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Paulista de Jundiaí: da Libertadores à 4ª divisão de SP em 11 anos

Sugestão de Luis Felipe Nogueira

14 de fevereiro de 2006, um dia histórico para os torcedores do Paulista de Jundiaí. Na ocasião, a equipe brasileira, campeã da Copa do Brasil 2005, estreou na Libertadores. Diante do El Nacional (Equador), em Quito, o Paulista de Jundiaí ficou no empate sem gols, somando seu primeiro ponto na história do torneio.

9 de abril de 2017, outro dia histórico para os torcedores do Paulista de Jundiaí. Por volta doas 10h da manhã do último domingo, a equipe foi até Osasco enfrentar o Grêmio Osasco pela Série A3 do Campeonato Paulista. Era um confronto direto não pela classificação, mas contra o rebaixamento para a 4ª e última divisão de São Paulo.

O Paulista de Jundiaí marcou primeiro, mas levou a virada no segundo tempo, derrota que deixou o time com 20 pontos em 18 rodadas, na 17ª posição. A quatro pontos de se salvar, a equipe do interior chega ao fundo do poço 11 anos depois de ter atingido o auge. O momento é de extrema dor num clube que experimentou os dois lados da moeda. O Plano Tático percorre os momentos felizes e tristes que construíram o Paulista de Jundiaí, que não chegará ao fim!

O primeiro orgulho do Paulista de Jundiaí

O Paulista de Jundiaí foi fundado em 17 de maio de 1909 (107 anos), mas só disputou uma divisão do Campeonato Brasileiro pela primeira vez em 1995, quando jogou a Série C, então último nível nacional. Naquele ano, o clube havia acabado de sair da Série A3 do Paulistão, que teve de jogar em 1994 e 1995 – só voltou ao torneio em 2017.

Numa Série C com 107 participantes, o Paulista de Jundiaí não teve problemas em passar da 1ª fase: somou 10 pontos em quatro jogos, contra quatro do XV de Piracicaba/SP e três do Democrata de Sete Lagoas/MG. No mata-mata, a equipe encarou o Bayer/RJ e humilhou com 5 a 0 fora de casa e 7 a 0 em seus domínios, a maior goleada da competição em 1995.

Nas oitavas de final, porém, o Paulista de Jundiaí mediu forças com o Joinville/SC, empatando por 1 a 1 em seus domínios e levando de 3 a 2 no interior catarinense. Na Série C 1996, que teve menos participantes, o time também chegou às oitavas de final (o primeiro mata-mata), mas encontrou outro catarinense, o Figueirense/SC, que avançou por ter feito um gol na derrota de 2 a 1 em Jundiaí e vencido por 1 a 0 em casa.

O Paulista de Jundiaí continuou na Série C e fez campanhas sofríveis, até que veio 2001. Com um time cheio de jovens promessas que conseguiram sucesso no futebol, a equipe alcançou o sonhado acesso para a segunda divisão brasileira.

Para se ter uma ideia, os goleiros eram Artur Moraes (foi para o Cruzeiro, ficou quatro anos no Benfica e voltou ao Brasil em 2017 para jogar na Chapecoense) e Victor (foi para o Grêmio e defende o Atlético Mineiro desde 2012). Na defesa havia Thiago Martinelli (jogou por Cruzeiro, São Caetano e Vasco e está no Espírito Santo FC), Índio (um dos ídolos do Inter de Porto Alegre) e o lateral-direito Maurinho (Santos e Cruzeiro). O volante Lauro também estava lá (eterno ídolo do Juventude/RS), além dos jovens atacantes Marcinho (São Caetano, Palmeiras e Cruzeiro) e Nenê (Palmeiras, Santos, PSG, atualmente no Vasco). Claro, havia também veteranos, como os atacantes Sandro Sotilli e Sorato, além do volante Luís Carlos Goiano e do meia Vágner Mancini, grande personagem da equipe e atualmente treinador da Chapecoense.

Com o nome de Etti Jundiaí por força de um patrocinador, o Paulista de Jundiaí mostrou força naquela Série C 2001 num grupo difícil: liderou à frente de Madureira/RJ, Santo André/SP, Atlético Sorocaba/SP, Olaria/RJ, America do Rio e Bangu. Na 2ª fase de grupos, a vida foi ainda mais fácil… 12 pontos em quatro jogos (100%) num grupo com Juazeiro/BA, Ipatinga/MG, Madureira e Independente/BA, no qual só o primeiro colocado avançava.

Imagem de Amostra do You Tube

No Quadrangular Final, o Paulista de Jundiaí mediu forças com Mogi Mirim/SP, Guarany de Sobral/CE e Atlético Goianiense, alcançando o acesso com folga: 14 pontos em seis jogos, cinco a mais que o vice-campeão Mogi. Além da promoção nacional, o clube voltou à elite do Campeonato Paulista depois de 16 anos com o título da Série A2.

Paulista de Jundiaí vive suas maiores glórias

Na Série B do Campeonato Brasileiro, o Paulista de Jundiaí quase sempre ficou na parte de cima da tabela. Na estreia em 2002, eram 26 times e 25 partidas na 1ª fase, com seis vagas de rebaixamento. Mas o Paulista de Jundiaí ficou a sete pontos da Série C e ainda conseguiu avançar ao mata-mata com o sétimo lugar.

Nas quartas de final, a equipe eliminou o Sport Recife (empatou por 1 a 1 em casa, venceu por 2 a 1 em PE), mas parou nas semifinais contra o Fortaleza, na disputa do acesso à elite: levou de 6 a 1 em casa e ficou nos 2 a 2 fora, numa época em que só os dois primeiros subiam.

Imagem de Amostra do You Tube

Dois anos depois, em 2004, a boa campanha foi no Campeonato Paulista. Na 1ª fase, o Paulista de Jundiaí foi o segundo colocado no Grupo 2 com 22 pontos, um atrás do líder Santos. Nas quartas de final, o time fez 4 a 3 na Ponte Preta em jogo único em casa e seguiu para enfrentar o Palmeiras. Após dois empates, a decisão foi nos pênaltis e a equipe de Jundiaí levou a melhor por 4 a 3, alcançando a final da elite estadual.

Com Márcio Mossoró como maestro, o Paulista de Jundiaí mediu forças com o São Caetano, a grande chance de título. Porém, o adversário tinha um time respeitável e ainda vivia os áureos tempos dos vices do Brasileirão (2000 e 2001) e da Libertadores (2002), vencendo as duas partidas, 5 a 1 no placar agregado.

Mesmo com o vice-campeonato, o Paulista de Jundiaí não abaixou a cabeça e o resultado veio na temporada seguinte. Apesar do 15º lugar na Série B, um ponto acima do rebaixamento, o clube comemorou seu título mais importante: a Copa do Brasil 2005.

A longa caminhada começou contra o Juventude (2 a 1 em dois jogos). Depois, o Paulista de Jundiaí empatou duas vezes com o Botafogo/RJ, mas avançou por ter feito mais gols fora de casa. Já nas oitavas de final, o Inter venceu na ida por 1 a 0, mas os paulistas triunfaram na volta pelo mesmo placar, vencendo nos pênaltis por 4 a 2. A marca da cal também ajudou o Paulista de Jundiaí diante do Figueirense (3 a 2), enquanto o Cruzeiro foi eliminado nas semifinais com derrota de 3 a 1 e vitória por 3 a 2.

A decisão da Copa do Brasil 2005 foi diante do Fluminense, que tinha o goleiro Kléber, os defensores Gabriel, Antônio Carlos e Juan, os volantes Marcão e Radamés, o meia Diego Sousa, além do atacante Tuta. O Paulista de Jundiaí contava com os zagueiros Dema e Revés (Flamengo), o volante Cristian (Corinthians), Marcio Mossoró, além do técnico Vágner Mancini em início de carreira. Na ida, o Paulista de Jundiaí abriu vantagem de 2 a 0 em casa e segurou o empate sem gols na volta, em pleno estádio de São Januário abarrotado com 25 mil pessoas!

Imagem de Amostra do You Tube

O título levou o Paulista de Jundiaí a Libertadores 2006, na qual a equipe chegou a vencer o River Plate (Argentina) por 2 a 1 em casa, mas acabou eliminada com a lanterna de seu grupo, embora a três pontos de avançar – o único dos seis brasileiros a parar na 1ª fase. Mas isso não abateu os jogadores, que ficaram muito perto da Série A.

Na Série B 2006, o Paulista de Jundiaí encarou os pontos corridos e cada time teve 38 rodadas. A equipe goleou o Paysandu por incríveis 9 a 0 e somou 61 pontos, o mesmo número do América de Natal, mas não subiu pelo número de vitórias (17 contra 19). No ano seguinte, começou a decadência do Paulista de Jundiaí…

O rápido declínio do Paulista de Jundiaí

Depois do quase acesso e duas temporadas após o título da Copa do Brasil, o Paulista de Jundiaí ainda conseguiu revelar jogadores, como o lateral-esquerdo Marcelo Oliveira (Atlético/PR, Cruzeiro, Palmeiras e Grêmio), mas acabou rebaixado na Série B. Foram só 45 pontos em 38 jogos, cinco atrás do Ceará, o primeiro fora da degola.

Na Série C 2008, o Paulista de Jundiaí teve desafio enorme, já que precisava alcançar a 3ª fase para pelo menos continuar na terceira divisão nacional. Num grupo com América Mineiro, Duque de Caxias e Serra/ES, os paulistas somaram oito pontos e não seguiram no torneio pelo número de gols marcados menor que os cariocas (6 a 8). Assim, o Paulista de Jundiaí foi rebaixado automaticamente para então nova a Série D.

Na última divisão, a equipe até passou da 1ª fase na única edição que disputou, em 2009 (Tupi/MG, Madureira/RJ e Friburguense/RJ completaram a chave), mas sucumbiu no primeiro mata-mata para o Macaé/RJ (0 a 0 em casa e revés de 3 a 1 fora), que foi um dos promovidos.

Mesmo tendo vencido a Copa Paulista em 2010 e 2011, o Paulista de Jundiaí nunca mais jogou o Brasileirão. No estadual, o time foi perdendo força a cada temporada e acabou rebaixado em 2014 para a Série A2 com míseros quatro pontos em 15 rodadas (0v, 4e, 11d), na lanterna. Em 2016, veio a queda para a Série A3 e agora em 2017 para a 4ª divisão do Paulistão.

O que será do Paulista de Jundiaí?

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