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Coreia do Norte x Coreia do Sul: Futebol Feminino é mais um encontro entre os vizinhos antagônicos

Duas nações limítrofes que poderiam formar uma só pátria, mas não o fazem por causa das flagrantes diferenças de enxergar o mundo. A Coreia do Norte é um país maior em área, mas tem apenas 25 milhões de habitantes, metade da população da Coreia do Sul, que tem cerca de 20 mil km² a menos que a vizinha.

As próprias capitais mostram a diferença de desenvolvimento. Pyongyang, na porção norte da península coreana, tem 2,5 milhões de habitantes, enquanto Seul abriga quase 10,5 milhões de pessoas. Desde a Guerra da Coreia (1950/53), que se iniciou com invasão do norte sobre o sul em 25 de junho e envolveu os Estados Unidos, apoiando a Coreia do Sul, e a China, ajudando a Coreia do Norte, os dois países acumulam episódios de aproximação e confronto.

Desde o fim da guerra, em 27 de julho de 1953, e a assinatura de um armistício, as tensões entre os dois países não diminuíram. Nas décadas seguintes, os momentos de reaproximação foram incentivados principalmente pelo esporte.

Em 25 de março de 1991, a Competição Internacional de Tênis de Mesa disputada no Japão contou com a união das duas Coreias, utilizando a Bandeira da Unificação. Na Copa do Mundo sub-20 de 1991, em Portugal, a Coreia Unificada também participou, chegou a vencer a Argentina por 1 a 0 em Lisboa e só parou nas quartas de final (o primeiro mata-mata) ao levar de 5 a 1 do Brasil, dois gols de Élber, ex-atacante do Bayern Munique e do Cruzeiro.

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Nas Olimpíadas de Sidney 2000, as duas Coreias marcharam juntas na Cerimônia de Abertura da competição. Nos últimos anos, a tensão voltou a rondar a fronteira. Em agosto de 2015, a Coreia do Norte disparou contra a cidade de Yeoncheon, o que foi respondido pela Coreia do Sul. Os dois países adotaram estatutos de pré-guerra, mas tudo voltou apenas à diplomacia no dia seguinte.

Novo encontro entre Coreia do Norte e do Sul

Entre o vai-e-vem de conversas de aproximação e tensão bilateral (atualmente, a Coreia do Norte faz testes nucleares), o esporte proporcionou mais um enfrentamento entre os dois países. No lugar de armas e ameaças, a bola rolou no estádio Kim Il Sung, em Pyongyang, pelas Eliminatórias da Copa da Ásia Feminina de 2018. A Coreia do Norte sediou o Grupo B, que ainda teve Uzbequistão, Índia e Hong Kong.

Em quatro rodadas entre os dias 3 e 11 de abril, incríveis 42.500 pessoas se encontraram para acompanhar o confronto entre as Coreias no último dia 7. Foi o primeiro jogo em dois anos entre os países, mas o embate no masculino não ocorria em Pyongyang há 27 anos, quando as duas seleções disputaram um amistoso chamado Partida da Reunificação, em 11 de outubro de 1990, com vitória da Coreia do Norte por 2 a 1 diante de 150 mil pessoas.

Claro, as mulheres também vivem a rivalidade entre as duas nações. A sul-coreana Ji So-yun, 26 anos, que defende o Chelsea desde 2014 e tem 45 gols em 96 jogos pela seleção, já ganhou vários prêmios importantes na carreira, mas disse isso antes da partida: “Certamente é um jogo importante para nós e ficaria feliz em desistir de cada um dos meus troféus pessoais por uma vitória sobre a Coreia do Norte” – ela ganhou bola e chuteira de prata na Copa do Mundo sub-20 da Alemanha 2010.

Do lado norte-coreano, a meia Wi Jong-sim, de apenas 19 anos, do April 25 Sports Club (Coreia do Norte), também deixou transparecer a rivalidade: “Estamos nos preparando para esse jogo desde que houve o sorteio dos grupos”.

Outro fator que aumentava a importância da partida era a tabela de classificação. O jogo foi válido pela terceira rodada e a Coreia do Norte tinha 100% de aproveitamento em dois jogos, enquanto os sul-coreanos haviam vencido sua única partida (10 a 0 sobre a Índia).

Num jogo bastante disputado e até com confusão entre as atletas, Sung Hyang-sim abriu o placar para a Coreia do Norte nos acréscimos ao tocar na saída da goleira aos 48 do primeiro tempo. As sul-coreanas empataram aos 31 da etapa final com Jang Sel-gi, depois de desvio na adversária enganar a goleira. Com o empate de 1 a 1, as jogadoras se cumprimentaram cordialmente com apertos de mãos, prova de que no esporte não há desrespeito.

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A disputa entre os dois países pela única vaga na Copa da Ásia Feminina permaneceu até a última rodada. No fim, ambos ganharam as outras partidas e somaram dez pontos, mas a Coreia do Sul levou a melhor no saldo de gols (20 contra 17) e está classificada para o torneio, que terá oito seleções e vai acontecer na Jordânia entre 7 e 22 de abril de 2018.

Os embates entre Coreia do Norte e do Sul

O Plano Tático aproveita o confronto das mulheres para relembrar as partidas masculinas entre Coreia do Norte e Coreia do Sul. O primeiro jogo ocorreu em 20 de dezembro de 1978, nos Jogos Asiáticos da Tailândia, espécie de Olimpíadas do continente. As duas seleções disputaram a medalha de ouro e acabaram dividindo o título após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação.

Dois anos depois, a primeira partida oficial. Na Copa da Ásia 1980, as duas equipes se encontraram nas semifinais (o torneio foi no Kuwait), com vitória sul-coreana por 2 a 1 de virada, gols de Chung Hae-won aos 35 e 44 do segundo tempo – os donos da casa venceram a Coreia do Sul por 3 a 0 na final.

Após se enfrentarem em três edições da Kings Cup, competição criada e disputada na Tailândia (três triunfos da Coreia do Norte), o primeiro embate em Eliminatórias de Copa do Mundo ocorreu no qualificatório do Mundial da Itália 1990. Na fase final do torneio, em Cingapura, a Coreia do Sul venceu por 1 a 0 com gol aos 18 do primeiro tempo e foi a campeã, enquanto a Coreia do Norte terminou na lanterna.

Na fase decisiva das eliminatórias para a Copa 1994, em Doha (Catar), a Coreia do Sul fez 4 a 0 e também se classificou àquele mundial, enquanto os norte-coreanos foram lanternas. No qualificatório da Copa 2010, os dois países tiveram quatro partidas. Na 3ª fase, a Coreia do Norte foi mandante num jogo em Shanghai (China) e conseguiu empate sem gols, mesmo resultado do embate em Seul – completaram o grupo Jordânia e Turcomenistão.

As duas seleções avançaram com 12 pontos (vantagem sul-coreana no saldo de gols, 7 contra 4), voltando a se encontrar na fase final. Mais uma vez em Shanghai, empate de 1 a 1. Na capital sul-coreana, vitória dos donos da casa por 1 a 0 a quatro minutos do fim levou a Coreia do Sul ao Mundial da África do Sul 2010, mas a Coreia do Norte também avançou diretamente (16 pontos contra 12), retornando ao torneio após 44 anos.

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O último embate entre as duas nações no masculino ocorreu em 9 de agosto de 2015. Pela última rodada da Copa do Leste Asiático (EAFF East Asian Cup), houve empate sem gols em Wuhan, na China, resultado que deu o título aos sul-coreanos. Em dezembro de 2017, Coreia do Norte e Coreia do Sul voltam a se enfrentar, pela edição de 2017 do torneio, no Japão. Que o futebol consiga aliviar as tensões políticas na península coreana!

Curiosidades

­- Os confrontos das eliminatórias para a Copa 2010 ocorreram em Shanghai por um motivo banal. A Coreia do Norte se recusou a tocar o hino sul-coreano e a ter a bandeira do país vizinho no estádio, algo que a FIFA não costuma aceitar.

- No confronto masculino, já aconteceram 23 partidas na história, com seis vitórias da Coreia do Norte, sete da Coreia do Sul e dez empates. O problema é que os norte-coreanos não ganham do rival desde os 2 a 1 num amistoso em 8 de maio de 1991, sendo de 12 partidas a invencibilidade sul-coreana.

- A Coreia do Sul briga para jogar a Copa 2018, da qual a Coreia do Norte já está fora. Mas a seleção ainda tem chance de disputar a Copa da Ásia 2019 – a equipe esteve na edição 2015. Vale ressaltar que a Coreia do Norte levou a antiga AFC Challenge Cup 2012 e vem evoluindo no futebol como um todo, inclusive entre os jovens.

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