Copa do Brasil 2016: conheça Cavalo, um dos personagens do Santos AP

Fotos: Arquivo Pessoal

O dia 28 de abril de 2016 será histórico para um desconhecido grupo de jogadores. Às 21h30 desta quinta-feira, o elenco do Santos do Amapá entrará no gramado da histórica Vila Belmiro para enfrentar o Santos de Pelé, razão da existência do time do Norte do Brasil, fundado em 11 de maio de 1973 (42 anos).

Pouca gente esperava que os amapaenses pudessem fazer o jogo da volta na Copa do Brasil 2016, mas a equipe aproveitou o fato de o adversário ter utilizado os reservas e abriu o placar atuando no estádio Zerão, levando o empate no segundo tempo.

Fruto da estratégia inteligente do técnico Romeu Figueira (era auxiliar em 2015), que esperou o Santos e conseguiu bloquear o adversário com duas linhas de quatro atletas: “O Santos/SP quase não teve chance de fazer gols e isso demonstra a obediência dos meus atletas”, disse o treinador ao globoesporte.

O feito do Santos do Amapá pode passar despercebido do grande público, mas não do Plano Tático. A diferença salarial entre as duas equipes é gritante: enquanto o Santos/AP tem folha mensal de R$ 100 mil, somente o atacante Ricardo Oliveira embolsa R$ 150 mil por mês. Além disso, é a terceira vez que o Santos/AP consegue jogar a partida da volta…

Nas quatro participações anteriores na Copa do Brasil, a equipe sucumbiu na primeira fase, mas foi eliminada na ida por América Mineiro (3 a 0 em 2014) e Portuguesa (3 a 1 em 2015). Em 2000, o Santos empatou sem gols com o Remo/PA, mas levou de 6 a 0 na volta. No ano seguinte, novo empate sem gols com o mesmo adversário, que fez 3 a 0 na volta.

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O que só a Copa do Brasil 2016 proporciona

A tendência é que os amapaenses atuem de novo defensivamente, na esperança de jogar por uma bola. O foco dos jogadores será dentro das quatro linhas (a delegação viaja na madrugada desta quarta, 27 de abril), mas é inegável que o elenco do time do Amapá vai viver todos os momentos possíveis antes, durante e depois dos 90 minutos!

O jovem lateral-direito Dienison Gomes do Carmo, 24 anos, cujo apelido Cavalo chamou a atenção na escalação do Peixe da Amazônia no jogo de ida da Copa do Brasil 2016, está bem focado nos objetivos: “Já joguei em São Paulo quando participei da Copinha 2010 [foi titular do Santana na derrota de 14 a 0 para o Santo André/SP]. Atuar na Vila Belmiro é uma oportunidade única, mas ainda não combinamos de tirar fotos, pois queremos fazer um grande jogo”, disse o atleta em entrevista exclusiva ao Plano Tático.

Cavalo é chamado assim por causa dos amigos: “O apelido surgiu de uma brincadeira com meus amigos, pois eles notavam que eu tinha muita velocidade e força física”, descreve-se o atleta, que não se incomoda nem um pouco com a situação: “Na verdade, Cavalo mostra minhas qualidades, encaro tudo isso com naturalidade”, explica.

Aos 24 anos, Cavalo sabe da importância de enfrentar duas vezes o Santos famoso: “É um confronto especial, o Santos é renomado no cenário nacional e internacional. Foi a minha primeira experiência contra um time grande da Série A e espero que venham mais”, comenta.

Apesar da pouca idade, Cavalo já tem muita experiência no futebol. Ele começou a atuar aos 16 anos, na base do Ypiranga, em 2007. Depois de passar pelo Independente em 2008, o jogador defendeu o Santana por duas temporadas (2009/10), vendo o time ser vice-campeão estadual no primeiro ano – derrota de 3 a 0 para o São José.

Depois, foram mais três temporadas no Trem, com título estadual em 2011. Após se destacar na equipe, Cavalo chegou ao Santos em 2014 e coleciona o tricampeonato amapaense no maior clube do estado, tendo a chance de atuar em competições nacionais. Com nove anos convivendo de perto com a realidade do futebol amapaense, Cavalo esclarece:

“Nunca tive outros empregos, sempre fui focado em ser jogador de futebol, pois desde criança era meu sonho atuar profissionalmente e fazer o que gosto, algo que já realizei. Para isso, precisava treinar muito e ter bom rendimento”, explica o jogador em entrevista exclusiva ao Plano Tático. Cavalo afirma que no Santos/AP não há nenhuma dificuldade de estrutura ou salários atrasados, mas “nos outros clubes a questão financeira conta muito, embora nunca tenha atuado sem ser assalariado”.

Cavalo revela ainda que já recebeu propostas para jogar fora do Amapá, mas que não deram certo pelo fato de na época ele ser muito jovem. Por fim, Cavalo é realista quanto ao Santos amapaense seguir na Copa do Brasil 2016: “As chances de classificação são remotas, mas precisamos focar em fazer um grande jogo, a vaga é consequência. Preparamo-nos da melhor maneira possível”, alerta o atleta.

Independentemente do resultado na Copa do Brasil 2016, Cavalo sabe que sua carreira continua, mas ainda vive a incerteza de continuidade no Santos/AP: “Ainda não estou confirmado no elenco da Série D 2016, mas estou me dedicando nos treinos e nas partidas para poder participar da competição”.

Reprodução/Twitter

Outra coisa que Cavalo vai guardar da Copa do Brasil 2016 é a menção a seu apelido curioso feita pelo jornalista Leonardo Bertozzi, da ESPN Brasil: “Queria dizer a ele que me senti privilegiado, pois o Leonardo trabalha numa emissora esportiva conhecida nacional e internacionalmente. É sempre bom ser lembrado por um profissional ligado ao futebol”, encerra Dienison Gomes, ou simplesmente Cavalo!

O Plano Tático deseja ótima sorte ao Santos/AP na volta da Copa do Brasil 2016!

Informações

– O empresário gaúcho Luciano Marba é o presidente do Santos/AP e empresta a área de sua empresa ao clube, que tem campo gramado, de areia, além de duas quadras, uma poliesportiva para a prática de outros esportes, como handebol, basquete e futsal, e outra de grama sintética. O espaço social ainda conta com piscina, academia, lanchonete, bosque e alojamentos com central de ar condicionado e auditório para jogos, algo único no futebol amapaense. Porém, ele costuma ser polêmico… Luciano Marba proibiu a imprensa de cobrir os treinamentos do time em agosto de 2015, durante o estadual e a Série D, num momento em que o time acumulava resultados ruins nas duas competições.

– O Santos nasceu em 1973, mas só se profissionalizou em 1998, oito anos depois de o futebol amapaense sair do amadorismo. São três títulos da segunda divisão (1987, 1988 e 2007) e quatro da elite (2000, 2013, 2014 e 2015).

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