Manthiqueira: o futebol de Guaratinguetá que dá certo

Foto: Leandro Oliveira/ AD Manthiqueira

A cidade de Guaratinguetá já teve muito sucesso no futebol paulista e nacional. Tudo graças ao Guaratinguetá Futebol Ltda., fundado em 1998 e que teve ascensão meteórica, saindo da 4ª divisão do Campeonato Paulista em 2002 – foi o primeiro ano no futebol profissional – e chegando à elite estadual cinco anos depois.

Além das cinco temporadas no Paulistão, a última em 2012, o Guaratinguetá também galgou degraus em nível nacional. Ficou dois anos na Série C, conseguindo subir para a segunda divisão em 2009, com um terceiro lugar. Na Série B do Brasileirão, a equipe se manteve por apenas um ponto em 2010, cometendo um grande erro fora das quatro linhas.

Em outubro daquele ano, o Guaratinguetá alegou falta de apoio da cidade – a diretoria queria R$ 6 milhões em dez meses da prefeitura, que não conseguiu arrecadar o montante – e se mudou para Americana, passando a se chamar Americana Futebol. O novo clube foi bem na Série B 2011 ao somar 56 pontos nas 38 rodadas, a cinco do sonhado acesso à elite nacional. Foi a última vez que a equipe experimentou algo de positivo.

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No fim da temporada, o Guaratinguetá voltou para a cidade de origem, alegando que a estrutura de Americana era insuficiente para o clube e o outro time da cidade, o tradicional Rio Branco. Veio o rebaixamento para a Série A2 do Paulistão e a quase queda na Série B – o Guaratinguetá somou 43 pontos, um a mais que o CRB/AL. Em 2013, o time caiu para a Série C com 41 pontos, três a menos que o Atlético Goianiense.

Com dificuldades financeiras e falta de apoio da torcida, que não se esqueceu da mudança de cidade nos tempos áureos, o Guaratinguetá foi definhando a cada temporada. Foram dois rebaixamentos seguidos em São Paulo, para a Série A3 em 2015 e para a 4ª divisão em 2016, além da queda para a Série D, também em 2016.

Sem forças, o Guaratinguetá se licenciou do futebol profissional por causa de dívidas com a prefeitura, que só liberava o estádio Dário Leite mediante o acerto dos débitos. Porém, a cidade de 120 mil habitantes não ficou órfã de futebol pela segunda vez em menos de dez anos.

A ascensão do Manthiqueira

Em 2005, o Guaratinguetá estreava na Série A2 do Paulistão. Em 4 de agosto daquele ano, era dado o primeiro passo para a Academia Desportiva Manthiqueira, que surgiu como evolução do trabalho de uma escolinha do São Caetano na cidade. O clube ficou assim até outubro de 2010, quando se filiou à federação paulista.

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Não foi coincidência com a saída do Guaratinguetá cidade, pois o Mantiqueira se profissionalizou exatamente no intuito de ocupar a lacuna deixada pelo antigo clube. Enquanto o rival experimentava o sucesso e a queda, o Manthiqueira dava pequenos passos na 4ª divisão paulista.

Na primeira participação, em 2011, a equipe somou apenas dez pontos em 14 rodadas, a metade do necessário para avançar, ficando à frente apenas do União Mogi no Grupo 5. Já em 2012, o Manthiqueira passou para a 2ª fase com o segundo lugar, mas caiu de produção e acumulou seis derrotas para Votuporanguense, Guarujá e Jaboticabal.

Nova classificação só viria em 2014, com a terceira posição do Grupo 5. Foi a melhor campanha do Manthiqueira até então, já que o time também passou à 3ª fase, perdendo a vaga no Quadrangular Semifinal por um ponto – somou oito, contra nove do Atibaia. Era um ensaio para o que viria na 4ª divisão paulista de 2017…

No Grupo A, o Manthiqueira disputou 12 rodadas na 1ª fase, somando 25 pontos. Foi o suficiente para avançar com a segunda melhor campanha da chave, um ponto atrás do São José. Na segunda etapa, o time mediu forças com Taquaritinga, Primavera e José Bonifácio, somando dez pontos em seis partidas. Com a segunda posição, dois à frente do Primavera, o Manthiqueira seguiu para as quartas de final.

Nos dois jogos diante do Osvaldo Cruz, cada time venceu por 1 a 0, mas o Manthiqueira avançou por ter melhor campanha que o adversário. Já nas semifinais, valendo o acesso para a Série A3, a equipe não teve problemas para empatar com o União Mogi sem gols fora de casa e fazer 3 a 1 de virada em seus domínios, atingindo o objetivo.

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Na decisão contra o tradicional EC São Bernardo, o Manthiqueira ficou no 1 a 1 fora de casa e superou o oponente por 2 a 1 no estádio Dário Leite, levantando a taça da 4ª divisão paulista após sete longos anos! Com título e acesso garantidos, o Manthiqueira dá um passo muito importante rumo ao crescimento, mas ainda falta muito para o clube se igualar do Guaratinguetá. Pelo menos a promessa é de não deixar a cidade, o que já é de grande valia!

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Curiosidades

– O Manthiqueira tem mesmo raízes com a cidade de Guaratinguetá. A começar pela mascote, que é um cavalo por razão histórica: os tropeiros e cavaleiros cruzavam a região do Vale do Paraíba a cavalo, carregando o progresso a população. Mas o clube também tem referências a duas outras equipes. O laranja e o preto dos uniformes são em alusão à Holanda de 1974 e seu Carrossel Holandês, enquanto o th do nome é em referência ao Co

Foto: Site Manthiqueira

rinthians. Homenagens do presidente do Manthiqueira, Geraldo Margelo Oliveira, o Dado Oliveira.

– Outro legado que o Manthiqueira quer imputar ao futebol brasileiro é com relação ao comportamento dos jogadores. O clube defende a honestidade dentro e fora de campo e tem uma cartilha com sete mandamentos, que pode ser lida na foto abaixo (clique para ampliar).

– O Manthiqueira também quebrou barreiras ao ter por quase cinco anos uma treinadora no time profissional. Nilmara Alves comandou o time desde a fundação, mas deixou o cargo por iniciativa dela, já que não conseguia mais conciliar o trabalho no campo com a função de funcionária pública na prefeitura de Aparecida, uma cidade vizinha. O auxiliar Luis Felipe Domingos, 28 anos, assumiu a equipe e levantou a taça.

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