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Belgrano na Sul Americana 2016: as curiosidades dos piratas argentinos

Foto: Hedeson Alves/EFE

O Coritiba está começando a respirar mais calmamente no Campeonato Brasileiro, já que soma 33 pontos em 26 jogos (8v, 9e, 9d) no 13º lugar, cinco pontos acima da zona de rebaixamento. É claro que não dá para se descuidar da competição nacional, mas o Coritiba tinha a chance de começar bem a campanha internacional na Sul Americana 2016 diante do desconhecido Belgrano (Argentina).

A diretoria entendeu a importância da partida de ida e fez promoção de ingressos (R$ 20), o que resultou em mais de 23 mil torcedores no estádio Couto Pereira – renda de R$ 662 mil. Os torcedores queriam ver um jogo internacional e embalar nas duas competições…

Porém, os desfalques do Coritiba atrapalharam e a equipe paranaense frustrou o maior público do time em 2016: logo aos três minutos, Ícaro, um dos substitutos, vacilou e Claudio Bieler recebeu cruzamento para abrir o placar para a surpresa Belgrano. O jogo poderia ter mudado se o inglês naturalizado turco Kazim tivesse convertido um pênalti aos 39 do primeiro tempo, mas ele perdeu e o Belgrano levou a vantagem para o intervalo.

Na etapa final, a torcida tentou animar o time em busca da virada, mas não demorou muito para o Belgrano comemorar de novo. Aos cinco minutos, Nahuel Luján desviou às redes cobrança de falta e murchou os torcedores do Coxa. O time também sentiu, não conseguia levar perigo, e só marcou seu gol de honra por causa do pênalti convertido por Leandro no meio do gol. Ainda há esperança de vaga nas quartas de final para os brasileiros, mas será complicado jogar em Córdoba por um motivo…

Imagem de Amostra do You Tube

Os piratas do Belgrano

Antes da partida, a torcida do Coritiba realmente fez uma grande festa para receber e apoiar a equipe, mas durante e principalmente depois dos 90 minutos a alegria ficou com os argentinos. E não eram poucos os estrangeiros torcendo pelo Belgrano no estádio Couto Pereira: entre três mil e cinco mil pessoas viajaram quase 2 mil km de Córdoba até Curitiba, 36h de percurso de ônibus ou R$ 4,5 mil para aqueles que quiseram a mordomia de fazer o trajeto de avião e ficar num hotel.

Na volta, no próximo dia 28 de setembro (21h45), a euforia dos torcedores do Belgrano deve ser ainda maior, já que o clube tem 35 mil sócios ativos e média de público de 30 mil espectadores no Campeonato Argentino 2016. Em 2014, a Pluri Consultoria publicou relatório com as 60 maiores médias de público da América e o Belgrano ficou na 20ª posição com 23.235 pessoas por partida – mais do que o São Paulo, por exemplo.

Mas por que os torcedores do Belgrano fizeram tanto esforço para acompanhar o time na Sul Americana 2016? A resposta é fácil… O Belgrano disputa a Sul Americana pela terceira vez na história e nunca jogou a Libertadores. Sua estreia no torneio foi em 2013, quando começou na segunda fase e encarou o também argentino Vélez Sarsfield – venceu em casa com gol contra, mas perdeu de 2 a 0 com um dos gols de Lucas Pratto, atualmente no Atlético Mineiro.

Dois anos depois, o Belgrano mais uma vez esteve na Sul Americana, agora contra o Lanús (Argentina). O time de Córdoba empatou em casa após abrir o placar a um minuto e sofrer o gol a dois do fim, mas nada deu certo na volta. Goleada de 5 a 1 a favor do Lanús e queda precoce, antes da fase internacional da competição.

Portanto, a Sul Americana 2016 representou a estreia do Belgrano diante de um adversário do exterior em torneios oficiais. Contra o Estudiantes de la Plata, a equipe perdeu a ida por 1 a 0 (fora), mas seus 30 mil torcedores no estádio Mario Alberto Kempes pressionaram o adversário, que sucumbiu por 2 a 0 (gols de Claudio Bieler) e deixou a vaga para o Belgrano. Certamente ninguém se arrependeu de ter viajado para tão longe, não é mesmo?

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As curiosidades do Belgrano

- Fundado em 19 de março de 1905, o nome do clube é uma homenagem a Manuel Belgrano, herói argentino e criador da bandeira nacional, que viveu 50 anos, entre junho de 1770 e junho de 1820.

- Atualmente, o Belgrano tem parceria com a italiana Lotto para a confecção dos uniformes, acordo que vem desde 2010. Porém, a brasileira Topper já vestiu a equipe em três oportunidades: 1979 até 1981, 1985 até 1993 e entre 2008 e 2010. A última vez que uma empresa argentina foi responsável pelas vestimentas do Belgrano foi de 2006 a 2008, com a Signia, atual provedora dos uniformes do Comitê Olímpico Argentino.

- O Belgrano tem 26 participações na primeira divisão do Campeonato Argentino, sendo dez no antigo Torneo Nacional, uma competição criada para abrigar equipes do interior não filiadas diretamente à federação argentina – existiu de 1968 até 1985. Já são sete temporadas consecutivas do Belgrano na elite nacional, sem nenhum título – a melhor campanha foi no Torneio Inicial 2012, quando somou 36 pontos em 19 jogos no terceiro lugar, cinco atrás do campeão Vélez Sarsfield. O time subiu quatro vezes para a elite e caiu três, com 15 anos na segunda divisão, o nível mais baixo que já disputou.

- O último acesso do Belgrano à primeira divisão foi em 2010/11, quando o clube somou 59 pontos em 38 jogos (15v, 14e, 9d) na primeira fase. O quarto lugar deixou a equipe na zona de playoffs de promoção e o Belgrano mediu forças justamente contra o gigante River Plate. Com uma vitória por 2 a 0 em casa e outra nos domínios do adversário (1 a 0), os torcedores do Belgrano reconhecem essa disputa, que rebaixou o River Plate à segunda divisão, como o maior feito do clube.

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- A volta do Belgrano à elite da argentina não foi por acaso. O time de Córdoba foi comprado pelo empresário Armando Pérez em 2011 e ele conseguiu reverter a dívida de 30 milhões de pesos, algo em torno de R$ 7 milhões. Em 2011, ano do acesso, o empresário se elegeu presidente do Belgrano com o voto dos sócios e ainda toma decisões no clube. Pérez é dono da Tsu Comésticos, que existe desde 1975 e vende também bijuteria, música etc. e tem 4 milhões de clientes.

- O Belgrano tem um trabalho forte nas divisões de base. No elenco são 14 jogadores formados no clube, três titulares contra o Coritiba: o zagueiro Cristian Romero, 18 anos, o atacante Matías Suárez (jogou oito temporadas no Anderlecht/Bélgica e está de volta ao Belgrano), 28, e o meia Nahuel Luján, 21. O volante Mario Bolatti, 31 anos, também começou no time e foi reserva, entrando no decorrer no jogo. É conhecido no Brasil por ter defendido Inter e Botafogo. São 27 argentinos e um chileno no elenco.

- O grande nome do Belgrano é o atacante argentino naturalizado equatoriano Claudio Bieler. Aos 32 anos, seu melhor momento na carreira foi com a camisa da LDU Quito (Equador) em 2008 e 2009. Ele foi campeão da Libertadores 2008 e da Sul Americana 2009, sendo artilheiro desta última com nove gols. Nas duas decisões, ele enfrentou o Fluminense marcou um gol, com duas vitórias e duas derrotas contra o time carioca.

- No Campeonato Argentino 2016/17, o Belgrano precisa se recuperar rapidamente. Já são três partidas e a equipe não venceu nenhuma, somando só um ponto na 29ª e penúltima colocação, melhor apenas que o Patronato, que perdeu as três. Serão longas 29 rodadas e pelo menos os piratas não correm muito risco de rebaixamento, tendo a 12ª melhor média de pontos de 2014 até a atual temporada.

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