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Milan x Shkëndija: Stênio Júnior representa o Brasil no lado macedônio

Stênio Júnior tem contrato até 2020 com o Shkëndija, adversário do Milan na Liga Europa

Nos próximos dias 17 e 24 de agosto de 2017, os playoffs da Liga Europa 2017/18 vão definir os 11 classificados à fase de grupos via etapas preliminares. Uma partida tem chamado a atenção do Plano Tático, pois será certamente histórica. O outrora poderoso Milan está enriquecido novamente e almeja retomar os tempos de força do futebol europeu, mas precisará passar pelo desconhecido Shkëndija, da Macedônia.

Campeão nacional em 2010/11 e vice nas duas últimas edições (2015/16 e 2016/17), o Shkëndija é o azarão neste confronto, até porque tem maioria de jogadores macedônios, com destaque para Besart Ibraimi, 30 anos, um dos dois que jogam na seleção – teve seis partidas pelo Schalke 04 em 2010/11.

São cinco estrangeiros, de Croácia, Albânia, Kosovo e Alemanha, nenhum com passagens em equipes importantes. O quinto jogador de fora é o também desconhecido Stênio Júnior, 26 anos, atacante brasileiro nascido em Fortaleza. Grande destaque do Shkëndija, ele vai para a sua quinta temporada no clube e já marcou 26 gols em 72 partidas.

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É bom o Milan tomar cuidado com ele, mas não é que os italianos deram sorte? Stênio Júnior foi expulso na primeira partida da 3ª fase preliminar contra o Trakai (Lituânia) e acabou suspenso por dois jogos, tendo cumprido um. A ida contra o Milan seria na Macedônia, mas por questões de logística a UEFA inverteu os mandos, tirando a chance de Stênio jogar no estádio San Siro…

“Fico até um pouco chateado ao falar nisso. A gente trabalha tanto pra ter uma oportunidade de jogar uma partida dessas, contra um clube como o Milan… Ver seus companheiros desfrutando daquele sonho e você estar na arquibancada é um pouco chato. Mas é só a primeira partida, creio que na segunda eu estarei lá dando o meu melhor dentro de campo”, explica Stênio Júnior em entrevista exclusiva ao Plano Tático.

Mesmo sem o artilheiro, a expectativa dos macedônios é boa: “Queremos chegar à fase de grupos e teremos pela frente um clube de grande história, mas o futebol sempre tem suas surpresas, nada é garantido”. Stênio explica que a cidade de Tetovo (o time jogará na capital Skopje, pois seu estádio não atende as exigências da UEFA) e o clube estão felizes e confiantes. “Independente do resultado, sairemos de cabeça erguida”.

O que pode contar a favor do Shkëndija é a experiência, já que o time esteve nos playoffs da Liga Europa 2016/17, quando levou de 6 a 1 do Gent (Bélgica) em duas partidas – veja alguns gols dele. “Há coisas que nos fazem crescer, essa experiência é muito importante e ajuda muito. Estaremos mais espertos e concentrados, tentando dificultar na marcação e buscando atacar com força”.

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Nem mesmo o grande desafio na estreia do Campeonato Macedônio parece desanimar Stênio Júnior. Quatro dias antes do jogo contra o Milan, o Shkëndija encara o Vardar, campeão nas duas últimas temporadas: “Será um jogo muito difícil, mas bom de jogar, ainda mais sendo clássico. Creio que não atrapalha ter duas partidas importantes tão perto uma da outra, é nesse momento que temos de demonstrar que também temos garra e qualidade, somos grandes”.

A esperança do Shkëndija é que Stênio desequilibre no segundo jogo contra o Milan, já que atua nas duas pontas e também no meio-campo, principalmente dando assistências para gols e ajudando na parte defensiva, por causa da velocidade e da força. Independentemente do resultado, o brasileiro sabe que a carreira até aqui tem sido altamente positiva, tanto que ele renovou contrato neste ano até 2020. Acabou premiado por ter se destacado desde que assinou seu primeiro vínculo profissional…

A trajetória de Stênio Júnior

Natural de Fortaleza, Stênio Júnior teve sua primeira experiência profissional aos 18 anos, a 24 km da capital cearense. No Eusébio FC, ele disputou a 3ª divisão, mas o time não subiu. Em pouco tempo, o jovem atacante teve seu primeiro destaque. Com a camisa do Horizonte FC, Stênio marcou sete gols no estadual e contribuiu para o terceiro lugar da equipe na classificação geral, garantindo vaga na Série D.

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Apesar dos holofotes, o jogador afirma que não recebeu propostas de times brasileiros: “Se houve alguma parou nos dirigentes, porque eu não fiquei sabendo de nada (risos)”. No segundo semestre, Stênio jogou três partidas na Série D e fez um gol, mas o Horizonte ficou a um ponto de avançar ao mata-mata: “Não tivemos sorte, o torneio era curto e tínhamos que ser certeiros nos resultados, mas foi uma ótima experiência”.

Em novembro de 2012, já visando à temporada seguinte, Stênio foi apresentado pelo Horizonte e até disputou a primeira rodada do estadual, quando veio a notícia inesperada: “Foi meio que do nada, os dirigentes me avisaram que tinha surgido essa proposta do Litex Lovech (Bulgária)”. Desejoso de buscar novos objetivos na carreira, Stênio agarrou a chance de jogar no futebol europeu aos 21 anos.

Nos primeiros meses, porém, vieram as dificuldades: “Foi bem difícil a adaptação. Comida, idioma, clima e cultura bastante diferentes do que estava acostumado, mas um jogador que me indicou ao clube estava comigo e me ajudou muito nesse período”. Com o fim da temporada 2012/13, Stênio tinha marcado um gol em 14 partidas, seis como titular. Não era um desempenho ruim, mas o atleta recebeu outra oportunidade…

“Ao término da temporada, ainda tinha mais dois anos de contrato com o Litex Lovech, mas surgiu a proposta de empréstimo para o Pelister, da Macedônia”. Com poucas chances de jogar, Stênio aceitou para que pudesse aparecer mais. Assim, o brasileiro mudou de país e teve uma boa estrutura ao dispor…

“O clube oferecia um apartamento e um restaurante para almoço e jantar aos estrangeiros. Como tudo era perto, eu morava no centro e caminhava apenas cinco minutos até o estádio para treinar. Só não tive nenhum familiar comigo, mas os companheiros me ajudaram muito, até me surpreendeu ver que eles queriam tornar as coisas mais fáceis para mim. Tenho amigos no Pelister até hoje”, lembra Stênio Júnior em entrevista exclusiva ao Plano Tático.

Com uma boa estrutura e ajuda primordial, a adaptação no Pelister foi “mais fácil, só o idioma era um pouco mais difícil, mas me acostumei”. E isso tudo contribuiu para o desempenho do atacante em campo. Com metade da temporada 2013/14 transcorrida, Stênio Júnior aparecia com sete gols em 16 partidas, o que chamou a atenção do Shkëndija.

Assim, o brasileiro foi vendido para o clube por 150 mil euros: “Fui a transferência mais cara dentre os times da Macedônia. E ainda deu para Stênio terminar a temporada com mais seis gols em 11 jogos, atingindo 13 bolas nas redes nas duas equipes, seis a menos que o artilheiro – o time foi para Liga Europa com a quarta posição.

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Nas duas temporadas seguintes, o atacante acumulou dez gols em 43 partidas, mas voltou a balançar as redes em demasia em 2016/17, com oito gols em 14 jogos, apenas seis na liga macedônia: “Alguns problemas de lesão me tiraram dos gramados e demorei a voltar, pegar ritmo e alcançar o nível dos atletas que já vinham atuando”.

Adaptado ao Shkëndija, Stênio Júnior sabe que jogar bem pode levá-los a centros maiores, já que tem recebido propostas de clubes do exterior: “Acredito que posso voltar ao Brasil, mas sei que não é o momento certo. Quero conseguir muito mais aqui fora, vamos crescendo devagar”, pontua.

Uma das possibilidades é defender a seleção da Macedônia no futuro: “Já houve a hipótese de eu me naturalizar, acho que não está tão distante. Vivo no país há quatro anos e meio e preciso de cinco para dar entrada na documentação. Aceitaria defender a seleção, que costuma jogar contra grandes países nas eliminatórias da Eurocopa e da Copa e isso pode me abrir portas”.

Enquanto espera oportunidades maiores, Stênio Júnior foca no Shkëndija, que não só terá o Milan pela frente, mas precisará brigar pelo título na liga macedônia, quem sabe superando o favorito Vardar. Será que o Futebol Alternativo vai aprontar com a ajuda do brasileiro?

Curiosidades

– Foi-se o tempo em que a Macedônia era um lugar sem brasileiros. São oito jogadores na liga de 2017/18, contando com Stênio Júnior, e eles mantêm contato intenso: “Temos um grupo no WhatsAPP Brasileiros na Macedônia e, quando o campeonato tem uma pausa ou estamos de folga, no mesmo dia a gente marca algo para estarmos em contato para bater um papo. Aliás, um abraço pra galera toda (risos). Sempre que aparece um brasileiro já buscamos contato para ajudá-lo a se adaptar e no que for preciso”, esclarece.

– 24 de novembro de 2013 foi o dia que mais marcou Stênio Júnior na Macedônia. Ainda emprestado ao Pelister, ele fez os quatro gols da vitória por 4 a 2 diante do Metalurg fora de casa, numa atuação e tanto. “Quando chegamos da partida houve uma grande festa e os torcedores me ergueram nos braços”. No Shkëndija me marcou a recepção de todos na cidade e no clube, demonstraram muito carinho e respeito, me fizeram sentir em casa. Até hoje eles me tratam da mesma forma e busco retribuir com muito trabalho”.

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