Diego Douglas – O capitão do clube mais brasileiro dos países bálticos


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Diego Douglas Balbinot, natural de Bento Golçalves, é o entrevistado da vez do Plano Tático. Zagueiro de 25 anos, tem muita história pra contar no futebol. Com passagens por vários clubes brasileiros, entre eles o de seu coração, o Esportivo, Diego também possui experiências no futebol espanhol e em Hong Kong. Atualmente, atua no JK Nomme Kaju, clube mais brasileiro dos países bálticos, e que disputa a Meistriliiga, primeira divisão da Estônia.

Você teve uma breve passagem pelas categorias de base do Juventude em 2003. Teria algum jogador, caso você lembre, que fazia parte do grupo da base, que hoje esteja em algum clube grande brasileiro?

Minha passagem pelo Juventude foi curta, de apenas alguns meses, pois pouco tempo depois retornei ao Esportivo para me tornar profissional. Porém alguns jogadores se destacaram sim, caso do zagueiro Neto que atuou muito tempo pela equipe profissional,do Juventude e do Sao Caetano também. E na época, o Juventude havia feito uma parceria forte com clubes europeus, sendo que o destino de muitos da base eram para a Europa, caso do atacante Paulinho, contratado pelo Livorno da Italia, e o volante Dante que foi para o Lille da França.

A sua primeira experiência como profissional veio no ano de 2004, quando ainda atuava pelo Esportivo, de Bento Gonçalves. Conte-nos como surgiu esta oportunidade, e como foi esta primeira temporada como profissional:

Na verdade, eu fiz parte do grupo profissional do Esportivo desde 2000, quando eu tinha apenas 16 anos. O treinador na época era Jorge Anadon, ele acompanhava muito as categorias de base, viu alguns jogos do juvenil e pediu para eu fazer parte do grupo, claro que apenas treinava com o profissional e descia para jogar com o juvenil e juniores. Essa fase foi de grande valia para minha carreira, tanto que após esse período, Guilherme Macuglhia assumiu o Esportivo, e pediu no final de 2003 para que eu assinasse contrato. A partir dai, não só fiz parte do grupo, como também comecei a jogar na equipe principal

Em 2005, o clube disputou sua primeira Copa do Brasil na história, inclusive tendo a oportunidade de jogar contra o Fluminense na segunda fase. Como foi essa experiência para você, já que estava ainda no início da carreira:

Foi marcante. O Esportivo sempre foi meu clube do coração, vivi dentro dele desde os 9 anos, e fazer parte de um feito histórico como esse foi muito importante. Sem contar que tive a oprtunidade de estar no Maracanã, e jogando pelo clube que me criou, foi um dia inesquecível.

Após algumas passagens por clubes paulista, surgiu a oportunidade de atuar em Hong Kong, pelo Workable Football Club. O que motivou sua ida para uma região tão desconhecida em termos futebolísticos para nós?

Eu estava aguardando a oportunidade de jogar fora do país. Quando veio, não pensei muito, decidi aceitar o desafio. Creio que tomei a decisão certa, já que acabei colhendo bons frutos desta experiência. Claro que também existe a parte financeira, além da estabilidade de um contrato mais longo.

De que maneira se concretizou esta transferência para a Ásia? Partiu de você, ou foi por intermédio de empresários?

Foi por intermédio de um grande amigo meu, que estava fazendo sua primeira temporada em Hong Kong e estava com muita moral no clube. A direção pediu a recomendação de um zagueiro, e ele me indicou. Acabei indo para um mês de avaliação na Malásia, lugar onde o clube fazia uma espécie de pré-temporada. Fui bem neste periódo, e fiquei no clube.

Como foi o período de adaptação ao país?

Foi tranquilo. Além de eu ter esse meu grande amigo, haviam mais dois brasileiros no clube, isso facilitou muito. O treinador também entendia a dificuldade de ser estrangeiro num lugar tão desconhecido, e nos ajudava muito. Em Hong Kong, tudo funciona, tudo é prático e fácil, além de todos falarem inglês. É um lugar maravilhoso, e só tenho ótimas recordações e sentimentos de lá, sem contar que foi o lugar onde conheci minha noiva.

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”Em Hong Kong, tudo funciona, tudo é prático e fácil”

Como funciona a rotina de treinamentos e concentracão em Hong Kong?

É parecida com a do Brasil, treina-se todos os dias e duas vezes por semana dois períodos. A única diferença é que os campos de treinamentos normalmente ficam em meio a um aglomerado de prédios enormes e toda hora tem avião passando, complicando um pouco.  Nosso treinador era muito bom, sempre inovava nos treinamentos, apenas um dia creio que acabou inovando demais. Passou para o grupo escalar uma montanha, foram mais de quatro horas, minha sorte era que no dia estava lesionado e não precisei ir. Mas lembro que os jogadores no dia seguinte não conseguiam nem caminhar. (rsrs). O que difere daqui, é que não se tem o costume de concentrar em hotéis antes dos jogos. Aliás, isso é o que mais sinto falta do Brasil, do ambiante de concentração, sempre descontraído e profissional.

Em 2008, surgiu a oportunidade de atuar no continente europeu, e ainda por cima em um país já consagrado no futebol. Como foi está experiência no futebol espanhol, atuando pelo Atlètic de Ciutadella(Terceira Divisão)?

Na Espanha encontrei vários obstáculos desde o começo. Demorei dois meses para poder estrear, por problemas na minha documentação italiana. Fui bem em muitos jogos, e todos sempre tiveram respeito e consideração por mim no clube, inclusive nosso time era cotado para o acesso. Porém começaram a aparecer muitos problemas financeiros, vários atrasos, e a maioria dos jogadores eram de fora, argentinos, guineanos, paraguaios, etc. Então a situacao foi se tornando cada vez mais grave, foram dias de superação para mim e minha noiva, choramos muitas noites por não conseguir ver a solução. Todos pensam que isso não acontece na Europa, mas infelizmente está se tornando comum. Chegou janeiro, e muitos começaram a abandonar a equipe, já que a janela de transferências se abriu. Graças a Deus, tive força, superação e o carinho de minha mulher para superar esta fase.

No clube, o treinador na época Roberto Aguirre, demonstrava uma grande admiração por seu futebol, sendo você muito querido no clube pelo visto. O que acabou motivando sua saída da Espanha na época?

O motivo foi a situação que descrevi acima. Não tinha mais condições, estava praticamente pagando para jogar. E sem receber em dia, o jogador não tem cabeça para trabalhar, começa a jogar por jogar e eu não queria estar apenas para isso, tinha objetivo de crescer no país. Sem contar que com o desmanche da equipe em janeiro, deixariámos de brigar para subir.  Infelizmente isso é um grande problema no futebol. As pessoas não levam a sério jogadores de times medianos, só que ninguém pensa que por trás temos uma família que depende do nosso trabalho, mas enfim, graças a Deus deu tudo certo, e hoje estou feliz aqui na Estônia.


Após a saída do Atlètic de Ciutadella, veio a transferência para o futebol estoniano. Como foi a sua chegada ao JK Nomme Kaju? Sentiu alguma dificuldade na adaptação ao país?

A minha chegada na Estônia também não foi complicada. O JK Nomme Kaju é acostumado a ter jogadores brasileiros, tanto que no momento estamos em quatro jogadores, mais dois da comissão ténica, então acaba ficando mais fácil. É claro que o frio e a neve me assustaram no comeco, mas nada que não possa se acostumar..

O fato do clube possuir uma legião de brasileiros no elenco, inclusive o treinador, Fredo Getulio, facilitou a sua ida para a Estônia?

Sim, foi através do treinador que vim para a Estônia. E tendo pessoas que falam a mesma língua, com a mesma cultura, acabei me sentindo mais seguro.

Recentemente, você disputou a Copa UEFA pelo clube. Apesar da eliminação precoce, qual a sensação de disputar uma competição tão importante no cenário europeu?

Fizemos dois bons jogos, creio que poderiámos ter passado adiante, mas faltou um golzinho. E por se tratar de um jogo tão importante, sendo que até minha família no Brasil assistiu, existe aquela tensão de um jogo decisivo. Mas foi uma grande experiência e espero passar por ela novamente. Com certeza, foram os jogos mais importantes da equipe até hoje.

O Hiiu Stadium, local onde o JK Nõmme Kalju manda seus jogos, possui uma capacidade de apenas 500 torcedores. Existe algum tipo de apelo para uma reforma possibilitando um maior público, ou não existe uma ligação forte entre o povo local e o futebol?

Realmente por se tratar de um time com chances pra disputar competições européias, a capacidade é pequena. Apesar disso, mesmo com a capacidade anunciada em 500 pessoas, já tivemos públicos com 1800 por exemplo. O futebol aqui fica atrás do basquete e alguns esportes no gelo, mesmo assim, a torcida do Kalju é a mais fanática da Estônia. e nosso time tem os maiores públicos. Existe sim um projeto para 2011, de construir uma forte infra-estrutura no clube, com uma mini-arena se adequando as condições mínimas da UEFA.

Como está a equipe atualmente na tabela do Meistriliiga? E quais são as expectativas até o final da temporada?

Estamos na quinta colocação. O objetivo é ficar entre os quatro primeiros para garantir a vaga na Europa League(antiga copa Uefa), e assim conseguir uma fonte financeira maior ao clube.

Apesar de ser um clube antigo, o JK Nõmme Kalju, ou mesmo o futebol estoniano, não é caracterizado pelo fato de revelar grandes jogadores. Atualmente, tanto no seu clube, como em outros, você apontaria algum nome que possa deslanchar em grandes clubes europeus futuramente?

No meu clube tem um jogador que faz parte da equipe sub-19 e sub-21 da Estônia, chamado Martin Tšegodajev. Creio que poderá se tornar um bom jogador. Mas o maior destaque do país é Sander Puri, do Levadia, líder do campeonato. E apesar da pouca idade, já faz parte da seleção principal estoniana, e vem chamando atenção de equipes como o Borussia Dortmund.

O que costuma fazer nos tempos livres no distrito de Kalju? O que o local oferece para os moradores de opções para lazer?

Gosto de ficar em casa, tomar meu chimarrão, conversar com minha noiva. Porém utimamente estamos aproveitando o pouco tempo de calor da Estônia, para conhecer um pouco melhor a cidade e ir a praia antes que a neve venha.

O fanatismo do torcedor estoniano poderia ser considerado semelhante ao do brasileiro, ou o futebol não é muito acompanhado no país?

Os que gostam, gostam mesmo, e acompanham o time em todos os lugares, faça frio, calor, neve ou chuva. Estes são apaixonados e apoiam bastante o clube, mas mesmo assim, por ser um país pequeno o fanatismo não se compara ao do brasileiro.

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”Não descarto a possibilidade de atuar pela seleção da Estônia”

A cerca de um mês atrás, a seleção estoniana realizou um amistoso histórico com a seleção brasileira. E ao contrário do que muitos pensavam, o jogo foi bem complicado, com uma vitória do Brasil por apenas 1-0. No entanto, se for analisar o histórico, e a atual classificação da Estônia no Grupo 5 das Eliminatórias para Copa, o que se percebe é uma campanha bem fraca, só ficando a frente da Armênia. Como você vê a atual situação do futebol nacional estoniano? Existe um crescimento suficiente para o país, em um futuro breve conquistar uma vaga inédita na Copa do Mundo, ou na Euro?

No jogo contra o Brasil, estonianos deram a vida. O país se destaca por ter bons jogadores na parte defensiva, talvez tenha sido essa a razão de apenas 1-0. Não creio que veremos a seleção estoniana em breve em uma Copa do Mundo ou na Euro, é complicado. Vejo um crescimento sim, mas ainda precisa evoluir bastante.

Apesar do pouco tempo no clube, você já se consolidou como titular, inclusive como o capitão. Como você analisa seu futuro no futebol da Estônia? Tem vontade de permanecer um bom tempo, e quem sabe conseguir uma naturalização para poder atuar pela seleção local?

Olha, tenho planos sim, mas tudo dependerá da evolução da equipe, os projetos são bons e querem se tornar campeões em um espaço de 2 anos. Eles já demostraram interesse na minha permanência, mas isso envolve vários fatores, desde a classificação para alguma competição européia, até a parte financeira do clube. Tenho o respeito de todos aqui, do presidente e dos jogadores, tanto que em pouco tempo no clube já consegui me tornar um dos líderes do grupo. Posso dizer que sou feliz no momento, e isso é o que importa.  Sobre uma naturalização, quem sabe. Possuo nacionalidade brasileira e italiana, duas seleções fortes, mas muito difícil de entrar nelas, mas como não custa sonhar. Porém não descarto a possibilidade de atuar pela seleção da Estônia.

Cite algum lugar/ponto turístico que você recomende na Estônia:

Recomendo visitarem a cidade velha, onde se pode ver mais sobre a história do país, além das construções da época medieval.

Gostaria de agradecer a todos que me apoiaram, principalmente minha família, que tanto me ajudou com palavras de consolo e força em momentos difíceis, e comemorou nos bons momentos.

DVD de Diego Parte 1:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=lBcHoFlsGnA[/youtube]

DVD de Diego Parte 2:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=y1l9h6YlJXw[/youtube]

  • Augusto Pozza

    Que bela história, emocionante, esse cara merece tudo de bom, tudo que deseja! Saudades amigo.
    Um abraço do amigo aqui do Rio Grande TCHÊ…

  • Thiago Meuser

    Excelente história!
    Acho que esse rapaz é um exemplo de perserverança e crença nos sonhos!
    Que ainda possamos ver Balbinot escrito em uma camisa da seleção brasileira!
    Sucesso a você!
    Thiago Meuser

  • José Morais

    Parabéns Diego!,

    Te desejo todo o sucesso possível. Um lutador como você merece o melhor.

    Araços!

    Nenê

  • léo beauty

    vc nasceu para brilhar

  • Felipe Gonzatti

    Show de bola, Parabéns, tenho certeza que muita coisa boa ainda está por acontecer,
    saudades do amigo, abração irmão!!

  • Tais balbinot

    Show de bola primão…
    Felicidades e sucesso!
    Abraços
    Taís Balbinot

  • maikel

    parabéns diegão,tudo de bom cara,vc sbe que isso é só o começo,ainda virá muitas coisas boas em seu caminho….abração…

  • Paty

    Parabéns Diego…
    Te desejo tudo de mais maravilhoso sempre…
    Bjokas..

  • Carla

    Pois e amigo falamos sobre isso outro dia mesmo… vc merece mesmo tudo isso e muito mais, pq sempre batalhou muito…Capitabracoo… entrevistas… reconhecimento mais do q merecido quem sabe o pessoal daqui aprenda a reconhecer tambem ne…. Abraco….

  • Simone Meuser Balbinot

    Vida!

    Me orgulho muito de voce, nao so por tudo o que vc ja viveu, mas pelo homem que voce se tornou!
    Te amo vida!!!

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