Procura-se o futebol goiano!

Procura-se

Por Matheus Laboissière

A partir de hoje, o Plano Tático apresenta série de reportagens sobre a atual crise de resultados no futebol goiano. Hoje, o texto é sobre os esmeraldinos do Goiás.

Momento promissor

O ano de 2010 não vem sendo muito positivo até o momento para os clubes de Goiás. Dos 100 clubes brasileiros que estão em alguma divisão nacional, apenas três são goianos: Goiás e Atlético, na Série A, e Vila Nova, na Série B, todos atualmente na zona do rebaixamento.

Na Série D, em que o estado tem direito a duas vagas, todos os clubes da 1ª Divisão desistiram de participar da competição. As vagas foram para o Distrito Federal.

Mas porque o futebol no estado decaiu tanto? Apenas coincidência? Má administração?

2005

Em 2005, ano do terceiro lugar no Brasileirão da Série A, o que resultou na primeira Libertadores de um clube do Centro-Oeste brasileiro, o Goiás tinha os seguintes destaques no elenco – em parênteses, idade na época –:

Defensores: André Leone (26), Paulo Baier (30), Vitor (23), André Dias (26), Jadílson (27) e Rogério Corrêa (26).

Meias/volantes: Rodrigo Tabata (24), Romerito (30) e Cléber Gaúcho (31).

Atacantes: Welliton (18), Roni (28), Dodô (31) e Souza (23).

Todos os jogadores acima estavam no ápice da carreira, o que significava salários mais altos. As arrecadações do Goiás em 2005, no entanto, não acompanharam os gastos. Em 21 jogos, o clube levantou um total de R$ 3 milhões, sem se descontar as despesas, média de R$ 144 mil por jogo, segundo a CBF. O público total foi de 272.579 torcedores.

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Um jogo, contra o Corinthians, no Serra Dourada, em 4 de dezembro, pela 42ª rodada, ficou entre os dez maiores públicos do campeonato, em 5º. 43.000 pessoas estiveram no estádio.

2006

Um ano mais tarde, a campanha esmeraldina também foi boa, mas não tanto quanto à passada: oitava colocação, a cinco pontos da zona da Libertadores. Alguns jogadores do elenco de 2005 permaneceram, casos dos laterais Vitor e Jadílson, do zagueiro Rogério Corrêa, do meia Romerito e dos atacantes Welliton e Roni.

Duas novas caras apareceram no clube: os volantes Galeano, ex-Palmeiras e 34 anos à época, e Vampeta, ex-Corinthians, contratado para a Libertadores, então com 32 – ficou até agosto. Ou seja, a diretoria esmeraldina contratou dois medalhões, com salários sabidamente altos.

A arrecadação no Brasileiro da Série A não acompanhou o aumento de gastos. Total de R$ 2 milhões e 400 mil, em 19 jogos, para uma média de R$ 124 mil. O total de público durante a competição foi de 195.786 pessoas. Um jogo ainda esteve entre os dez maiores públicos da competição, contra o São Paulo: 41.745 torcedores.

2007

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Foi o ano mais terrível desde o rebaixamento para a Série B, em 1998. Por pouco os goianos não voltaram a disputar a 2ª Divisão. De um ponto foi a diferença para o Corinthians-SP, que foi rebaixado com 44.

O meia Paulo Baier, depois de não conseguir se dar bem no Palmeiras, voltava à Goiânia. Vitor continuava por lá, assim como Welliton e Romerito. As novidades – caras, novamente – foram o atacante Rinaldo e o meia sérvio Petkovic, contratado para o Brasileiro – com apenas duas rodadas, o atleta rescindiu o contrato alegando cobranças excessivas e foi para o Santos-SP.

Quanto à arrecadação, ela aumentou, até porque o Goiás precisava da torcida para fugir da Série B. Foram R$ 2 milhões e 771 mil, em 19 jogos, média de R$ 145 mil, com público total de 266.976 torcedores. Porém, entre os 20 clubes da Série A, o Goiás foi o 15º em arrecadação, o que já apontava para um distanciamento financeiro dos grandes clubes do país.

2008

O clube esmeraldino voltou às boas campanhas, terminando o Brasileirão na oitava posição, a 12 pontos do G4, mas a nove da Série B. Algumas caras novas apareceram no elenco, como os volantes Fredson, vindo do São Paulo, e Fahel, o jovem zagueiro Rafael Tolói, o meia Adriano Gabirú, e os atacantes Alex Dias, Schwenck, Frontini, Iarley e Lima.

Mesmo com tantos atacantes, o eterno Paulo Baier foi o artilheiro, com 13 gols, dum total de 57 marcados pelo Goiás na competição. A boa campanha também rendeu aumento exponencial na arrecadação, R$ 4 milhões. Porém, isso não se deu por causa do público. Nos 19 jogos em casa, apenas um total de 162.604 torcedores compareceram ao Serra Dourada, apenas melhor que Portuguesa (96.674) e Ipatinga (68.447).

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Ou seja, a diretoria esmeraldina precisou aumentar o preço dos ingressos a fim de conseguir honrar os compromissos. Mais um sinal de que as finanças esmeraldinas não andavam muito bem.

2009

Mais um ano no meio de tabela, a nona posição, significou luz amarela. A diretoria continuava a aposta em jogadores como o zagueiro Leandro Euzébio, o meia Léo Lima, os atacantes Fernandão, Felipe, Bruno Meneghel, Jael.

A arrecadação aumentou, em R$ 300 mil, como o público, que chegou a 226.931. É importante salientar, no entanto, um dado. O Goiás teve uma partida, contra o São Paulo, entre as dez que mais arrecadaram: R$ 1 milhão e 185 mil, mas também uma entre as que menos angariaram fundos, contra o Santo André, apenas R$ 13 mil. Os ingressos continuavam altos.

2010

O elenco formado pelo Goiás para o Brasileirão 2010 reflete o mau momento do clube, que ocupa a lanterna, com 13 pontos em 17 jogos, sendo dez derrotas. Jogadores rodados que não se firmaram nos clubes pelos quais passaram vestem a gloriosa camisa esmeraldina.

Os destaques vão para os laterais Wellington Saci (ex-Corinthians e Atlético-MG) e Carlos Alberto (ex-Figueirense e Atlético-MG), o volante Jonílson (ex-Atlético-MG), e os atacantes Rafael Moura (ex-Corinthians, Fluminense-RJ, entre outros) e Otacílio Neto (ex-Corinthians e Ponte Preta).

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Não se pode esquecer dos “vovôs” Harlei, goleiro de 38 anos, do lateral Júnior (37) e de Jadílson, de 32. A aposta em Bernardo, 20, emprestado pelo Cruzeiro-MG, ainda não rendeu frutos. O atleta não parece pronto para ter a responsabilidade da nº 10.

A constante troca de treinadores (Hélio dos Anjos, Jorginho e Emerson Leão, só em 2010) também prejudica o clube que, além de não ganhar um padrão de jogo, ainda arca com gastos desnecessários – rescisões de contrato, regalias etc.

O público, claro, não vem comprando os ingressos. Com oito partidas em casa até agora, o Goiás levou 61.783, a terceira pior, à frente apenas de Grêmio Prudente (45.925) e Santos (51.499). O clube goiano tem o pior público em um jogo da competição até agora, apenas 1.493 presentes na derrota para o Grêmio Prudente, 2×1, dia 21 de agosto – contra o Ceará, 2.309 torcedores estiveram no Serra Dourada, o quarto pior. A arrecadação é de R$ 1 milhão e 100 mil.

Futuro

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É claro que o campeonato é de longo prazo e o próprio Goiás já provou que a má campanha no primeiro turno pode se transformar na volta por cima no segundo. Mas a questão financeira tem um peso decisivo. Cabe à apaixonada torcida esmeraldina comparecer e apoiar a instituição Goiás Esporte Clube e, principalmente, o estado de Goiás.

  • Hélio Afonso Filho

    Matheus,

    Legal essa iniciativa de desmembrar os meandros do futebol goiano. Apesar dos nossos times de exposição estarem em situações difícies o futebol goiano obteve um crescimento admirável internamente. O problema que eu vejo, observando bem de dentro da situação como bem sabes, é uma exaustão do modelo de gestão administrativa que não pertence somente ao futebol. Aqui, culturamente, ainda abriga um certo coronealismo na política, na administração das empresas goianas e até no futebol. O Goiás começou a decair por conta das contestações sobre a gestão do seu eterno “patrocinador” e presidente de honra do clube Hailé Pinheiro, a família dele é quem comanda o clube a muito tempo e agora que contestaram, inclusive com intermédio da polícia federal, as atitudes da turma dos Pinheiros e agora que eles estão começando a se ausentar do poder aparecem os problemas gravíssimos que eles enfiaram o clube. No Vila tem o Barros, grande empresário que bancava grande parte do time e que também se ausentou por desgastes com torcida e etc. No Atlético tem o Valdivino de Oliveira que era vice prefeito de Goiania e que também virou secretário da fazenda do DF ajudando o Roriz a fazer seus negócios “diferentes” por ae.Lembrando que uma das maiores patrocinadoras do time era a empresa de informática processada por vender produtos ao governo sem licitação.
    Para os times pequenos e do interior do estado acontece uma mescla de vários fatores. O primeiro de tudo é a falta de estrutura administrativa e esportiva. Praças esportivas falidas, falta de pessoal adequado para tocar a modernização dos clubes, falta de dinheiro por ausência de um calendário para os clubes que não disputam nenhuma divisão do Brasileiro, formando assim, os famosos “clubes de verão”. Não há dinheiro e não há investimento na base, dependendo exclusivamente dos fundos de prefeituras para tocar seus gastos. Como esse ano é um ano de eleições fica muito complicado de conseguir recursos para, por exemplo, disputar uma famigerada Série D que só faz aumentar as dívidas destes clubes que já estão afundados em dívidas trabalhistas. Quem poderia ajudar os pequenos clubes, a Federação Goiana, só pensa em suas joias da Capital, tanto que os investimentos e direitos de imagem advindos da televisão é repartido “igualmente” na proporção de 70% para os times da capital e 30% para os outros 7 clubes da Série A do campeonato goiano.
    Estão aí algumas razões extra-campo para o insucesso nacional dos clubes Goianos.

  • admin

    Muito bom comentário caro Hélio, orbigado!

    Pude ver, na parte financeira no Campeonato Brasileiro, como a má administração no Goiás está sendo uma das razões para a má campanha da equipe.

    A Libertadores subiu à cabeça dos dirigentes esmeraldinos, que deram o famoso passo maior que a perna (basta ver os jogadores que o Goiás tinha no elenco em 2005, 2006, e observar agora).

    Mas o que preocupa mais ainda são os clubes do interior. Eles não podem deixar de disputar Série D, ter calendário cheio. MAs há outros estados brasileiros com o futebol em muito maior crise, certamente. Só para ficar em dois: Maranhão e Amapá, que nem organizaram o estadual 2010 ainda.

  • Hélio Afonso Filho

    Matheus,

    eu achei até bom ninguém participar, mesmo pq nao tem condições de apostar num campeonato deficitário. A FGF deveria era abraçar seus clubes e discutir na CBF modos de ajudar a fazer a série D algo rentável ou interessante de se disputar. Se formos analisar pelo projeto, é melhor ficar sem disputar e garantir um campeonato goiano mais decente!

    Podemos desenvolver melhor essa idéia por ae.
    abraços.

    • admin

      Você está certo, até porque a competição é, em sua imensa maioria, deficitária sim. A CBF é que tem o dever de pagar todas as despesas das competições nacionais, que aí sim se tornariam mais atrativas, até aumentando a disputa nos estaduais, as rivalidades, o público e o próprio dinheiro, porque não, dos clubes.
      Só a CBF pode mudar essa história! Caso contrário, desistências haverão todos os anos!

  • João

    E olhe que a CBF tem arrecadado como nunca! Dinheiro não falta nos cofres dela pra promover o futebol nacional. Não arca com nada na série C e D, que são competições crudelíssimas para quem delas participa.

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