Tupynambás na elite do Campeonato Mineiro: o terceiro ato

Foto: Patrocínio Photo Studio

Quem poderia imaginar que as finais do Campeonato Mineiro Módulo II teriam a presença do centenário Tupynambás? A equipe de Juiz de Fora surpreendeu a todos e disputa o título contra o Guarani de Divinópolis – a primeira partida ocorreu em 29 de abril, com vitória do Guarani por 1 a 0, em Juiz de Fora.

Só de ter conquistado o acesso para a elite do Campeonato Mineiro, o Tupynambás já tem muito a comemorar. Pudera, o time voltou ao profissionalismo em 2016, nove anos após a experiência anterior, que durou apenas uma temporada – o clube foi reativado por ter revelado um jogador de seleção brasileira. O caminho de renascimento do Baeta parecia longo, mas não foi.

Já em 2016, o Tupynambás venceu o Grupo C da 3ª divisão com apenas uma derrota em oito rodadas e repetiu a campanha no Hexagonal Final, superando Betinense, Patrocinense, Coimbra, Valério e Jacutinga. No Módulo II de 2017, o Tupynambás foi segundo colocado na 1ª fase, mas sucumbiu no Hexagonal Final ao somar apenas seis pontos em dez rodadas (1v, 3e, 6d).

Foi a primeira experiência do clube num torneio de caráter mais profissional, mas o Tupynambás não sentiu a grande diferença entre Módulo II e 3ª divisão. Em 2018, o time quase sempre esteve na zona de classificação para as semifinais, ficando de fora apenas nos dois primeiros jogos em razão da derrota para o futuro rebaixado Social (2 a 1) na estreia.

Aos poucos, o Tupynambás foi se recuperando e passou a frequentar a terceira ou a quarta posições. Ao fim das 11 rodadas da 1ª fase, a equipe somou 19 pontos (6v, 1e, 4d) e assumiu o terceiro lugar, atrás apenas do líder Guarani de Divinópolis e do América de Teófilo Otoni.

Nas semifinais, o Tupynambás mediu forças com o América e ficou no 0 a 0 em casa, na primeira partida. Parecia difícil reverter a situação em Teófilo Otoni, mas o time de Juiz de Fora conseguiu: depois de abrir o placar e levar o empate, o veteraníssimo Ademílson, 43 anos, marcou o gol do acesso aos 43 minutos da etapa final!

O terceiro ato na elite de Minas Gerais

O Tupynambás quer levantar a taça do Módulo II diante do Guarani de Divinópolis, mas o grande objetivo do clube já foi alcançado: voltar à elite do Campeonato Mineiro, competição que o Baeta não disputava desde 1934, há exatamente 85 anos.

A primeira experiência do time de Juiz de Fora em nível estadual ocorreu em 1933, quando o Campeonato Mineiro ainda não estava totalmente unificado. O Tupynambás jogou contra América, Atlético e Cruzeiro (ainda se chamava Palestra Itália), terminando em sexto lugar dentre nove times. Só que, oficialmente, a pontuação contra os times do interior (Tupi e Sport Juiz de Fora também participaram) não contava para a tabela, que teve o Villa Nova como campeão.

No ano seguinte, houve a primeira tentativa de união na prática. Os times de Belo Horizonte jogavam entre si, com o campeão encarando os vencedores das outras ligas de Minas Gerais. Como só Juiz de Fora tinha campeonato oficial, o Tupynambás levou o título e encarou o Villa Nova na grande decisão do primeiro Campeonato Mineiro com status de estadual. Eram três partidas programadas, e o Villa Nova venceu a primeira por 2 a 0 em 16 de dezembro de 1934.

As outras duas não chegaram a ocorrer, pois a liga de Juiz de Fora foi banida pela Federação Brasileira de Futebol, à qual a federação mineira estava afiliada – a entidade passou a fazer parte da antiga Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF. Assim, o Villa Nova foi o campeão mineiro daquele ano.

Demoraram longos 85 anos para o Tupynambás voltar a jogar na 1ª divisão do futebol mineiro, o que vai ocorrer oficialmente em meados de janeiro de 2019. Até lá, o Tupynambás tem tempo para se preparar, inclusive financeiramente. Será que o Baeta vai novamente surpreender a todos? Estamos ansiosos para ver o time em campo!

Curiosidades

– Após a participação no estadual de 1934, o Tupynambás passou a disputar a 2ª divisão. Em 1969, o time ficou em terceiro lugar no seu grupo, mas acabou ganhando vaga na 1ª fase do Campeonato Mineiro 1970, na prática uma 1ª fase. Em 14 rodadas, o Tupynambás foi o lanterna com apenas cinco pontos (2v, 1e, 11d). Por falta de condições financeiras, o clube fechou as portas até 1983, quando voltou para jogar a 2ª divisão, sem sucesso. Depois de encerrar as atividades novamente, o novo retorno ocorreu em 2007, na 3ª divisão, com queda na 1ª fase.

– Os rivais Tupi e Tupynambás voltarão a se enfrentar na elite do Campeonato Mineiro depois de 86 anos. Em 1933, as equipes se encontraram duas vezes, com duas vitórias do Tupi: 2 a 1 em 25 de junho e 3 a 2 em 5 de novembro. O Tupi somou 17 pontos em 15 jogos e foi vice-campeão mineiro, sete pontos atrás do Villa Nova. Já o Tupynambás terminou na sexta posição dentre nove times, com 13 pontos.

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