 3 em dois jogos e foi para o Quadrangular Final. Campeão com 13 pontos, três a mais que o Fortaleza e sete à frente do Ceará, o Ferroviário encarou o Icasa, levantando a taça após empate sem gols em 10 de dezembro de 1995.

Uma festa inesquecível que pode acontecer de novo em 2017. Será que o Ferroviário desbanca Ceará ou Guarani de Juazeiro (se enfrentam em 22 de abril, vantagem do empate para o Ceará) e encerra os 22 títulos seguidos dos rivais da capital?

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