Itamar Rangel- ”Experiência única, que nos faz crescer também como ser humano”

Carioca de Campos dos Goytacazes, o jovem meio-campo de 23 anos, Itamar Soares Rangel é o novo entrevistado do Plano Tático.

Ithamar, como é conhecido nos clubes asiáticos em que passou, iniciou sua carreira no Fluminense, e mesmo muito jovem foi buscar fora do país o sonho de se profissionalizar no futebol.

É apenas mais um caso de brasileiros que por falta de oportunidades no país, acabam na maioria das vezes largando familiares e amigos para poderem ter a chance de viver com o esporte.

Na entrevista, Itamar relata curiosidades a respeito do futebol e a cultura asiática, das dificuldades vividas e como foi importante esta experiência para ele como ser humano.

Não deixe de ler, o jovem que passou pela Indonésia e está atuando em Cingapura tem muita história para contar.

-Clubes:
-Fluminense
-Psm Makassar (Indonésia)
-Americano
-Balestier Khalsa (Cingapura)

Com quantos anos você chegou ao Fluminense?

Cheguei ao Fluminense com 19 anos, no juniores.

Chegou a atuar pelo profissional no clube?

Não, só em treinamentos. Logo recebi a proposta de ir para à Ásia.

Como se concretizou a sua primeira transferência para a Ásia? Partiu de você, ou foi por intermédio de algum empresário?

Foi através de um agente que me apresentou uma proposta, e na época eu tinha um sonho de sair do país, então aceitei.

Quais as principais dificuldades que você chegou a passar quando se mudou para a Indonésia?

Primeiro, logo que você chega ao país, logo sente o impacto do fuso horário que é grande (10h de diferença). Depois, tem a culinária e a cultura que são extremamente diferentes. De início você sente um choque, mas aos poucos vai se acostumando.

Foi rápida a adaptação com a cultura local? Culinária, Língua, etc.

Relativamente sim, pois acredito que os Brasileiros onde chegam, se viram rápido…(risos)

Na Indonésia, o clube que você atuou, no caso Psm Makassar, se localiza em uma ilha até certo ponto afastada de Jakarta e Sumatra, certo? Apesar da distância, quando você chegou no país deu para sentir que o povo ainda se encontrava um pouco abalado depois do tsunami no final de 2004? Você chegou a visitar Sumatra, que foi a região afetada do país?

A Indonésia infelizmente é um país muito sofrido. A passagem do Tsunami foi algo terrível que o mundo todo pode acompanhar, mas na verdade, ainda existem muitas coisas que o mundo não teve conhecimento. Há pouco tempo estive em Banda Aceh (onde fica a Ilha de Sumatra) e até hoje você encontra marcas desta tragédia.

indo21

“Os indonésios são extremamente fanáticos”

Como era o Psm Makassar em termos de estrutura?

Uma estrutura normal, mas poderia ser muito melhor.

Existe fanatismo por parte dos torcedores, ou o futebol não tem tanta importância no país?

Os indonésios são extremamente fanáticos. Isso é um ponto forte de se jogar no país. Os estádios estão sempre lotados e a mídia está sempre divulgando e apoiando o Futebol.

Quais as diferenças na rotina de um jogador aqui no Brasil pra um que atua na Indonésia por exemplo?

Muitas, mas nada que não possamos nos adaptar.

A sua volta por lesão para o Brasil aconteceu quando estava quase se naturalizando na Indonésia, certo? Hoje em dia você sente alguma mágoa ou arrependimento por ter tido que voltar, ou o seu desejo era realmente se naturalizar e poder jogar pela seleção da Indonésia?

Na época, preferi optar em retornar ao Brasil quando estava de férias, para realizar o tratamento com o Dr. Runco, pois na Indonésia, a infra-estrutura neste caso não atende, então preferi receber os devidos cuidados de uma equipe especializada. Foi um momento difícil, pois muitas coisas boas estavam por vir, mas não guardo nenhuma mágoa porque sei que DEUS sabe de todas as coisas e, hoje, estou aqui como prova disso.

Cite algum lugar/ponto turístico que você recomende no país:

Com certeza, Bali é um dos lugares mais bonitos do mundo.
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Itamar quando ainda atuava na Indonésia

Como foi sua passagem pelo Americano? Chegou a ter uma seqüência de jogos, ou foi pouco aproveitado?

Foi tudo muito rápido, pois tive outra proposta de voltar a Ásia e nem cheguei a estrear pelo Clube.

Como foi a re-adaptação ao futebol Brasileiro? Encontrou alguma dificuldade?

Para o jogador brasileiro que volta do exterior para atuar em algum time em seu país de origem, principalmente por ter sido sua primeira escola, acredito que a “re-adaptação” seja algo muito simples que não acarreta em grandes problemas. A dificuldade que existe é a mesma que existe com todo e qualquer jogador do mundo quando vai para um outro time, que é uma questão de treinamento.

Em que ano você retornou ao continente asiático? No caso agora para Cingapura.

Retornei no ano 2008.

A cultura local é parecida com a da Indonésia?

Não muito.

Chegou a ter alguns problemas de adaptação?

Graças a DEUS, aqui foi tudo mais tranquilo (risos)

Você se comunica facilmente com o Inglês, ou em alguns casos é necessário o uso do Malaio?

Algumas vezes em Inglês e alguns casos em Malaio, que é um pouco parecido com o Indonês.

A Primeira Divisão no país, no caso a S-League, conta com 12 clubes, certo? Em 2008, o Balestier Khalsa terminou na última colocação, mas permaneceu na Primeira Divisão. Como funciona o regulamento do Campeonato Nacional em Cingapura?

A S-league é um bom campeonato e está entre as 10 melhores da Ásia. No entanto, no regulamento não existe rebaixamento.
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”O difícil é conviver com a saudade.

Como está a atual situação do clube na tabela? E quais são as perspectivas até o final?

O clube renovou o plantel (elenco de jogadores) de 2 anos para cá. O Treinador implantou uma política de pegar jogadores locais, desconhecidos no país, e transformá-los em grandes jogadores em um determinado espaço de tempo, com possibilidade de atuar pela seleção. Porém, estamos encontrando dificuldades já que não estamos bem na Liga. Espero que até o final da competição, possamos melhorar.

O elenco atual do Balestier Khalsa conta com mais um brasileiro e um chileno. Como é sua relação extra-campo com eles?

Graças a DEUS, é muito boa. Isso ajuda bastante no convívio dos estrangeiros.

Na matéria sobre os Brasileiros em Cingapura, realizada pelo Esporte Espetacular, foi mostrado que o futebol local é baseado em treinamentos físicos e com poucos coletivos. Qual a sua opinião a respeito?

Aqui, primeiro eles sempre pensam em correr para depois pensar em jogar. E, para os Sul americanos, é sempre muito difícil conviver com isso.

Valeu a pena ter saído jovem do Brasil, ter largado familiares e amigos, para ir em busca de um sonho?

Sim, pois é uma experiência única, que nos faz crescer também como ser humano. O difícil é conviver com a saudade.

Em termos financeiros, é vantajoso jogar em países como Indonésia e Cingapura?

Sim. Os pagamentos são em dia, e além disso, temos a vantagem da valorização do dólar, o que nos ajuda ainda mais.

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”Primeiro eles sempre pensam em correr para depois pensar em jogar”

Sonha em jogar em qual clube brasileiro?

Acho que todo jogador sonha em jogar pelo Flamengo, além da Seleção Brasileira, não é? (risos)

Como é a cobertura da mídia nestes dois países?

Na Indonésia, o povo é fanático por futebol. Com isso, a Imprensa dá muito valor á cobertura dos jogos da Liga. Já em Cingapura, é bastante diferente. O povo é muito frio em relação ao futebol local e acompanham mais o Futebol Inglês.

Vídeo com lances de Itamar:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=WtqZ2tp8IWU&feature=related[/youtube]

Entrevista para o Esporte Espetacular:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=JC_DT6WYLxU&feature=related[/youtube]

  • Jorge Clan

    Gostaria de saber se vcs se interesam em trocar link, tenho um blog, com mais de 111 mil visitas em 6 meses, e gostaria de trocar link com vcs:

  • Leandro Amorim

    Itamar é craque, quero ver ele com a camisa 10 do Flamengo, rsrs

  • Igor Vasconcelos

    Torço para o nautico de recife
    Ithamar joga no meu time, e ele mostrou que e um ótimo jogador fazendo gol no classico contra o Santa cruz 2 X 1!

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